“Era manipulada”: mãe de professora morta em Vitória depõe em julgamento
A mãe da professora Danielly Wandermurem Benício, encontrada morta em um apartamento em Jardim Camburi, Vitória, em 2017, prestou depoimento nesta terça-feira (3), durante o primeiro dia do julgamento do engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueiras, acusado de matar a esposa.
Ela relatou como era o relacionamento do casal e afirmou que a filha era usada e manipulada pelo marido. As informações são da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória, que acompanha o júri popular no Fórum Criminal de Vitória.
A mãe de Danielly foi ouvida durante a tarde, após o início dos depoimentos das testemunhas de acusação e defesa.
O julgamento também teve a dispensa de 11 testemunhas, sendo seis pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) e cinco pela defesa do engenheiro. Durante a manhã, foram sorteados os sete jurados que vão decidir o caso: quatro homens e três mulheres.
A primeira testemunha ouvida foi o perito responsável pelo laudo do local onde Danielly foi encontrada morta. Após o depoimento da mãe da professora, aconteceu a oitiva do diretor da escola onde a vítima trabalhava.
O juiz responsável pelo julgamento proibiu as testemunhas de conceder entrevistas à imprensa. Com isso, familiares de ambos os lados que participam do processo como testemunhas não poderão falar com os jornalistas durante o júri.
Patrick responde por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe e feminicídio. O engenheiro é julgado quase nove anos após a morte da professora, que tinha 36 anos. Ele responde ao processo em liberdade, e a previsão inicial é de que o julgamento dure de cinco a sete dias.
Diretor de escola destaca trajetória da professora
O diretor da escola onde Danielly Benício trabalhava na época em que foi encontrada morta também prestou depoimento nesta terça-feira (3). Durante o julgamento, ele afirmou que a professora era uma excelente profissional e muito querida pelos alunos.
A equipe da escola descreveu Danielly como uma pessoa muito feliz. Por isso, os profissionais da instituição teriam estranhado quando receberam a notícia de que ela teria tirado a própria vida.
A hipótese de suicídio foi levantada inicialmente após a morte da professora, mas acabou sendo contestada pelas investigações, que levaram o marido dela a responder por homicídio qualificado.

Acusação aponta ciúmes como motivação do crime
Segundo o Ministério Público, Danielly foi assassinada pelo marido após uma discussão motivada por ciúmes. A investigação apontou que Patrick monitorava as conversas da esposa por meio de um aplicativo espião e desconfiava que ela estivesse trocando mensagens com outro homem.
De acordo com a polícia, o casal discutiu no dia 29 de dezembro de 2017. Patrick deixou o apartamento, mas retornou ao imóvel naquela noite acompanhado de outra pessoa. Imagens de câmeras de segurança registraram o engenheiro entrando novamente na residência, desta vez sozinho.
A investigação aponta que ele permaneceu cerca de dois minutos no apartamento, período em que, segundo a acusação, teria cometido o crime. O promotor de Justiça Rodrigo Monteiro sustenta que as provas demonstram que Danielly foi assassinada.
A defesa, por outro lado, nega que Patrick tenha matado a esposa. O advogado Marcos Daniel Vasconcelos Coutinho argumenta que o engenheiro não teria tempo suficiente para cometer o crime e deixar o local sem vestígios de sangue nas roupas ou no corpo.
Defesa sustenta hipótese de queda
Inicialmente, Patrick afirmou que Danielly havia tirado a própria vida. Posteriormente, a defesa passou a sustentar que a professora teria sofrido uma queda após o consumo de medicamentos e bebida alcoólica. O Ministério Público contesta essa versão.
Segundo a acusação, as lesões identificadas no corpo da professora, incluindo ferimentos no rosto, não seriam compatíveis com uma queda da própria altura.
A defesa também argumenta que Danielly teria utilizado o celular depois que Patrick deixou o apartamento. Os advogados afirmam que registros do aparelho indicariam movimentações em aplicativos de mensagens após a saída do engenheiro.
Antes do início do júri, a defesa tentou adiar o julgamento, alegando que não havia recebido integralmente os dados extraídos dos celulares apreendidos durante a investigação. Também solicitou uma nova perícia para produzir cópias forenses dos aparelhos e cartões de memória.
Os pedidos foram negados pela Justiça. Na decisão mais recente, a desembargadora Rachel Durão Correia Lima, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), considerou que a determinação anterior garantia acesso aos elementos técnicos existentes, mas não obrigava o Estado a realizar novas perícias.
Relembre a morte de Danielly
Danielly Wandermurem Benício foi encontrada morta em 30 de dezembro de 2017, no apartamento onde morava com Patrick, em Jardim Camburi, Vitória.
Segundo as investigações, o casal havia discutido após o engenheiro desconfiar de mensagens trocadas pela professora com outro homem.
Câmeras de segurança do prédio registraram a movimentação de Patrick no imóvel na noite anterior à descoberta do corpo.
O caso foi inicialmente tratado como suicídio, mas as investigações levaram à prisão do engenheiro em janeiro de 2018. A Justiça recebeu a denúncia contra ele em março daquele ano.
O promotor Rodrigo Monteiro afirmou, antes do início do julgamento, que o Ministério Público pretende pedir uma pena próxima de 30 anos de prisão caso Patrick seja condenado.
O júri continua com os depoimentos das testemunhas. Após essa etapa e os debates entre acusação e defesa, caberá aos sete jurados decidir sobre a responsabilidade criminal do engenheiro.
*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record.
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