União Progressista anuncia hoje apoio a Ricardo Ferraço para o governo do ES


A superpoderosa federação União Progressista, formada pelos partidos PP e União Brasil, anuncia oficialmente nesta segunda-feira (23) o apoio ao projeto do Palácio Anchieta para as eleições de 2026.

O grupo político mais cobiçado desta eleição estará no palanque do vice-governador e pré-candidato ao governo, Ricardo Ferraço (MDB), e do governador e pré-candidato ao Senado, Renato Casagrande (PSB).

O anúncio está marcado para ser feito na parte da tarde, na sede estadual do PP, e deve contar com a presença dos dirigentes, parlamentares e prefeitos das duas siglas, além de Ricardo, que também foi convidado para participar.

O peso do apoio

Com a maior bancada da Câmara Federal – o que resulta numa fatia considerável do bolo dos recursos destinados a campanhas, além do tempo de TV diferenciado –, a federação se tornou a “noiva” do pleito eleitoral de outubro.

No Estado, ela era cobiçada tanto pelo grupo político de Casagrande, quanto do seu adversário – o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), também pré-candidato ao governo.

O PP, que é o partido com maior peso na federação, faz parte da gestão do Governo do Estado – com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano –, e da gestão da Prefeitura de Vitória, uma vez que elegeu a vice-prefeita, Cris Samorini (PP), que também ocupa a pasta de Desenvolvimento da Cidade e Habitação. Tem, portanto, um pé em cada palanque.

A costura política para que a federação tomasse uma decisão e hoje fechasse com o grupo de Casagrande começou há mais de um ano e envolveu espaço na gestão, apoio ao pleito da Assembleia Legislativa, indicação de nomes para a montagem da chapa federal e participação no debate sobre os espaço das disputas majoritárias.

Mudança na Sedurb

O PP sempre esteve na base de Casagrande. Desde 2010, quando o socialista foi eleito pela primeira vez ao Palácio Anchieta, o partido faz parte da gestão e depois apoiou o governador nas disputas de 2014, 2018 e 2022.

O fiador da aliança, até então, era o presidente estadual da legenda – Marcus Vicente, à época – que comandava uma das pastas mais robustas do governo, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb).

Em 2023, porém, quando Vicente foi destituído e substituído no comando da legenda pelo deputado federal Josias da Vitória (PP) – após uma articulação do deputado que envolveu a cúpula nacional –, a relação entre o governo e o PP chegou a dar uma estremecida.

Isso porque, sob o comando de Da Vitória, o PP começou a se aproximar de adversários políticos do Palácio Anchieta – incluindo Pazolini. A aproximação resultou em apoio ao prefeito na campanha de reeleição, em 2024, e participação em seu segundo mandato.

No início do ano passado, disposto a amarrar o PP na aliança, principalmente para as eleições deste ano, Casagrande se reuniu com Da Vitória e os dois chegaram a um acordo. O primeiro ato foi atender a um pedido do deputado para indicar um nome no primeiro escalão.

Embora Marcus Vicente (PP) continuasse na gestão como secretário, o nome dele não foi indicado e nem chancelado por Da Vitória – quando este passou a presidir a legenda.

O novo dirigente, então, indicou um outro nome para o comando da Sedurb, o que foi aceito pelo governador. Vicente foi exonerado e a permanência do PP na base de Casagrande, assegurada.

Apoio a Marcelo Santos na presidência da Ales

No início do ano passado, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), encampava duas frentes de batalha: uma pelo comando estadual do União Brasil e outra pela permanência na presidência da Assembleia.

Por ter apoiado Pazolini em 2024, Marcelo era visto pela cúpula do Palácio Anchieta com desconfiança, principalmente porque o plano já era Casagrande renunciar para disputar o Senado e Ricardo assumir o governo.

Nesse cenário, tudo que o governador e seu entorno não queriam era ter um Legislativo hostil e que pudesse criar dificuldades ao novo governador.

Marcelo, então, mudou de postura. Começou a falar, publicamente, que apoiaria não só Casagrande mas também Ricardo Ferraço no projeto para 2026, além de garantir, na Ales, a votação e aprovação de todos os projetos do governo.

E além disso, numa jogada estratégica, Marcelo conseguiu intermediar um encontro entre o presidente nacional do União Brasil, Antônio de Rueda, com o governador e o vice, em Brasília. Lá, os capixabas ouviram, do dirigente, a garantia de apoio do partido para 2026.

A contrapartida, entre outras coisas, passava pelo aval do governo à continuidade de Marcelo no comando da Ales. O que foi feito. E, ali, foi selado o apoio do União – que ainda não era federado com o PP – ao projeto do governo do Estado.

A aliança foi confirmada após Marcelo virar o presidente da legenda no Estado.

Contribuição para chapa federal e protagonismo

Numa entrevista para a coluna De Olho no Poder, no início do mês passado, o presidente da Assembleia, Marcelo Santos, falou sobre as condições impostas pela federação para apoiar um projeto ao governo do Estado.

“A colaboração é uma ação importante para se efetivar a parceria com a federação”, disse Marcelo na ocasião, referindo-se a uma ajuda, por parte do governo, na indicação de nomes competitivos para a construção da chapa federal da federação.

Ele chegou a citar o exemplo do Podemos, que contou com o Palácio Anchieta na indicação de secretários e de deputados aliados para a formação da chapa.

O recado era claro: embora os dois partidos (PP e União) integrassem a base e já tivessem dado sinais de simpatia à aliança com o governo, o “casamento” mesmo só viria após um gesto concreto na montagem da chapa federal.

E o gesto veio.

Os deputados federais Amaro Neto e Messias Donato deixaram o Republicanos e se filiaram aos partidos da federação, após uma articulação que contou com as digitais do Palácio Anchieta. Eles são pré-candidatos à reeleição.

Além deles, o secretário estadual da Agricultura, Enio Bergoli, aliado de primeira hora de Ricardo Ferraço, deixou o PSDB para também se filiar à federação (PP) e concorrer à Câmara Federal.

E, na semana passada, Marcus Vicente – que após ser retirado do comando do PP e da Sedurb cogitava deixar a legenda – resolveu permanecer e também reforçar a chapa federal. Aliadíssimo de Casagrande, ele atua na Subsecretaria da Casa Civil do governo do Estado.

Resolvida a questão da chapa federal, a federação também tem a expectativa – assim como outros partidos aliados – de ter um lugar de destaque nos postos majoritários da chapa do governo.

Ainda não há definição sobre um segundo nome que fará uma dobradinha com Casagrande na disputa ao Senado e nem quem será o vice na chapa encabeçada por Ricardo.

Mas a federação está de olho e inclusive já colocou o nome de Da Vitória na mesa, para uma eventual composição.

Um debate que começa a ganhar corpo agora, a partir do anúncio oficial selando a aliança mais esperada do pleito.

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FONTE: Folha Vitória


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