Dupla ex-Coritiba é campeã na Jordânia, mas não fatura título
O técnico Ney Franco e o preparador físico Robson Gomes, profissionais com passagens de destaque pelo Coritiba, tiveram o trabalho interrompido no Al Hussein, da Jordânia, dias antes da confirmação do título nacional. Além dos dois, a comissão técnica brasileira ainda tinha o auxiliar Thiago Larghi, ex-treinador de Atlético-MG e Goiás.
Os três chegaram ao Al Hussein no início da temporada 2025/2026, em agosto do ano passado. Com eles, o time estava com o título praticamente certo do Campeonato Jordaniano e chegou até as quartas de final da Champions League Two da Ásia, a segunda principal competição de clubes.
No entanto, dias antes do jogo que poderia confirmar a campanha vitoriosa, o trio brasileiro foi demitido de maneira surpreendente, no final de abril, e com uma campanha de 23 jogos, 17 vitórias, três empates e três empates. Após a saída deles, o Al Hussein jogou apenas mais duas partidas e levantou o troféu.
O preparador físico, que hoje está no Atlético-GO, não escondeu a decepção, mas se sente campeão junto com os companheiros de comissão. “A decepção foi grande por estarmos há dois dias de um jogo único das quartas da Copa e há cinco dias de enfrentarmos uma equipe rebaixada e se nós ganhassemos, poderíamos ser campeões com antecedência do campeonato da Jordânia. E há 12 dias da conquista se não fosse campeão antes”, lamentou, em entrevista ao UmDois Esportes.
“Ao mesmo tempo que a decepção foi grande, sabemos que o trabalho foi desenvolvido para esse objetivo. Todas as pessoas falaram que a conquista foi da comissão técnica comandada pelo Ney, pelo Thiago e pelo Robson. Nós trabalhamos em 90% da competição. Ao mesmo tempo que não pegamos as medalhas, ficamos felizes por tudo que aconteceu. Fazemos parte desta conquista e somos os legítimos campeões. Foi um privilégio ter trabalhado lá, sabemos das dificuldades durante o trajeto, e que iríamos amadurecer ao longo da competição”, destacou o preparador físico.
“Agradecemos a oportunidade de conhecer o país, poço de cultura fantástico e todos os ingredientes para continuar nesta boa caminhada não só de evolução como país, mas no futebol. Vou estar sempre na torcida pela Jordânia e torcer para que chegue o mais longe possível na Copa do Mundo”, finalizou Gomes.
Trabalho com convocados para a seleção da Jordânia na Copa do Mundo
A torcida pela Jordânia não é apenas por ter vivenciado de perto a classificação de uma das estreantes para a Copa do Mundo. Robson Gomes trabalhou com oito jogadores que jogam a Copa do Mundo pela Jordânia e destacou dois deles: o goleiro Yazeed Abu Laila e o atacante Mahmoud Al-Mardi.
“Foi um privilégio trabalhar com oito dos 26 convocados. Isso tudo graças ao trabalho desenvolvido pelo Ney Franco e o Thiago Larghi durante as competições que disputamos. Fomos campeões do campeonato da Jordânia, da Copa da Jordânia pela primeira vez e até as quartas de final da Copa da Ásia. Os beneficiados foram os atletas, oito convocados para a seleção, e cria um mecanismo necessário por ter mais de meio time pronto para atuar”, afirmou.
“Posso destacar o goleiro Abu Laila, com sua experiência fora do país, uma liderança e qualificação técnica, e o Al-Mardi, que entrou no segundo tempo do primeiro jogo, e deve ser utilizado desde o início contra a Argélia. É um jogador coringa e faz gol, muito interessante a característica ofensiva e defensiva”, destacou o atual preparador físico do Atlético-GO.
Além dos ex-companheiros, o preparador físico apontou outros nomes para o torcedor brasileiro acompanhar. Um deles é o jovem atacante Odeh Fakhouri, do Pyramids, do Egito. “Quem chama atenção que não trabalhei são o Al-Taamari, considerado o principal jogador, e o Ali Olwan, um meia-atacante que chega e pisa na área e sabe finalizar. Foi o que aconteceu no primeiro jogo, onde fez o gol. E outro que tem um futuro brilhante é Odeh Fakhouri, de apenas 21 anos e que trabalhou conosco. Talvez seja a primeira Copa dele, meio verde ainda, mas coloco nos padrões. A partir do momento que adquirir experiência internacional, vai ser um dos principais jogadores da história da Jordânia”, opinou.
Expectativa para o jogo da Jordânia contra a Argentina de Lionel Messi
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Após a derrota na estreia para a Áustria por 3 a 1, a Jordânia, uma das estreantes na Copa do Mundo, busca os primeiros pontos no confronto com a Argélia, na madrugada de segunda para terça, à 0h (no horário de Brasília). A seleção asiática precisa pontuar para seguir com chance de classificação para a segunda fase.
O curitibano sabia que os jordanianos teriam dificuldades contra os austríacos, e espera o mesmo diante da Argentina, mas confia em um resultado positivo no clássico com a Argélia. “Acompanhamos de perto toda o envolvimento do país para a Copa do Mundo. Nós sabíamos que por ser a primeira vez da participação da Jordânia, ela teria dificuldades, principalmente em uma competição tão expressiva como essa. Essa dificuldade ficou demonstrada em um primeiro momento contra a Áustria”, avaliou.
“Nos bolões que participei coloquei como derrotas para Áustria e Argentina, e empate com a Argélia. O jogo com a Argélia já é um clássico árabe e isso acaba tendo um envolvimento diferente. Áustria e Argentina estão na frente da seleção da Jordânia. Torcer para que contra a Argélia, a Jordânia tenha uma expectativa de vitória para surpreender contra a Argentina. Mas acho bem difícil essa situação, não pela qualidade dos atletas, mas por ser a primeira participação na Copa do Mundo”, destacou o curitibano.
O último jogo da Jordânia na fase de grupos é contra a Argentina, atual campeã e considerada uma das favoritas ao título mais uma vez, no sábado (27), às 23h (horário de Brasília). Será o primeiro jogo de Lionel Messi após se tornar o maior goleador da história da Copa do Mundo, com 18 gols, sendo cinco em apenas dois jogos contra Argélia e Áustria.
Sabendo da dificuldade de enfrentar os argentinos e, principalmente, Messi, os jordanianos tiveram sentimentos distintos após o sorteio da chave. “O país estava efervescente com a possibilidade de classificação para a Copa do Mundo. Era feriado em dia de jogo da Jordânia. Todos se encontravam em diversos lugares para assistir aos jogos, e era uma festa”, falou.
“No sorteio da Copa, em um primeiro momento, eles vibraram por estar no grupo da Argentina, uma das candidatas ao título. Mas depois, caíram na realidade que a Argentina teria uma das vagas no grupo. O país vibrou muito, e em todos os lugares só se fala na seleção da Jordânia e da evolução do futebol por lá”, afirmou o curitibano.
Independente do resultado final na Copa do Mundo, Gomes acredita que a Jordânia vai tirar muitas lições para seguir evoluindo no futebol. “Essa primeira vez vai fazer com que as pessoas levem o futebol com mais profissionalismo na Jordânia. Essa motivação aconteceu. Uma curiosidade é que todos os times treinam em grama sintética e jogam em grama natural. Vai ter um momento que as equipes vão ser obrigadas a ter CTs e treinar em grama natural para competir em grama natural”, disse.
“80% dos jogadores convocados trabalham na Jordânia e treinam em grama sintética. Esse é um outro detalhe que cabe perfeitamente na evolução do futebol da Jordânia, uma vez que vai se tornar corriqueira a classificação para as Copas futuras”, complementou.
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