PF indicia ex-candidato a vereador por falsidade ideológica

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-candidato a vereador em Vitória, Evandro Figueiredo Boldrine, e seu colaborador, Fabrício Trevisani de Oliveira, por falsidade ideológica eleitoral. Com o crime, os dois teriam usado R$ 6 mil de duas servidoras em campanha nas eleições municipais de 2024.

Eles também são investigados em outro inquérito pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por um esquema de “rachadinha”.

De acordo com o inquérito da Polícia Federal, a dupla teria pressionado uma servidora do gabinete do então vereador Leandro Piquet, presidente da Câmara Municipal à época, a repassar parte de seus vencimentos.

Ela recebia R$ 6.103,27 e era assediada a repassar R$ 1.500,00 via Pix para uma conta laranja. Os valores eram usados irregularmente na campanha de Figueiredo, sem o registro nas prestações de contas à Justiça Eleitoral. Ele não foi eleito vereador nas eleições de 2024.

A vítima havia sido nomeada para o cargo após pedir ajuda de Evandro para conseguir um emprego. Ela chegou a ser alocada em entidades vinculadas à Prefeitura de Vitória antes de compor o gabinete do vereador.

A servidora foi exonerada do cargo depois de dois meses. Segundo a PF, ela se recusou a continuar efetuando os pagamentos à campanha e relatou os fatos ao vereador Piquet, o que teria motivado a exoneração.

Após a exoneração, o ex-candidato indicou outra pessoa para o cargo, parente de Fabrício. Ela também repassou os mesmos valores para os suspeitos, em setembro e outubro de 2024, tendo saído do cargo em novembro, já após as eleições.

A PF concluiu pelo indiciamento de Evandro Figueiredo, apontado como o mentor do esquema, por falsidade ideológica eleitoral. Fabrício Trevizani, colaborador do esquema, foi indiciado pelo mesmo crime, cometido em concurso de pessoas.

O que disseram os envolvidos

Ainda de acordo com o inquérito, o ex-vereador Leandro Piquet, atualmente delegado da Polícia Civil, afirmou que tomou conhecimento da atividade por meio da vítima enquanto ela estava no cargo. Ele atribuiu a exoneração dela a um comportamento “desagregador” no gabinete.

Já Evandro Figueiredo negou exigir os repasses financeiros e atribuiu as acusações a motivações políticas. Ele também afirmou que a segunda pessoa que indicou para o gabinete auxiliou a sua campanha voluntariamente.

De acordo com o ex-candidato, as indicações eram uma “prática do partido”, disponibilizar vagas em gabinetes, para apoiar candidatos. Ele alega que a troca da servidora teria sido motivada pelo fato da primeira indicada ter passado a apoiar outro candidato do partido.

O outro indiciado, Fabrício Trevisani, confirmou que recebeu dois pagamentos no valor de R$ 1.500, feitos por sua parente. Segundo ele, os valores seriam uma retribuição pela ajuda financeira que costumava prestar a ela. Ele ainda disse que usou o dinheiro para pagar um serviço de pedreiro em seu imóvel.

O Folha Vitória tenta contato com os indiciados.



FONTE: Folha Vitória


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