Seu filho joga videogame? Isso pode ser o primeiro passo para uma carreira na economia digital


Foto: Freepik

“Vai largar esse videogame e procurar um trabalho!”

Quantas vezes essa frase foi repetida dentro de casas brasileiras nas últimas décadas?

A ironia é que, hoje, para milhares de pessoas, os games já são exatamente isso: trabalho, carreira e oportunidade.

Enquanto muitos ainda enxergam os jogos eletrônicos apenas como entretenimento, uma nova economia se consolidou diante dos nossos olhos. Uma economia que movimenta bilhões, cria empregos, impulsiona inovação e abre portas para profissões que sequer existiam há alguns anos.

E não estamos falando apenas dos atletas de esports. Aliás, esse talvez seja o maior equívoco de quem observa o setor de fora.

Por trás de cada campeonato existe uma estrutura profissional gigantesca! Narradores, comentaristas, analistas de desempenho, técnicos, psicólogos, preparadores físicos, produtores de eventos, gestores de comunidades, designers, programadores, especialistas em marketing digital, desenvolvedores de software, equipes de transmissão e criadores de conteúdo trabalham diariamente para manter essa engrenagem funcionando.

Quem imaginaria, há vinte anos, que alguém poderia construir uma carreira transmitindo partidas ao vivo para milhares de pessoas?

Quem imaginaria que empresas contratariam especialistas em comunidades gamers, criadores de conteúdo ou profissionais dedicados exclusivamente ao cenário competitivo?

Mas aconteceu. E continua acontecendo.

A evolução tecnológica acelerou ainda mais esse processo. A inteligência artificial, a computação em nuvem, as plataformas de streaming e a transformação digital criaram novas demandas e novos espaços para profissionais preparados para atuar nesse mercado.

O mais interessante é que muitas dessas competências ultrapassam o universo dos games.

Comunicação, liderança, trabalho em equipe, gestão de projetos, análise de dados e domínio tecnológico são habilidades cada vez mais valorizadas por empresas de diversos setores.

Por isso, quando falamos de esports, estamos falando também de educação, capacitação e desenvolvimento profissional.

Mas existe um ponto que merece ainda mais atenção.

Estamos preparando nossos jovens para esse novo mercado?

A velocidade com que novas profissões surgem é impressionante. Enquanto algumas carreiras tradicionais passam por transformações profundas, outras nascem praticamente da noite para o dia.

Há poucos anos, quase ninguém falava em streamer profissional, gestor de comunidade digital, especialista em engajamento de plataformas, criador de conteúdo para esports ou analista de performance para equipes competitivas.

Hoje, essas funções movimentam empresas, organizações e projetos em todo o mundo.

E isso é apenas o começo.

A próxima geração encontrará um mercado de trabalho ainda mais conectado à tecnologia. Inteligência artificial, automação, produção de conteúdo digital, desenvolvimento de software e economia criativa caminharão lado a lado com os jogos eletrônicos.

Ignorar esse movimento não fará ele desaparecer.

Pelo contrário.

Significa apenas perder oportunidades.

No Espírito Santo, temos uma chance enorme de participar dessa transformação.

Temos talentos.

Temos universidades.

Temos empresas de tecnologia.

Temos jovens apaixonados por inovação.

O que precisamos é conectar essas peças.

É justamente aí que iniciativas voltadas aos esports ganham relevância. Elas aproximam estudantes da tecnologia, despertam interesse por carreiras digitais, incentivam o empreendedorismo e ajudam a desenvolver competências que serão cada vez mais exigidas pelo mercado.

Muitas vezes, o primeiro contato de um jovem com programação, design, produção audiovisual ou gestão de equipes acontece através dos jogos.

E isso não deve ser visto como um problema.

Deve ser visto como uma oportunidade.

Uma oportunidade de formar profissionais mais preparados para os desafios da economia digital.

Uma oportunidade de gerar empregos.

Uma oportunidade de desenvolver talentos locais.

Uma oportunidade de posicionar o Espírito Santo como protagonista em um setor que não para de crescer.

Na FECAPES, acreditamos que os esports vão muito além das competições.

Eles representam educação.

Representam inovação.

Representam inclusão digital.

Representam desenvolvimento econômico.

E, principalmente, representam futuro.

Aquela velha frase sobre “largar o videogame para procurar um trabalho” talvez precise ser atualizada.

Porque, para uma nova geração, os games já não são a distração.

Eles podem ser o caminho.

Anthony Panetto
Anthony Panetto é presidente da FECAPEES (Federação Capixaba de Esportes Eletrônicos)



FONTE: Folha Vitória


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