Talento do futebol feminino, paranaense joga no clube de Marta e alcança seleção dos EUA


A ida da família para os Estados Unidos, há quase 10 anos, transformou a vida da jovem Lara Tetto de Almeida, 15 anos. Natural de Curitiba, a garota, apaixonada por esporte, viu seus passos no futebol feminino alavancarem no país que é referência na modalidade.

“Eu, desde pequena, sempre quis jogar futebol. Minha mãe tentou me colocar em ginástica, dança, mas eu sempre quis o futebol. Aí quando eu entrei, comecei a jogar em um time misto. No Brasil é mais para meninos. Mas aqui nos Estados Unidos é ao contrário”, explica.

“O futebol sempre foi uma paixão da família. Somos de Curitiba e torcemos pelo Paraná Clube. Sempre fomos ao campo e, desde que a Lara nasceu, ela era nossa companheira, frequentadora dos jogos do Tricolor, entrava com os jogadores no colo, tirou muitas fotos com a Gralha Azul. Então, a paixão pelo futebol sempre existiu. Desde que ela demonstrou o interesse em jogar futebol, eu estimulei, porque sabemos da força do futebol feminino aqui”, conta o pai Leonardo Almeida, que também tentou ser jogador de futebol e hoje apoia a filha.

E a escolha tem dado frutos. A jovem, que começou na liga de desenvolvimento na escola, foi integrada à liga competitiva no FC Highland — inclusive, foi a “jogadora no ano” na última temporada. Atualmente, ela concilia uma rotina pesada de estudos em tempo integral, como os treinos para buscar seu maior sonho: se tornar uma jogadora profissional. E dois passos comprovam que a curitibana está no caminho certo.

Destaque, Lara alcança o Orlando Pride e a seleção norte-americana sub-16

Destra, Lara gosta de atuar na ponta-esquerda para fazer a tradicional jogada de “cortar para dentro e chutar para o gol”. A evolução da jovem foi tanta que o seu treinador, Jeremy Christie, que é um ex-jogador neozelandês, a levou para treinar e jogar pelo Orlando Pride, clube atual de Marta. Lara já teve oportunidade de estar perto da Rainha.

“Ela é uma referência. Ela fala para fazer alguma coisa, todo mundo faz. Ela não sabe falar muito bem o inglês ainda, ela vai falar com as meninas e ainda fala meio português, enrolado. A esposa dela quem ajuda. Marta é bem engraçada, fala alto, daquele jeito bem brasileira. Ela fala o que pensa e é bem espontânea”, comenta.

E as boas atuações no Orlando Pride levaram Lara a alcançar sua primeira convocação para a seleção norte-americana sub-16, em janeiro deste ano. A jovem teve a oportunidade de ficar duas semanas em concentração, na Espanha, para amistosos. A seleção realizou duas partidas contra a Alemanha e uma contra a Bélgica.

“Foi muito leal. Aprendi muita coisa. A gente ganhou um caderno e teve aulas teóricas mesmo. Eles sabiam que todas que estavam ali, tinham qualidade técnica. Então, ensinavam mais coisas do jogo mesmo, passe, posição. Não imaginei que fosse aprender tanto. Agora, eu tento colocar nos meus treinos. Fiz muitas amigas também. Espero ser chamada novamente”, comemora.

Apesar da convocação pelos Estados Unidos, a jovem não descarta um dia buscar a seleção brasileira. O pai ainda destaca que, além das cidadanias americana e brasileira, a jogadora também tem a cidadania italiana, o que amplia possibilidades para o futuro no futebol.

“É muito difícil, eu fico na dúvida, mas, por enquanto, eu estou nos Estados Unidos. Apesar de eu ser brasileira, ter nascido aí e vivido até quase meus sete anos, eu acho que eu tive todo suporte aqui. Eu não cheguei a jogar futebol no Brasil, foi aqui que eu joguei, cheguei em um clube, conheci todas as pessoas que me ajudaram a chegar onde eu estou. Todos estão aqui”, explica.


“Mas, ao mesmo tempo que eu quero devolver todo suporte que os Estados Unidos me proporcionaram, o Brasil é Brasil, né? A camisa, o futebol, tem a emoção que os Estados Unidos não têm”, completa.


Paraná Clube é a paixão da família Almeida

Lara criança na Vila Capanema. (Fotos: arquivo pessoal).

Foi a partir das idas à Vila Capanema com o pai e o avô que a paixão pelo futebol aflorou em Lara. Mas, desde pequena, ela percebeu como a modalidade feminina é pouco valorizada no Brasil.

“No Brasil, eu era bem nova, mas me lembro de uma vez ter perguntado para o meu pai se o Paraná tinha um time feminino. E meu pai disse que não tinha. E disse que só alguns clubes maiores tinham time de meninas. Então, ali eu percebi que era bem diferente. Já aqui é muito forte mesmo. Na escola, tem o time A e o time B. E os amigos e a família apoiam muito mais o feminino aqui”, lembra.

Leonardo conta que, mesmo de longe, a família se reúne para assistir aos jogos do Tricolor em Orlando, na Flórida. Ele sonha poder ver a filha jogar no gramado da Vila algum dia.

“Aqui temos um grupo grande de paranistas em Orlando. Nos reunimos para assistir aos jogos do Paraná, já estamos acompanhando tudo. Meu pai, José Carlos de Almeida, foi conselheiro do Paraná Clube. Antes mesmo do Paraná, nós éramos torcedores do Colorado. Então, foi quando veio a fusão. A gente acompanhou toda a história do Paraná Clube. Infelizmente, como aconteceu em clubes de todo o mundo, a má gestão levou o clube onde está neste momento, mas ainda bem que veio essa SAF”, lamenta.

“Acreditamos e vamos torcer para que o Tricolor volte para o lugar que nunca devia ter saído, que é entre os grandes. Quem sabe um dia, a Lara vá para o Brasil, encontre o Paraná na Série A, que hoje por obrigação tem que ter um time feminino, e ela possa jogar, bater uma bolinha na Vila Capanema”, sonha o pai.

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FONTE: Um Dois Esportes


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