Risadas no lanche e silêncio no plenário: o STF um dia após divulgação de elo entre Moraes e Vorcaro


André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do STF. Foto: Antonio Augusto/STF

Ministros se esforçaram para conferir ao Supremo Tribunal Federal (STF) um ar de normalidade um dia após a divulgação do elo entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao passar por jornalistas que o aguardavam em uma das entradas do tribunal em busca de uma declaração, Moraes silenciou. Mas sorriu e cumprimentou a imprensa. O ministro costuma evitar esse contato.

Na chegada ao plenário, Moraes estampou um sorriso no rosto e um semblante seguro. André Mendonça, que senta-se ao lado dele na bancada, chegou ao recinto de forma mais discreta. Os dois não se cumprimentaram. Nem sequer se olharam. O critério da ocupação das cadeiras segue uma ordem cronológica de nomeação, prevista no Regimento Interno do tribunal.

Flávio Dino senta-se do outro lado de Mendonça. Dino é um dos aliados de Moraes no Supremo. Durante a sessão, os dois trocaram sorrisos. Mendonça, que estava no centro, continuou olhando para frente, com ar sério.

Relator das investigações sobre o Banco Master, Mendonça divulgou o relatório da Polícia Federal sobre a ligação entre Moraes e Vorcaro. Aliados de Moraes consideraram a atitude uma forma de atingir pessoalmente o colega. Ontem mesmo, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou um parecer ao STF recomendando o arquivamento do caso. Segundo ele, as provas foram colhidas sem a anuência do plenário da Corte.

Antes de votar em um processo sobre cobrança de PIS e Cofins, Mendonça cumprimentou Gonet publicamente. Ninguém deu declaração pública sobre a crise durante a sessão. Ao contrário, trabalharam para que tudo parecesse sob controle.

Às 16h, quando Edson Fachin, presidente do tribunal, anunciou o intervalo da sessão, Moraes parou em frente a jornalistas antes de deixar o plenário e sorriu novamente para o grupo. Embora tenha saído do local na mesma hora que Mendonça, os dois não se cumprimentaram.

No intervalo, é comum os ministros se reunirem na sala de lanches, que fica contígua ao plenário. Quem estava de fora conseguia ouvir risadas dos ministros. Um deles contou ao Estadão que o “estava tudo calmo” e não se falou em crise. Moraes e Mendonça estavam presentes – mas, mesmo longe das câmeras da TV Justiça, não se cumprimentaram.

A sessão se encerrou por volta de 18h, como de praxe. André Mendonça deixou o plenário caminhando do lado de fora do prédio principal do STF até o gabinete. No percurso, cumprimentou servidores. Esse caminho pode ser feito de forma mais reservada, pela garagem, mas o ministro preferiu ir pela rua.

Moraes deixou o plenário pela garagem, ladeado de seus mais fieis apoiadores: Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.



FONTE: Folha Vitória


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