Moraes arquiva pedido de investigação contra Casagrande; entenda
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moares determinou o arquivamento do pedido de investigação feito pela Polícia Federal contra o governador Renato Casagrande (PSB) por uma troca de mensagens com o desembargador federal Macário Júdice.
A PF alegou que havia “ajustes potencialmente criminosos” no diálogo entre os dois. O magistrado está preso desde o final do ano passado, suspeito de ter vazado informações sigilosas de uma operação policial, que investigava o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias..
Na decisão, assinada na quinta-feira (26), o ministro alegou que não havia indício de crime na troca de mensagens.
“Em razão da ausência de indícios mínimos da ocorrência de ilícito penal, determino o arquivamento imediato desta representação, nos termos dos arts. 21, XV, e 231, § 4º, do RISTF, em relação ao governador do Espírito Santo José Renato Casagrande”.
A coluna De Olho no Poder teve acesso à decisão do ministro. Nela, o magistrado afirma que os diálogos não têm relevância “jurídico-penal” e que a indicação da PF de suposta prática de advocacia administrativa não encontra respaldo.
Os diálogos apontados não se revestem da mínima relevância jurídico-penal, a autorizar a instauração de investigação contra o apontado governador. A indicação, pela Polícia Federal, de possível prática de crime de advocacia administrativa, previsto no art. 321 do Código Penal, não encontra respaldo empírico, em virtude de não restar demonstrado nos autos, a partir dos diálogos identificados, que o referido governador tenha, com consciência e vontade (elementos caracterizadores do dolo da conduta), atuado para defender interesses alheios.
Trecho da decisão
O ministro também afirma que “a instauração ou manutenção de investigação criminal sem justa causa constituem injusto e grave constrangimento aos investigados”.
E conclui que “dessa maneira, verifica-se a ausência de justa causa para a tramitação do presente procedimento em relação ao governador do Espírito Santo”.
Em nota, Casagrande afirmou que recebeu com “naturalidade” a decisão de Moraes pelo arquivamento. Ele reforçou que os diálogos com Macário Júdice foram institucionais e republicanos.
“O Governador reafirma que sempre agiu com transparência e que a justiça prevaleceu. Casagrande reafirma seu compromisso com a ética e a legalidade no trato da coisa pública”, diz trecho da nota.
Entenda acusação contra Casagrande
A Polícia Federal apontou que foram encontradas mensagens de WhatsApp de Renato Casagrande a Judice, que indicariam “ajustes potencialmente criminosos”.
Nas mensagens, enviadas em 23 de julho de 2024, Casagrande teria enviado a Júdice uma decisão desfavorável ao prefeito de Montanha, André Sampaio. O governador perguntou ao magistrado se poderia ligar para o colega, relator do caso.
“É só para pedir agilidade e olhar com carinho”, disse o governador em uma das mensagens.

O desembargador, então, se ofereceu para entregar pessoalmente o material ao colega, que morava em um prédio vizinho. Na semana seguinte, envia a Casagrande uma mensagem que dizia: “Está resolvido”.
Meses depois, em novo contato entre os dois, Júdice teria procurado Casagrande para pedir que o governador cedesse um assessor do governo para o Tribunal Regional Federal (TRF-2), onde ele atuava.
A PF afirma que a troca de mensagens entre os dois caracterizaria “troca de favores”, e que seria potencialmente criminosa.
Veja a nota de Casagrande na íntegra
“O Governador Renato Casagrande recebe com naturalidade a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo arquivamento imediato da representação em questão. A decisão judicial confirma o que o Governador já havia reiterado anteriormente: os diálogos mantidos com Macário Ramos Júdice Neto foram estritamente institucionais e republicanos.
O Governador reafirma que sempre agiu com transparência e que a justiça prevaleceu. Casagrande reafirma seu compromisso com a ética e a legalidade no trato da coisa pública.”
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