Tia que matou a sobrinha em Cariacica sofria de psicose grave, revela perícia
A perícia psiquiátrica concluiu que Renata Silva Souza, acusada de matar e decapitar a sobrinha Layane das Virgens Souza, de 18 anos, em julho de 2025, em Cariacica, era inteiramente incapaz de compreender o caráter criminoso de seus atos no momento do crime.
O laudo aponta que Renata apresentava um quadro de psicose grave, com delírios persecutórios e alucinações auditivas.
Segundo os especialistas, ela acreditava que familiares planejavam matar seu filho e que Layane fazia parte dessa suposta ameaça.
A conclusão levou o Ministério Público a concordar com o diagnóstico de inimputabilidade, mas a defender que Renata permaneça afastada da sociedade por meio de uma medida de segurança, preferencialmente em um hospital de custódia.
Perícia revelou vestígios do crime dentro da casa
A investigação também detalhou como a perícia criminal reconstituiu o assassinato. Segundo os peritos, Layane preparava uma refeição quando foi surpreendida pelos primeiros golpes de faca. Ela ainda tentou fugir, mas foi alcançada pela tia.
Mesmo após uma limpeza no imóvel, os investigadores utilizaram reagentes químicos capazes de revelar vestígios invisíveis de sangue. As manchas apareceram em diversos cômodos da residência, como sala, cozinha, corredor, banheiro e varanda.

Além disso, uma caixa com manchas de sangue foi encontrada na lixeira, assim como uma calça recolhida para exames periciais. Próximo ao local onde o corpo foi enterrado, uma enxada também apresentou vestígios de sangue.

De acordo com a investigação, após o assassinato, o corpo da jovem foi enterrado em uma cova rasa no quintal da residência. A cabeça foi retirada e descartada em uma lagoa próxima.
Outro elemento apontado pelos peritos foi uma lesão no braço de Renata compatível com uma mordida humana, indicando que Layane pode ter reagido e lutado para tentar sobreviver.
O que diz o laudo psiquiátrico
Durante meses, psiquiatras analisaram prontuários médicos, receitas, histórico de atendimentos e realizaram entrevistas com Renata. Conforme o laudo, ela relatava ouvir vozes e acreditava que pessoas da própria família pretendiam assassinar seu filho.
Em depoimento aos investigadores, Renata afirmou que acreditava que Layane falava mal dela e de seu filho: “A Laiane começou a desfazer do meu filho. Ela ficava falando mal da gente, falando que eu estava doida e eu pensei: ‘meu filho vai morrer, mas ela vai morrer também”.
Em outro trecho, ela contou que interpretou uma ligação telefônica do irmão, pai da vítima, como um sinal de que ele estaria executando o suposto plano contra seu filho.
No dia que tudo aconteceu, minha mãe não estava. Aí essa menina chegou em casa. Meu filho demorou muito para chegar em casa também e eu falei: ‘Pronto, pegaram ele. Ele vai morrer, mas ela vai morrer também.’ O meu irmão, pai dela, ligou lá para casa naquela hora, mas eu nem atendi. Eu estava sozinha com essa Laiane. Aí, com essa ligação, eu achei que era um sinal de que foi meu irmão mesmo que pegou meu filho, que ele ia fazer isso de matar meu filho pra se vingar.
Relatos de Renata Silva Souza.
Com base nesses relatos e na avaliação clínica, os especialistas concluíram que Renata estava em surto psicótico e não possuía condições de compreender a realidade nem de entender a ilegalidade de suas ações.
Segundo o advogado criminalista Rômulo Delai, quando uma pessoa é considerada inimputável pela Justiça, ela não recebe pena de prisão. Nesses casos, é aplicada uma medida de segurança.
“A medida de segurança pode ser tratada de duas formas: por meio de tratamento ambulatorial ou por meio de uma internação, onde ela vai receber todo o atendimento psicológico”, afirmou o advogado.
O Ministério Público defendeu a segunda hipótese. Apesar de concordar com o diagnóstico psiquiátrico, o promotor ressaltou que Renata continua representando risco à sociedade e deve permanecer internada.
Na ausência de vaga em hospital de custódia, a recomendação é que ela continue recebendo tratamento psiquiátrico no sistema prisional.
Pai da vítima rejeita conclusão
O pai de Layane, Lauricio Silva Souza, disse não aceitar a conclusão da perícia psiquiátrica. Para ele, o fato de Renata ter escondido o corpo demonstra que ela tinha consciência do que fazia.
Não concordo. Eu não concordo. Por quê? Porque ela fez isso tudo de cabeça fria. Isso aí não é de gente doente mental. Se ela fosse uma doente mental, ela tinha matado e o corpo tinha ficado ali no mesmo lugar mesmo. Ela demorou muitas horas pra esconder o corpo. À noite, ela tentava cavar um buraco pra poder botar a menina dentro do buraco.
Lauricio Silva Souza, pai de Layane.
Lauricio também disse esperar que a irmã seja responsabilizada pelo crime.
Justiça decidirá o futuro da acusada
Agora, caberá ao Judiciário decidir se acolhe o laudo da perícia psiquiátrica e o pedido do Ministério Público.
Caso a inimputabilidade seja reconhecida pela Justiça, Renata não será condenada a uma pena de prisão, mas poderá ser submetida a uma medida de segurança por tempo determinado conforme avaliações médicas periódicas.
Enquanto a defesa e o Ministério Público sustentam a conclusão técnica dos especialistas, a família de Layane segue contestando o diagnóstico e buscando responsabilização pelo assassinato da jovem de 18 anos.
“Espero que ela seja condenada pelo que ela fez. A morte da minha filha vai ficar em vão? Uma morte tão brutal que ela fez na minha filha”, afirmou o pai de Layane.
*Com informações da repórter Nathália Munhão, da Tv Vitória/Record.
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