Tarcísio diz amar Bolsonaro ao ser oficializado candidato e que faria mais com Flávio presidente


O lançamento da candidatura do governador Tarcísio de Freitas também teve momentos religiosos. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Republicanos oficializou neste sábado, 1º, o governador Tarcísio de Freitas como o candidato do partido à reeleição na disputa eleitoral de São Paulo. Em seu discurso, o chefe do Executivo paulista agradeceu e disse amar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em prisão domiciliar após condenação por golpe de Estado. “Ele tinha genialidade. Ele tinha o carisma que nunca vi igual. Ele me abriu essa porta. Nós amamos Jair Messias Bolsonaro”, disse.

O governador também fez um aceno ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência da República. Tarcísio alegou que não houve apoio do governo federal em São Paulo nos últimos quatros anos e que, com Flávio eleito, poderia fazer mais pelo Estado. Após a prisão do ex-presidente, o governador foi cotado para ser candidato à Presidência, mas acabou preterido por Bolsonaro, que escolheu Flávio como seu herdeiro político.

Muitos apoiadores deixaram o ginásio durante a fala de Flávio, a última antes do discurso de Tarcísio. Durante a fala do governador, mais pessoas deixaram o espaço e era possível ver as arquibancadas vazias naquele que seria o auge do evento, que atrasou em duas horas, tendo início somente às 11h15. Os portões foram abertos à 7h.

Na lista de agradecimentos, o governador deu destaque à sua mulher e, posteriormente, aos partidos que integram a sua coalização: PL, PP, PRB, MDB, PSDN, Cidadania, PRD, Podemos, PSD, Solidariedade, União Brasil, Avante. Outro nome que recebeu atenção especial foi o presidente do Republicanos, Marcos Pereira. “Quero agradecer por ter me aberto a porta lá atrás. Isso aqui é um casamento. Esse partido só está crescendo sob a sua liderança”, disse.

Tarcísio elencou as entregas dos seus quatro anos de gestão e disse que pretende acabar com o racionamento de água em um eventual segundo mandato, defendendo o marco do saneamento básico e a privatização da Sabesp, uma das principais marcas do seu mandato.

Último a discursar, ele se emocionou ao fazer um gesto simbólico e entregar um buquê de flores à primeira-dama, Cristiane Freitas. O eleitorado feminino, que tem sido o calcanhar de Aquiles da direita à nível nacional, também esteve presentes nos discursos anteriores.

Flávio Bolsonaro, em seu discurso, disse que as mulheres serão protegidas “de verdade” caso ele e Tarcísio sejam eleitos. O tema tem aparecido como uma fraqueza na candidatura do filho de Jair Bolsonaro, sobretudo após o embate com a madrasta Michelle Bolsonaro.

Flávio ainda exaltou o governador em sua fala, referindo-se a ele como “um dos ministros mais importantes do governo do presidente Jair Bolsonaro”. “Imagine quantos ‘tarcícios e tarcísias’ não existem no nosso time e vão estar escalados nos Ministérios, nas estruturas do governo federal, para recuperar o governo federal. Enquanto temos ‘tarcísios e tarcísias’, o governo atual tem ‘dilmos e dilmas’, que estão destruindo nossa nação”, alegou em ataque à gestão Lula e à ex-presidente Dilma Rousseff.

Marcos Pereira também dedicou atenção especial às eleitoras e fez questão de afirmar que o Republicanos valoriza suas filiadas. “Aqui no Republicanos mulheres não são cotas. Mulheres são essenciais”, disse.

Tarcísio busca mostrar união da direita paulista

Realizado no Ginásio do Ibirapuera, o evento foi planejado para demonstrar que Tarcísio conseguiu unificar a direita paulista e partidos de centro, montando um palanque com 12 siglas. Como mostrou o Estadão, os principais caciques partidários, como Valdemar Costa Neto (PL), Gilberto Kassab (PSD), Ciro Nogueira e Antonio Rueda (União Brasil) não compareceram, mas as legendas foram representadas por dirigentes e lideranças estaduais.

O governador relembrou que começou a campanha para a eleição de 2022 com apenas nove prefeitos e que agora mais de 600 mandatários municipais o apoiam.

O apoio a Tarcísio, com o palco instalado no centro e ocupado por representantes de todas as siglas de sua coligação, contrasta com a situação de Flávio, que ainda não fechou alianças. Após a federação União Progressista declarar neutralidade, o Republicanos passou a ser uma das últimas esperanças do pré-candidato do PL.

Marcos Pereira chegou a chamar Flávio de “meu candidato a presidente”, mas deixou claro que essa declaração vale apenas no Estado de São Paulo. A tendência é que a legenda fique neutra, apesar do próprio Tarcísio ter se envolvido nas negociações.

A economista Daniella Marques (Republicanos), que assessora Flávio na área econômica também participou da convenção. Filiada ao partido do governador, ela é cotada como possível vice na chapa do PL, mas para isso precisa que as duas siglas fechem uma aliança formal.

Fotos de Flávio e referências à sua candidatura eram escassas na decoração do ginásio e entre os militantes presentes. A reportagem localizou apenas um grupo reduzido com bandeiras amarelas que traziam o pré-candidato do PL ao lado de Tarcísio e de Flávio.

O governador chegou à convenção acompanhado da primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, de Flávio, do seu vice-governador, Felicio Ramuth (MDB), e dos seus candidatos ao Senado na sua chapa: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).

Placas com os dizeres “Juntos com Tarcísio” e “São Paulo na Direção Certa”, slogan do plano do governador para tornar a gestão paulista mais eficiente, foram espalhadas por toda a arquibancada.

Ataques a Haddad

Partiram do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) os maiores ataques ao principal adversário de Tarcísio na disputa, o ex-ministro Fernando Haddad (PT), a quem chamou de um “professorzinho de nariz empinado”.

O atual prefeito disse que o petista perdeu para “brancos e nulos” em 2016, quando disputou a reeleição à Prefeitura. “Depende de nós ganhar no primeiro turno para varrer aquele que foi o pior prefeito da história de São Paulo”, afirmou.

Tarcísio também criticou Haddad citando a derrota na eleição de 2016. Segundo o governador, São Paulo é grande porque o PT nunca governou o Estado. “E não vamos deixar governar”, declarou.

Durante o evento, dois jingles foram tocados. O primeiro é uma reedição da música da campanha de 2022, que agora passa a afirmar “Tarcísio, a gente te leva/Te leva com coragem que o trabalho te espera”. A segunda canção diz que sob a gestão dele “São Paulo é diferente”, “segue em frente” e tem obra para todo lado.

A convenção contou ainda com contornos religiosos, como é praxe em eventos da direita. A banda gospel Renascer Praise cantou louvores antes e depois dos discursos – Tarcísio pegou o microfone para cantar a música de encerramento ao lado do grupo.



FONTE: Folha Vitória


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