Juiz é afastado após beber, fumar e usar bermuda durante sessão virtual do TJMG


Fotos: Reprodução/Redes sociais

Um juiz de direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) foi afastado após aparecer bebendo uma garrafa de vinho, fumando e vestindo bermuda durante uma sessão do 4º Núcleo de Justiça 4.0 (Cível Família) realizada por videoconferência nesta segunda-feira (10).

Um vídeo mostra o juiz Milton Lívio Lemos Salles virando a garrafa que aparenta ser de vinho direto do bico e acendendo um cigarro com um maçarico. Quando fica de pé, é possível ver que ele usa uma bermuda roxa por baixo do blazer. A sessão foi suspensa tão logo percebido o consumo da bebida pelo magistrado.

Depois da sessão, ele ainda divulgou um vídeo dizendo ser vítima de difamação e acusando o TJMG, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes de corrupção.

O juiz lançou suspeitas sobre a aquisição de uma frota de 170 Corolas híbridos. A Corregedoria classificou as denúncias como “genéricas” e “sem provas”.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o corregedor-geral da Justiça de Minas Gerais, Raimundo Messias Júnior, determinaram o afastamento cautelar das funções de Milton Salles.

Milton Lívio Lemos Salles foi afastado por quebra de decoro durante sessão. Fotos: Reprodução/Redes sociais

O corregedor nacional pediu que sua decisão seja analisada pelo plenário do CNJ em sua próxima sessão, marcada para o dia 18. Já o Órgão Especial do TJMG confirmou em menos de 24 horas o afastamento.

Há 36 anos na carreira, Salles disse que “está cansado”. O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, disse que o juiz está “privado do domínio de si e das faculdades exigidas para o desempenho do encargo”.

Não se pode admitir que decisões que afetam direitos e a liberdade dos jurisdicionados sejam proferidas por magistrado que, em ato público de julgamento, revela-se ostensivamente privado do domínio de si e das faculdades exigidas para o desempenho do encargo.

Mauro Campbell Marques

O juiz também teve as credenciais e permissões de acesso aos sistemas suspensas. Para o corregedor, o afastamento preventivo do magistrado possui natureza excepcional, instrumental e provisória.

Segundo uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2020, as mesmas exigências de decoro previstas para as sessões presenciais se aplicam às virtuais, incluindo as disposições sobre vestimenta.

Salles está proibido de fazer uso de veículos oficiais da frota do Tribunal. Por uma questão de “segurança institucional”, o corregedor mandou expedir ofício à Polícia Federal e ao Exército comunicando a suspensão imposta a Salles do direito ao porte e registro de arma de fogo.

Milton Lívio Lemus Salles atua na segunda instância do Judiciário mineiro, auxiliando desembargadores, desde 2024. Ao longo da carreira, passou por diferentes comarcas do estado, entre elas Brumadinho, Araçuaí e Montes Claros. Também foi titular da 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte.

*Com informações da Record Minas e Estadão



FONTE: Folha Vitória


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