Quem era Raquel Zambom, jovem promessa capixaba da natação paralímpica


Raquel Zambom tinha 17 anos. Foto: Equipe ACPD

Um sorriso foi suficiente para marcar a memória do treinador Leonardo Miglinas. Foi assim que ele se lembra do primeiro encontro com Raquel Zambom, adolescente capixaba que morreu aos 17 anos, na noite de quarta-feira (4).

Na época, a jovem ainda estava descobrindo as possibilidades que o esporte poderia oferecer. Ao saber que havia um treinador com experiência na natação paralímpica em uma competição escolar, ela foi procurá-lo, animada com a oportunidade de começar uma nova trajetória.

Raquel não demorou a mostrar que tinha potencial. Depois de ingressar na equipe da Associação Capixaba Paralímpica de Desporto (ACPD), passou a participar de competições e conquistou uma medalha logo no primeiro ano.

No ano seguinte, foi chamada para o Camping Paralímpico, iniciativa do Comitê Paralímpico Brasileiro voltada a jovens atletas que se destacam nas Paralimpíadas Escolares.

Uma menina doce que encontrou novas possibilidades no esporte

(Foto: Equipe ACPD)

A aproximação com a natação aconteceu depois de uma experiência difícil. Em 2020, ainda criança, Raquel foi diagnosticada com sarcoma de Ewing, um tipo raro de câncer que atingiu a coxa direita.

Após passar por quimioterapia e uma cirurgia para retirada do tumor, ela ficou com uma deficiência na perna, consequência da remoção de mais de 90% da musculatura da região.

Foi nesse contexto que a natação passou a fazer parte de sua vida. Mais do que uma atividade esportiva, a modalidade abriu espaço para que Raquel descobrisse novas habilidades, participasse de competições e enxergasse outras possibilidades para o futuro.

O desempenho nas Paralimpíadas Escolares chamou a atenção. A medalha conquistada logo na primeira participação foi seguida pelo convite para o Camping Paralímpico, que levou a jovem a São Paulo e representou mais uma etapa importante em sua formação como atleta.

Raquel era considerada uma menina tranquila, doce e educada, além de conversar com todos ao seu redor. A maneira como se relacionava com as pessoas era uma das características que mais chamavam a atenção.

“Cativou todos nós”, diz professora

Stephany Castro Rocon, professora e mentora de Raquel, que acompanhava a atleta em todas as competições, se lembra da jovem como uma menina doce e que cativou professores e colegas assim que chegou ao clube para treinar.

Segundo a professora, apesar de conviver com dores constantes, Raquel nunca se deixou abalar e sentia orgulho de representar o Espírito Santo em competições nacionais.

“Tivemos a oportunidade de ficar uma semana em São Paulo representando a comissão capixaba de natação e ela encantava a todos, fazia amizade de forma muito natural, então estar ali foi maravilhoso para ela”, contou.

Por conta de sua dedicação ao esporte, os resultados apareciam com frequência na trajetória de Raquel.

De acordo com a professora, o talento dela para a natação era nítido e diversos colegas e orientadores enxergavam seu potencial.

Os resultados apareceram. Ela conseguiu medalhas e tinha muito potencial na modalidade, todos viram isso, logo identificaram e nós sabíamos.

Stephany Castro Rocon, professora de Raquel

Stephany conta ainda que mesmo no fim, com o retorno da doença, Raquel não se abalou e se manteve firme até o final.

Para a professora, o que fica é a lembrança da atleta como uma jovem forte e com gratidão à vida.

“Mesmo lidando com as dificuldades, com as dores físicas, ela não reclamava. Era muito grata, uma adolescente com uma religiosidade muito forte, uma pessoa de fé. Essa luz nós enxergávamos de forma muito clara”, disse.

Uma trajetória interrompida, mas que deixou lembranças

Quando começava a construir seu caminho no esporte, Raquel voltou a enfrentar complicações relacionadas ao câncer. Em janeiro de 2024, durante um treinamento, os sintomas reapareceram. Os exames identificaram uma metástase no mediastino, região do tórax em que uma cirurgia apresentava alto risco.

Naquele momento, a família buscou alternativas de tratamento, incluindo a protonterapia, que seria realizada na Espanha. A possibilidade de seguir na natação e de desenvolver a carreira esportiva, que começava a ganhar forma, acabou interrompida pelas complicações de saúde.

A morte de Raquel foi comunicada pela família nas redes sociais. A Secretaria de Estado de Esportes e Lazer (Sesport) também lamentou a perda e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e à comunidade da natação paralímpica.

Na nota, a Sesport se solidarizou com familiares e amigos da paratleta, além de relembrar a trajetória da jovem no esporte.

Veja a nota na íntegra

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Esportes e Lazer (Sesport), manifesta profundo pesar pelo falecimento da nadadora paralímpica capixaba Raquel Zambom, de 17 anos, ocorrido na noite da última quarta-feira (4).

Raquel construiu uma trajetória marcada pela superação, dedicação e amor ao esporte. Diagnosticada em 2020 com um tipo raro de câncer, o Sarcoma de Ewing, localizado na coxa direita, a jovem passou por sessões de quimioterapia e por uma cirurgia que comprometeu os movimentos da perna direita.

Após o tratamento inicial, encontrou na natação paralímpica uma nova oportunidade e passou a se dedicar à modalidade, participando de competições e conquistando resultados expressivos.

Em 2023, Raquel representou o Espírito Santo nas Paralimpíadas Escolares, uma das principais competições esportivas do País voltadas a jovens com deficiência. Na ocasião, conquistou duas medalhas: prata nos 50 metros livre e bronze nos 100 metros livre, ambas na categoria B – S10.

Seu desempenho também lhe rendeu destaque no cenário paralímpico e a oportunidade de participar do Camping Paralímpico, promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Em janeiro de 2024, durante um período de treinamento, a atleta voltou a apresentar complicações relacionadas à doença, sendo diagnosticada com metástase no mediastino. Desde então, precisou interromper sua trajetória nas piscinas para se dedicar ao tratamento.

Neste momento de profunda tristeza, a Sesport se solidariza com familiares, amigos e toda a comunidade esportiva capixaba, especialmente da natação paralímpica. Que as lembranças de sua história, sua determinação e sua passagem pelo esporte permaneçam vivas.



FONTE: Folha Vitória

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