Cartas com advogado revelam ordens de traficantes: “Não deu bom”
Cartas apreendidas com o advogado Wesley Guedes, preso em uma operação que mira facções criminosas no Espírito Santo, mostram mensagens e ordens de traficantes que estão na cadeia e que foram repassadas a comparsas em liberdade.
Wesley foi apontado como intermediador da comunicação entre criminosos e foi preso junto de outras oito pessoas, incluindo o ex-comandante da Guarda Municipal de Vila Velha, Iuri Souza Silva, e os advogados Bárbara Bastos e Arlis Schmdit.
Obtido de forma exclusiva pela TV Vitória/Record, todo o material foi apreendido com Wesley, que foi localizado em Cariacica. Nos bilhetes foram encontradas regras de divisão e venda de drogas, além de recados trocados entre criminosos.
Em uma das cartas, um dos traficantes diz a um comparsa: “O ritmo não é o mesmo porque os policias não deixam a gente vender”, referindo-se à venda de drogas dentro do presídio.
O criminoso chega a falar ainda sobre vendas em bocas de fumo comandadas pela facção. Ele afirma que os negócios não foram satisfatórios.

“Precisamos voltar o mais rápido possível, foi muito gasto. O lucro não deu bom”, afirma no bilhete.
Além disso, chega a dizer que “resolveria uma situação ainda esta semana” e que havia avisado a outro criminoso para “fechar a boca e não mandar advogado para dar recado”.
Operação Telic
Wesley, Iuri, Bárbara e Arlis foram presos na “Operação Telic”, deflagrada pelo Ministério Público do Espírito Santo.
A operação revelou uma rede de investigados entre agentes públicos e advogados suspeitos de atuar em favor de uma facção criminosa na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha.
Segundo o MPES, Iuri é apontado como peça-chave na investigação, com indícios de envolvimento direto com a organização criminosa.
Também foram presos os guardas municipais Antônio Nélio Jubini e Renato Messias. As investigações do órgão ministerial indicam que eles teriam utilizado suas funções para beneficiar traficantes, repassando informações privilegiadas sobre operações policiais.
Segundo o Ministério Público, há suspeitas de que os guardas simulavam colaboração com forças de segurança, enquanto, na prática, alertavam criminosos sobre ações da polícia.
Os três também são investigados por possível envolvimento direto com o tráfico de drogas, incluindo a revenda de entorpecentes apreendidos em operações e o desvio de dinheiro ligado à atividade criminosa.
Outros presos
Além dos advogados e dos guardas municipais de Vila Velha, a operação também resultou na prisão de outras três pessoas suspeitas de participação no esquema. Os detidos foram identificados como Driele Ferreira, Kaio Salles Bastos e Washington Luiz Machado Junior.
As apurações apontam que o grupo investigado atuava de forma estruturada para favorecer uma facção criminosa que domina parte da Grande Terra Vermelha. Entre os crimes investigados estão tráfico de drogas, organização criminosa, porte ilegal de armas, além de corrupção e vazamento de informações sigilosas.
*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record
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