Ricardo Ferraço intensifica ofensiva e amplia apoio entre vereadores de Vitória
Na busca por ampliar o apoio político num reduto dominado pelo seu principal adversário na corrida ao Palácio Anchieta, o governador Ricardo Ferraço (MDB) reuniu nove vereadores de Vitória na noite de quinta-feira (23).
Desses, oito declararam apoio ao governador – que tentará a reeleição em outubro –, sendo que seis parlamentares são (ou eram) da base do agora ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), também pré-candidato ao governo do Estado.
O encontro ocorreu na Ilha de Santa Maria e reuniu:
- Camillo Neves (PP)
- Baiano do Salão (Podemos)
- Maurício Leite (PRD)
- Pedro Trés (PSB)
- João Flávio (MDB)
- Aylton Dadalto (Republicanos)
- André Brandino (Podemos)
- Aloísio Varejão (PSB)
- Bruno Malias (PSB)
A coluna De Olho no Poder apurou que a reunião ocorreu num espaço do vereador Camillo e que o convite aos parlamentares partiu de Maurício Leite.
Outros três vereadores teriam sido convidados – Mara Maroca (PP), Luiz Paulo Amorim (PV) e Dalto Neves (SD) – mas não compareceram, tendo justificado a ausência. A Câmara de Vitória tem 21 vereadores.
Foi um encontro informal, mas que tratou da abertura de diálogo entre o governo e os vereadores – a coluna apurou que muitos parlamentares relataram sobre uma dificuldade de diálogo com Pazolini – e também de apoio a Ricardo, agora e nas eleições.
“Na conversa de ontem falamos sobre apoio a Ricardo, sobre a falta de diálogo com o Executivo municipal e de como o (ex-) prefeito tratava o Legislativo”, disse Camillo à coluna.
Dos nove, apenas Brandino não chegou a declarar que estará com Ricardo em outubro. Mas, é bem provável que faça em breve, tendo em vista que seu partido – Podemos – faz parte da base aliada do governo do Estado e foi um dos primeiros a somar no projeto.
“Tenho muita simpatia por ele (Ricardo). Não cheguei a esse momento, de apertar a mão dele e dizer que é meu candidato, mas o Podemos já sinalizou que estará com ele”, disse Brandino à coluna.
Segundo encontro

É a segunda vez, em uma semana, que Ricardo Ferraço se encontra com vereadores da Capital. A primeira foi num evento promovido pelo MDB, o “Vamos nessa Vitória”, ocorrido na Grande São Pedro e que contou com a presença de seis vereadores.
Durante o discurso, Ricardo enfatizou que, independentemente de qualquer circunstância, iria investir em Vitória, no que pareceu um recado direto à Prefeitura – a coluna noticiou que foi um fiasco a primeira tentativa de “bandeira branca” entre o governo do Estado e a Prefeitura de Vitória.
“Independentemente de qualquer circunstância, nada vai nos afastar de continuar trabalhando pela nossa Capital. A política só vale a pena se a exercermos em linha com aquilo em que a gente acredita. Aqui tem diálogo e respeito às pessoas, à história e à trajetória de cada um”, disse Ricardo, no evento.
Antes mesmo de ser oficializado como o candidato do grupo do ex-governador Renato Casagrande (PSB) à sucessão, Ricardo já estava fazendo incursões pelo interior, assim como Pazolini.
Na Capital, porém, que é onde Pazolini tem sua maior influência, Ricardo ainda não tinha se movimentado com lideranças políticas – como tem feito recentemente, no que parece ser uma nova estratégia do Palácio Anchieta.
Data de eleição da Mesa foi o estopim
Segundo vereadores ouvidos pela coluna, durante a reunião com Ricardo não foi discutida a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vitória, mas ficou evidente que o tema – e toda a polêmica em torno – foi o divisor de águas para a decisão dos vereadores.
A coluna já noticiou que a Câmara praticamente rachou por conta da definição da data da eleição para o comando da Casa.
Um grupo de cinco vereadores – entre eles o presidente da Casa e o líder de Pazolini, integrantes do “núcleo duro” do ex-prefeito – passou a defender a alteração do Regimento Interno para adiar a eleição da Mesa Diretora para depois das eleições gerais.
Segundo o regimento, a eleição está marcada para agosto e acontece nesse período desde 2014.
Porém, a maioria dos vereadores reagiu. O grupo que ficou conhecido como G-16 bateu de frente e passou a denunciar a interferência de Pazolini no processo. Esse grupo, formado por 16 vereadores, tem como candidato a presidente o vereador Dalto.
O impasse impactou as sessões e até a votação de projetos e a Mesa Diretora entrou com uma ação – uma reclamação constitucional – no Supremo Tribunal Federal (STF) para definir a questão.
Na semana passada, o ministro Gilmar Mendes determinou que a eleição da Mesa seja realizada em outubro. O G-16 foi pego de surpresa com a ação, mas representantes do grupo disseram que não irão recorrer.
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