Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, é preso após impeachment
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso na noite desta sexta-feira (6), em Assunção, após o Senado aprovar por unanimidade seu impeachment e retirar sua imunidade política. A detenção ocorreu por ordem da Justiça, segundo a imprensa paraguaia.
Peña havia sido destituído do cargo horas antes pela Câmara Alta. Antes do fim da sessão, ele apresentou uma renúncia ao Congresso, mas o pedido não foi aceito pelos parlamentares.
Segundo a Justiça, há indícios de abuso de confiança e outros crimes praticados pelo ex-presidente no escândalo envolvendo o Ueno Bank. A Polícia Nacional o deteve em casa, na capital paraguaia.
O Ministério Público passou a investigar Peña após parlamentares da oposição apresentarem uma denúncia. Eles acusaram o então presidente de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude administrativa.
Crise no Ueno Bank
Eleito presidente em 2023, Peña, de 47 anos, foi acionista de uma empresa ligada ao Ueno Bank até março de 2025. Após ele assumir o governo, a instituição recebeu cerca de US$ 850 milhões — aproximadamente R$ 4,5 bilhões — em depósitos de órgãos públicos.
O Banco Central do Paraguai dissolveu o banco na última terça-feira (3), após considerar a instituição insolvente, ou seja, sem recursos para honrar seus compromissos financeiros. A autoridade monetária suspendeu as operações e iniciou um procedimento de resolução da instituição.
As apurações também envolvem suspeitas sobre a gestão do banco e empréstimos concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador, que poderiam ter comprometido o patrimônio da instituição. O Ministério Público pediu a abertura de uma investigação criminal e a prisão de dirigentes.
Carlos Carvallo, presidente do Banco Central desde 2023, renunciou ao cargo durante a crise. Antes de comandar a autoridade monetária, ele presidiu o Ueno Bank.
Mensagem antes da decisão
Antes da conclusão da sessão no Senado, Peña publicou uma mensagem de despedida nas redes sociais. Ele afirmou que decidiu renunciar para evitar novos danos ao país e que sua permanência no cargo poderia ampliar a divisão e a instabilidade política.
“Apresentei minha renúncia para evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai. Não quero que minha presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu destino pessoal”, escreveu.
Na publicação, o ex-presidente também disse reconhecer a preocupação da população diante da crise. “Despeço-me com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que hoje esperam respostas”, declarou.
*Com informações do Metrópoles

