Suzane Richthofen fala sobre assassinato dos pais


Mais de duas décadas após o crime que marcou o País, Suzane von Richthofen volta ao centro das atenções ao revisitar o passado em um documentário inédito. Na produção, ainda sem data oficial de estreia, ela relembra o assassinato dos pais e apresenta sua versão. As filmagens são da Netflix.

Com duas horas de duração, o filme traz depoimentos da própria Suzane, que hoje cumpre pena em regime aberto. Ao longo do relato, ela descreve a infância como marcada por distanciamento emocional e ausência de afeto dentro de casa.

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“Minha família não era uma família próxima. Existia um abismo”, afirma no documentário, ao relembrar a relação com os pais, Manfred e Marísia. Segundo ela, o ambiente familiar era rígido, com pouca demonstração de carinho e muitos conflitos.

Suzane von Richthofen com o irmão, Andreas, e os pais (Foto:Reprodução/Internet)

“Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão. Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”, revelou.

Suzane também relata episódios de violência dentro de casa e afirma que o relacionamento dos pais era conturbado. Nesse contexto, diz ter encontrado no então namorado, Daniel Cravinhos, um refúgio. Essa relação, segundo a própria narrativa, acabou se intensificando à medida que os conflitos familiares aumentavam.

A família nunca gostou de Daniel, a mãe criticava o relacionamento de forma direta. “Ela falava que ele ia me puxar para o fundo do poço”, afirmou. Com o tempo, eles descobriram que Suzane mentia sobre onde estava para encontrar Cravinhos.

Suzane e os irmãos Cravinhos foram condenados a mais de 20 anos pela morte do casal (Foto:Reprodução)

“As mentiras se acumularam até serem descobertas. Virou uma guerra dentro de casa. Qualquer coisa era briga. Meu pai me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou pro lado”, revelou.

O documentário reconstrói ainda os momentos que antecederam o crime, ocorrido em 2002, quando o casal foi morto dentro da própria casa. Suzane reconhece sua responsabilidade no caso, mas sustenta que não participou diretamente da execução. “Eu sabia o que estava acontecendo, mas não estava lá em cima”, diz.

Ao longo da produção, ela tenta contextualizar suas escolhas e afirma que vivia um estado emocional “dissociado” na época. Também admite que poderia ter impedido o crime, mas não o fez. “A culpa é minha. Não tem como voltar atrás”, declara.

SUZANE HOJE

Além de revisitar o passado, o documentário também mostra a vida atual de Suzane, incluindo o relacionamento com o médico Felipe Zecchini Muniz e a rotina familiar. Em diferentes momentos, ela reforça a ideia de que construiu uma nova fase e busca se desvincular da imagem associada ao crime.

 “Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais”, comparou. Segundo ela, hoje é “uma outra pessoa”.

Ainda, Suzane diz que encontrou no filho a prova de que seu passado ficou para trás. “Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou”, disse.

Mesmo assim, reconhece que o caso ainda a acompanha. “As pessoas me reconhecem em qualquer lugar”, relata.



FONTE: Folha Vitória


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