“Irmãos de sangue”: Fabi Justus conhece pela primeira vez o homem que salvou sua vida; encontro acontece na renovação de votos
Fabi Justus escolheu a renovação dos votos de casamento para celebrar não apenas os 15 anos de união com Bruno Levi D’Ancona, mas também o tratamento contra a leucemia e a nova fase vivida pela família.
Entre os convidados da comemoração realizada em Itacaré, na Bahia, estava Nathan, o doador de medula óssea que possibilitou o transplante da influenciadora. Apesar de já conversarem por mensagens e chamadas de vídeo, os dois nunca tinham se encontrado pessoalmente.
Primeiro encontro aconteceu antes da cerimônia
Nathan viajou dos Estados Unidos acompanhado da esposa, Maisie, para participar das comemorações. O primeiro encontro presencial com Fabi aconteceu na sexta-feira (21), durante um evento que antecedeu a renovação dos votos.
O momento foi registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais. Nas imagens, Fabi recebe o casal e apresenta Nathan às pessoas que estavam na celebração.
“Eu conheci o anjo que salvou a minha vida”, escreveu a influenciadora ao publicar o encontro.
Segundo Fabi, os dois já mantinham contato à distância, mas o abraço na Bahia foi a primeira oportunidade de estarem frente a frente desde o transplante realizado em 2024.
“Deus nos uniu e hoje somos irmãos de sangue”, afirmou.
Doador participou da renovação dos votos
A cerimônia principal aconteceu no sábado (22) e marcou os 15 anos de casamento de Fabi Justus e Bruno Levi D’Ancona. O casal está junto há quase 23 anos.
Nathan e a família participaram da celebração como convidados especiais. Durante o evento, ele discursou diante dos familiares e amigos do casal e falou sobre a decisão de se cadastrar como doador de medula óssea.
Segundo o relato compartilhado pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, a Abrale, Nathan explicou que não imaginava que o cadastro feito anos antes teria um impacto tão grande na vida de outra pessoa.
Ele contou que recebeu o contato sobre a possível compatibilidade enquanto trabalhava. Naquele momento, não sabia quem era o paciente e tampouco que a doação o levaria, anos depois, a participar de uma celebração familiar no Brasil.
Ao observar Fabi cercada pelas pessoas próximas, Nathan disse ter compreendido que a decisão não havia atingido somente a vida da receptora, mas também a família, os amigos e todos que acompanharam o tratamento.
O vídeo do encontro foi compartilhado pela Abrale, da qual Fabi é embaixadora.
Diagnóstico de leucemia veio em 2024
Fabi Justus recebeu o diagnóstico de leucemia mieloide aguda em janeiro de 2024. A doença começa na medula óssea e interfere na produção normal das células do sangue.
Durante o tratamento, a influenciadora passou por sessões de quimioterapia e recebeu a indicação para realizar um transplante de medula óssea.
A busca identificou Nathan como um doador compatível. Como ocorre nos transplantes feitos com doadores não aparentados, a identidade dele foi inicialmente mantida sob sigilo.
O procedimento foi realizado ainda em 2024. Desde então, Fabi passou a compartilhar etapas do tratamento, períodos de internação e a recuperação nas redes sociais.
Quando decidiu renovar os votos, a influenciadora explicou que pretendia comemorar o casamento, a família construída com Bruno e a oportunidade de viver aquele momento depois da doença.
Nathan já havia sido convidado como presença de honra, mas Fabi ainda não sabia se ele conseguiria viajar ao Brasil. A confirmação tornou possível o encontro aguardado desde que eles passaram a conversar.
Por que encontrar um doador compatível é tão difícil?
A compatibilidade para o transplante de medula óssea está relacionada a características genéticas identificadas por exames de histocompatibilidade, conhecidos como HLA.
Irmãos do mesmo pai e da mesma mãe podem ter maior possibilidade de compatibilidade, mas muitos pacientes não encontram um doador adequado dentro da própria família. Nesses casos, a busca é feita em registros nacionais e internacionais.
No Brasil, esse trabalho é realizado pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea, o Redome, gerenciado pelo Instituto Nacional de Câncer.
Os dados genéticos dos voluntários são comparados com os de pacientes que precisam do transplante. Quando surge uma possível compatibilidade, o doador é localizado e passa por novos exames antes da confirmação.
O Redome reúne mais de seis milhões de pessoas e é considerado o terceiro maior registro de doadores voluntários do mundo. A busca também pode alcançar bancos de mais de 50 países, ampliando as possibilidades para pacientes que não encontraram alguém compatível no Brasil.
Cadastro não significa doação imediata
Ao se cadastrar, o voluntário não realiza imediatamente a doação de medula. Uma pequena amostra de sangue é coletada para identificar as características genéticas que serão incluídas no Redome.
O contato pode acontecer anos depois ou nunca ocorrer, já que depende da existência de um paciente geneticamente compatível. Por isso, o registro reforça a importância de manter telefone, endereço e e-mail atualizados.
Foi justamente uma decisão tomada anos antes que permitiu que Nathan fosse localizado quando Fabi precisou do transplante.
O doador permanece no cadastro brasileiro até completar 60 anos, mesmo que tenha ingressado no banco entre os 18 e os 35 anos.
Como se cadastrar para doar medula óssea
Para fazer parte do Redome, é preciso procurar um hemocentro e atender aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde:
- ter entre 18 e 35 anos no momento do cadastro;
- estar em bom estado geral de saúde;
- não apresentar uma condição que impeça a doação;
- levar um documento oficial de identificação com foto;
- assinar o termo de consentimento;
- fornecer uma amostra de aproximadamente 5 ml de sangue para a tipificação HLA.
Se uma possível compatibilidade for identificada, o voluntário será procurado para realizar exames complementares. A doação somente avança depois da confirmação e da avaliação médica.
A lista de hemocentros e as orientações para o cadastro estão disponíveis no site oficial do Redome. Quem já está registrado também deve atualizar os dados sempre que mudar de telefone, endereço ou e-mail, para que possa ser localizado caso apareça um paciente compatível.
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