Mais de 70 golpes por dia: veja como evitar fraudes na compra de imóveis no ES
O aumento dos golpes imobiliários no Espírito Santo tem acendido o alerta para quem pretende comprar, vender ou alugar imóveis. Entre as fraudes mais comuns estão a atuação de falsos corretores, a venda de imóveis por pessoas que não são proprietárias e a negociação de bens que sequer estão disponíveis para venda.
O problema acompanha o crescimento dos crimes de estelionato no Estado. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o Espírito Santo registra cerca de 27 mil ocorrências desse tipo por ano, média superior a 70 golpes por dia. O levantamento aponta ainda crescimento de 537% desde 2018.
Uma das principais formas de evitar prejuízos é verificar, antes de qualquer pagamento, se o imóvel realmente pertence à pessoa que está conduzindo a negociação. Para isso, os Cartórios de Registro de Imóveis disponibilizam a plataforma RI Digital, que reúne informações sobre mais de 1,4 milhão de propriedades no Estado.
Por meio do sistema, é possível consultar a matrícula do imóvel e solicitar uma certidão digital atualizada. O documento reúne o histórico da propriedade, identifica o proprietário atual e informa se existem pendências, penhoras, indisponibilidades ou outros impedimentos legais que possam comprometer a negociação.
“Os dados constantes no Registro de Imóveis são a fonte oficial para confirmar a titularidade de um imóvel e verificar eventuais restrições ou condições que possam impactar sua negociação”, afirma o presidente do Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (Sinoreg-ES), Marcio Romaguera.
Segundo o sindicato, muitas fraudes acontecem porque compradores confiam apenas em anúncios, contratos particulares ou documentos apresentados durante a negociação, que podem ser falsificados. Em alguns casos, a vítima só descobre o golpe ao tentar registrar a escritura do imóvel.
Casos recentes de falsos corretores e de quadrilhas especializadas em golpes imobiliários mostram o potencial de prejuízo desse tipo de crime. Em uma das operações mais recentes, uma organização criminosa que atuava em seis estados causou perdas estimadas em R$ 12 milhões.
Como se proteger
A orientação é consultar as informações do imóvel diretamente em uma base oficial antes de fechar qualquer negócio. Caso não tenha o número da matrícula, o interessado pode utilizar a plataforma para localizar imóveis vinculados ao CPF ou CNPJ do suposto vendedor.
Com a matrícula em mãos, o próximo passo é solicitar uma certidão atualizada e conferir se o imóvel está realmente registrado em nome da pessoa que está vendendo o bem. Também é importante verificar se existem dívidas, penhoras ou outras restrições que possam impedir a transferência da propriedade.
A recomendação dos especialistas é só avançar na negociação após confirmar todas as informações registradas oficialmente e garantir que não há impedimentos legais para a compra ou venda do imóvel.
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