Flamengo entra com pedido no STF contra fim das bets no Brasil
O Flamengo foi o primeiro clube a ingressar em uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que contesta a Medida Provisória (MP) que proibiu as bets no Brasil. O clube pediu para acompanhar a Ação Direta de Inconstitucionalidade movidade pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que pede a suspenão da MP assinada pelo presidente Lula no dia 25 de setembro.
O clube rubro-negro tem acordo com a Betano, que também patrocina o Brasileirão e a Copa do Brasil. O contrato prevê R$ 895 milhões ao longo de 40 meses — R$ 268,5 milhões por mês —, sendo o maior entre os clubes do País.
A intenção do Flamengo é ingressar na ação como “amicus curiae”. A função permite que representantes do clube forneçam informações para a análise do caso e participem de eventuais audiências. É o mesmo movimento que o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) fez também na terça-feira.
Flamengo estima perda de R$ 400 milhões
O argumento do Flamengo é de que o fim dos patrocínios de loterias de aposta de quota fixa provocaria a perda direta do contrato máster.
É estimada uma perda orçamentária entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões para o exercício de 2027, projetando um impacto global de R$ 2,5 bilhões para todo o futebol brasileiro. Os números já haviam sido tornados públicos em falas do presidente rubro-negro, Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
O Flamengo ainda argumenta que a medida do governo federal é um “atentado ao dever constitucional de fomento ao desporto e proibição do retrocesso social” e que a proibição das bets “compromete diretamente o fomento às práticas desportivas e afeta modalidades olímpicas, o futebol feminino e as categorias de base, que dependem do financiamento cruzado das receitas comerciais do futebol masculino”.
Retirada dos patrocínios até o dia 5 de outubro
Há críticas ao prazo para a retirada dos patrocínios, que foi estipulado para 5 de outubro. Para o clube, não é possível cumpri-lo, uma vez que os uniformes foram produzidos com meses de antecedência e mudanças em placas de estádios (como o Maracanã), painéis de LED e transmissões internacionais causariam “danos irreparáveis”.
O Flamengo ainda apela para a insegurança jurídica no fim dos contratos a partir da proibição e diz que a MP gera dúvidas sobre como aplicar as proibições em transmissões de partidas internacionais enviadas a países onde a propaganda é permitida. O argumento da ANJL sobre o risco de a proibição aumentar as plataformas ilegais também é reiterado.
A norma do governo federal proibiu de vez o funcionamento, a propaganda e a oferta de apostas esportivas e jogos virtuais no Brasil, além de cancelar as licenças das empresas que já operavam de forma legalizada
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