Sequestro do pai de Romário quase tirou craque da Copa de 1994; relembre a história


Romário e seu pai Edevair Faria. Foto: Instagram/@romariofaria

Principal estrela da Seleção Brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1994, Romário quase não disputou o torneio que marcou sua carreira. Poucas semanas antes do embarque para os Estados Unidos, o atacante enfrentou um drama familiar que ameaçou sua permanência no elenco comandado por Carlos Alberto Parreira.

Em maio de 1994, o pai do jogador, Edevair de Souza Faria, foi sequestrado no Rio de Janeiro. O crime teve grande repercussão nacional e colocou Romário no centro das atenções em um momento decisivo para a preparação da Seleção Brasileira.

O caso gerou preocupação entre dirigentes, comissão técnica e familiares, já que o atacante chegou a cogitar deixar a concentração para acompanhar de perto as negociações e o desenrolar das investigações.

Dois dias depois do sequestro, os criminosos fizeram o primeiro contato com a família e exigiram o pagamento de US$ 7 milhões para libertar a vítima.

A quantia surpreendeu investigadores e autoridades envolvidas no caso, que consideraram o pedido incompatível com os padrões desse tipo de crime e avaliaram que a ação demonstrava falta de planejamento por parte dos sequestradores.

O sequestro teve um impacto profundo sobre Romário. Em meio à angústia pela situação do pai, o atacante chegou a colocar em dúvida sua participação na Copa do Mundo. Em entrevista a um jornal espanhol, fez uma declaração que repercutiu dentro e fora do Brasil:

“Ou meu pai aparece ou não irei ao Mundial”, afirmou Romário, então atacante do Barcelona, da Espanha.

A frase ganhou destaque nos principais noticiários esportivos da época e aumentou a pressão sobre as autoridades responsáveis pelas investigações.

A busca por Edevair mobilizou muito mais do que as forças de segurança. Em depoimento anos depois para a série documental Romário – O Cara, da HBO Max, o ex-atacante revelou que pessoas próximas acionaram diferentes contatos na tentativa de localizar o pai o mais rápido possível.

Segundo Romário, houve buscas em diversos círculos da sociedade carioca, inclusive entre figuras influentes do submundo do crime.

“Pessoas ligadas a mim falaram com traficantes, policiais, vagabundos, com a p*rra toda. Eu queria meu pai em casa”, relatou o ex-jogador, ao relembrar o desespero vivido pela família durante o período do sequestro.

Como aconteceu o sequestro

Edevair foi levado por criminosos que exigiam pagamento de resgate para libertá-lo. O sequestro ocorreu em um período de forte crescimento desse tipo de crime no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro.

A situação mobilizou as forças de segurança e ganhou destaque nos principais veículos de comunicação do país. Durante os dias de tensão, Romário viveu uma rotina dividida entre a preparação para a Copa do Mundo e a angústia pela segurança do pai.

De acordo com relatos da época, a enorme repercussão do caso fez com que a busca por Edevair extrapolasse os canais oficiais de investigação.

O sequestro ganhou tamanha visibilidade que diferentes grupos, incluindo pessoas ligadas ao crime, passaram a tentar obter informações sobre o paradeiro da vítima e dos responsáveis pelo sequestro.

Às vésperas da Copa do Mundo de 1994, o desaparecimento do pai de Romário se transformou em um dos assuntos mais comentados do país, mobilizando a opinião pública e atraindo atenção nacional para o caso.

Libertação trouxe alívio para Romário

Após dias de negociações e trabalho policial, Edevair foi libertado sem ferimentos graves, em um cativeiro em Queimados, na Baixada Fluminense, sem que o resgate fosse pago. O desfecho positivo trouxe alívio para a família e permitiu que Romário voltasse a concentrar suas atenções totalmente na Seleção Brasileira.

Com o pai em segurança, o camisa 11 embarcou para os Estados Unidos e assumiu o protagonismo da equipe brasileira.

Romário foi decisivo no tetracampeonato

Livre da preocupação que o acompanhou nas semanas anteriores ao Mundial, Romário teve uma atuação histórica na Copa de 1994.

O atacante marcou cinco gols na competição e formou, ao lado de Bebeto, uma das duplas mais emblemáticas da história da Seleção Brasileira. Seu desempenho foi fundamental para encerrar um jejum de 24 anos sem títulos mundiais.

Na decisão contra a Itália, disputada em Pasadena, o Brasil conquistou o tetracampeonato nos pênaltis após empate sem gols no tempo regulamentar.

O pai de Romário anos morreu anos depois, no dia 22 de maio de 2008, aos 77 anos, de um quadro de infecção generalizada após passar dias internado em um hospital no Rio de Janeiro.

*Com informações do jornal Correio



FONTE: Folha Vitória


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