Justiça nega adiamento e engenheiro acusado de matar professora vai a júri na próxima semana


Foto: Reprodução/TV Vitória

O engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueiras, acusado de matar a esposa, a professora Danielly Benício, de 36 anos, em um apartamento em Jardim Camburi, em Vitória, vai a júri popular na próxima terça-feira (3). A decisão foi proferida nesta terça-feira (27) pelo juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, que negou um pedido da defesa para adiar a sessão.

Os advogados de Patrick solicitaram o adiamento sob o argumento de que a Polícia Civil não teria disponibilizado integralmente os dados extraídos dos celulares apreendidos durante a investigação.

Segundo a defesa, o material fornecido não atenderia a uma liminar concedida anteriormente pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), que trata do acesso aos dados dos dispositivos.

Na decisão, o magistrado afirmou que tomou as providências necessárias para o cumprimento da determinação judicial, incluindo o encaminhamento dos aparelhos celulares para uma extração forense complementar e a solicitação de laudos periciais à autoridade policial.

O juiz ressaltou, porém, que cabe à desembargadora responsável pela decisão no habeas corpus avaliar se a liminar foi cumprida integralmente. Também afirmou que uma eventual suspensão do julgamento por prejuízo à defesa deve ser analisada pelo tribunal de segunda instância.

O magistrado argumentou ainda que o processo reúne um conjunto extenso de provas técnicas, com mais de duas dezenas de documentos periciais, além de pareceres e relatórios elaborados por assistentes técnicos indicados pela própria defesa.

Diante disso, o juiz considerou não haver justificativa suficiente para interromper o andamento do processo e indeferiu o pedido de adiamento.

Relembre o crime 

Danielly Benício foi encontrada morta dentro do apartamento em que morava com o marido no dia 30 de dezembro de 2017. Segundo o Ministério Público, o casal havia tido um desentendimento, motivado por ciúmes do engenheiro.

O laudo apontou que a mulher foi morta dois dias antes de ser encontrada em casa. Além disso, câmeras de segurança do prédio mostraram o marido da vítima indo ao local com um amigo. As cenas flagraram Patrick entrando no apartamento e deixando o amigo do lado de fora.

Segundo a polícia, as cenas na sequência mostram Patrick saindo do local carregando uma mochila. Os moradores do prédio disseram que o relacionamento dos dois era marcado por brigas e reconciliações. 

De acordo com as investigações da polícia, na tarde do dia 29 de dezembro, Danielly e Patrick discutiram. Ele havia desconfiado que a professora estava trocando mensagens com outro homem. Por meio de um aplicativo espião, ele monitorava as conversas da esposa pelo celular e por isso houve uma discussão.

Após a discussão, Patrick deixou o apartamento, mas na mesma noite voltou ao local acompanhado de um parente. Depois de pegar algumas coisas, os dois saíram.

As imagens das câmeras mostraram que o suspeito entrou de novo, sozinho. Dois minutos foram suficientes para cometer o crime, segundo a polícia informou ao longo da investigação.

“Naqueles dois minutos que ele fica sozinho, foram os momentos que ele praticou essa ação violenta contra a vítima”, contou o delegado Janderson Lube, que na época era titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM) e apurou o crime.

Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas as investigações levaram a polícia a decretar a prisão do marido da vítima em janeiro de 2018 e a Justiça aceitar a denúncia em março do mesmo ano. 



FONTE: Folha Vitória


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