Fim de Copa, rumo às urnas: os 90 dias que definirão as eleições no ES
Não deu para o Brasil. Apesar da torcida verde e amarela e da esperança de milhões de meninos e meninas desse País afora, a Seleção Brasileira caiu nas oitavas de final, encerrando sua participação na Copa do Mundo.
Faltou futebol, faltou estratégia, faltou garra e mais uma série de coisas que, se forem expostas aqui, transformarão essa coluna numa análise esportiva. Não é esse o propósito.
Fato é que findada a participação da Seleção Brasileira na Copa, as atenções se voltam agora para um outro jogo: o eleitoral. E o calendário já bate à porta.
Estamos a 15 dias do apito inicial das convenções partidárias que definirão as candidaturas e os palanques eleitorais. Em 40 dias, as campanhas oficialmente tomarão as ruas. E, em menos de três meses, os brasileiros estarão novamente de frente às urnas para as eleições gerais.
Assim como a Seleção teve 90 minutos para definir seu (triste) destino em campo, os eleitores brasileiros terão exatos 90 dias para decidir quem serão os novos ocupantes das assembleias legislativas, do Congresso Nacional e da Presidência da República.
No Estado, porém, algumas definições ainda estão em compasso de espera.
A escalação capixaba: quem vai entrar em campo?
Na disputa pelo Palácio Anchieta, os principais jogadores já estão em campo. O governador Ricardo Ferraço (MDB), o deputado federal Helder Salomão (PT) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) estão em pré-campanha há algum tempo e a tendência é que, a partir de agora, as movimentações ganhem força.
Isso porque os pré-candidatos precisam definir quem os acompanhará na disputa, lado a lado na chapa. Muitos são os cotados, mas ninguém ainda bateu o martelo sobre o nome que ocupará a vaga de vice.
O posto é cobiçado. Do lado governista, partidos aliados como o PDT, Podemos e a federação União Progressista já até apresentaram nomes para o crivo de Ricardo e do governo.
Como Ricardo não poderá disputar um novo mandato em 2030 – caso seja reeleito em outubro – a cadeira de vice se torna ainda mais atraente, já visando a sucessão governamental.
Em entrevista exclusiva para a coluna De Olho no Poder, em maio, o governador chegou a dizer que a decisão sobre o vice não seria pessoal, mas coletiva, após debate com toda a frente ampla que o apoia. E, pelo tom, deve ser tomada apenas nos 45 do segundo tempo.
Do lado de Helder, o deputado hoje conta com o apoio da sua federação – formada pelos partidos PT, PCdoB e PV – e do Psol. O partido da deputada Camila Valadão, porém, também é federado com outro partido, a Rede, e vai precisar ajustar internamente qual rumo irá seguir.
De qualquer forma, é pouco provável que o PT indique o vice e vá para a disputa com uma chapa puro-sangue.
Já no campo de Pazolini, o PSD é o mais cotado – até o momento – para indicar o vice na chapa governamental. Dois nomes se destacam nos bastidores.
PSD é hoje o maior aliado do Republicanos, em peso e estrutura, para as eleições. Porém, a cotação para a indicação de vice ainda não pode ser contada como certeza, porque o Republicanos ainda tenta atrair, para o seu lado, um outro partido de grande porte.
Entra na “repescagem”?
Há um time, ou melhor, um partido, que ainda não definiu se terá candidatura própria ao governo do Estado. Trata-se do PL que, no Espírito Santo, é comandado pelo senador Magno Malta – que também figura como cotado para disputar o cargo de governador.
A decisão, que ainda não tem data para ser anunciada, passa por uma série de fatores. Um deles é a necessidade de construir um palanque para o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido à Presidência da República.
Outro aspecto considerado é o espaço que o PL pretende ocupar na disputa estadual. Magno nunca escondeu que defende protagonismo para os quadros da legenda – postura que já ficou evidente em eleições anteriores, quando o partido optou por lançar chapas puro-sangue, em vez de integrar alianças.
Por isso, caso o PL decida compor uma coligação, a tendência é que o senador reivindique posições estratégicas na chapa majoritária, especialmente a indicação do candidato a vice-governador e de um dos nomes ao Senado. Hoje, a principal aposta do partido para o Senado é Maguinha Malta, filha de Magno.

Chave “S”
Nos próximos dias, deve começar o mata-mata que definirá as prováveis candidaturas ao Senado. Duas vagas estão em jogo e, hoje, ao menos 12 nomes são cotados. Esse número deve afunilar. Por vários motivos.
Primeiro porque uma disputa majoritária custa caro e muitos partidos terão de escolher onde irão investir os recursos: se numa disputa governamental, numa de Senado ou para tentar aumentar a bancada na Câmara Federal – que é o que traz mais retorno financeiro, com recursos de fundos, para as legendas.
Segundo porque dificilmente o Estado terá mais de quatro candidaturas ao governo. Cada um desses palanques apoiará até dois candidatos. Num cenário como esse, ao menos quatro dos hoje pré-candidatos ficarão de fora.
E terceiro porque há mais de um pleiteante num mesmo partido. Embora não haja nenhum impedimento legal para a mesma legenda lançar dois nomes ao Senado, não é estrategicamente inteligente, tendo em vista a política de alianças necessária para a formação da coligação.
Corre o risco da disputa pelo Senado ser ainda mais acirrada do que se projeta a disputa pelo Palácio Anchieta.
A Copa terminou para a Seleção. Para a política capixaba, porém, a partida está apenas começando. São 90 dias até a definição do placar com a abertura das urnas.
Até lá, há muita bola para rolar e campo para correr. Quem será titular e quem ficará no banco de reserva? Qual será a melhor campanha desta temporada? Quem sairá na frente? Terá virada? Vai ser de goleada? Façam suas apostas – menos em bets, por favor!
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