Mensagens, inteligência e operação na Bahia: como adolescente foi resgatada de cativeiro


Jéssica Bohrer, delegada titular da Delegacia Regional de Barra de São Francisco. Em destaque, região onde ficava o cativeiro em que a adolescente foi encontrada. Fotos: Divulgação/Polícia Civil

A investigação que levou ao resgate de uma adolescente de 16 anos, sequestrada em Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, começou com mensagens enviadas à mãe da vítima. Os trabalhos também contaram com ajuda do setor de inteligência e a integração com a polícia da Bahia para realizar a operação que salvou a vítima do cativeiro.

Segundo a Polícia Civil capixaba, os criminosos encaminharam para mãe da vítima imagens e vídeos da adolescente vendada dentro de um carro e fizeram ameaças enquanto exigiam dinheiro pelo resgate.

A mãe procurou a Delegacia Regional de Barra de São Francisco, e a Polícia Civil passou a negociar diretamente com o sequestrador. A delegada Jéssica Bohrer assumiu o WhatsApp da mãe e se passou por ela durante as conversas, em uma tentativa de ganhar tempo e obter informações que ajudassem a localizar a vítima.

Eu assumi o WhatsApp da mãe da vítima e me passei por ela negociando com o sequestrador na tentativa de ganhar tempo para que pudéssemos identificá-lo e localizar o cativeiro.

Jéssica Bohrer, delegada titular da Delegacia Regional de Barra de São Francisco

Durante as negociações, os criminosos chegaram a exigir R$ 950 mil pelo resgate. A polícia identificou que o interlocutor responsável pelas exigências estava dentro de um presídio em Teixeira de Freitas, na Bahia. A partir dessas informações, as equipes conseguiram avançar na identificação dos envolvidos e chegar ao local onde a adolescente era mantida.

Força-tarefa com a polícia da Bahia

Uma força-tarefa foi montada com a participação da equipe da Delegacia Regional de Barra de São Francisco, da Divisão Antissequestro da Polícia Civil, da Companhia de Ações Especiais da Polícia Militar da Bahia (Caema) e de órgãos da segurança prisional baiana. O cativeiro foi localizado em uma casa no distrito de Posto da Mata, em Nova Viçosa, na Bahia.

“Nós conseguimos localizar dentro de 48 horas onde essa vítima estava e conseguimos identificar o interlocutor que estava fazendo as exigências de resgate. Ele estava pedindo R$ 950 mil”, afirmou Jéssica.

A adolescente foi encontrada dois dias depois de ter sido sequestrada. A Caema entrou no imóvel e resgatou a vítima sem ferimentos. Um dos suspeitos que estava no local entrou em confronto com os policiais e morreu.

No imóvel, os policiais encontraram um carro roubado com placas clonadas, uma quantidade de drogas e a arma usada pelo suspeito durante o confronto. Segundo a delegada, um segundo suspeito teria deixado a residência pouco antes da chegada das equipes, mas ainda não foi possível confirmar se ele fugiu durante a ação ou se havia saído anteriormente.

Foi a Caema que foi responsável por estourar o cativeiro, resgatar essa vítima ilesa. O sequestrador que estava no cativeiro, ele entrou em confronto com a Polícia Militar Baiana.

Jéssica Bohrer, delegada titular da Delegacia Regional de Barra de São Francisco

Três suspeitos presos

A investigação não terminou com o resgate. A partir das informações obtidas durante o caso, a Polícia Civil identificou outros suspeitos de integrar a organização criminosa envolvida no sequestro. Três deles foram presos neste fim de semana durante a Operação Sorte Reversa: duas mulheres em Teixeira de Freitas e um homem em Linhares.

Segundo a Polícia Civil, as prisões são resultado do trabalho de inteligência realizado após o resgate da adolescente. A investigação continua para identificar e responsabilizar outros integrantes da organização criminosa.



FONTE: Folha Vitória


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