Quem Ricardo Ferraço vai apoiar para presidente da República?
Numa eleição que promete repetir o cenário de polarização nacional visto nos últimos pleitos, o governador Ricardo Ferraço (MDB) tem escolhido um caminho fora dos dois nomes que protagonizam a disputa presidencial.
A tendência, hoje, é que Ricardo não declare apoio nem ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e muito menos ao presidente Lula, na disputa à Presidência da República, e seja o único pré-candidato ao governo do Estado a não se associar a nenhum presidenciável.
Ao menos, é isso que ele tem anunciado em eventos políticos, especialmente do último final de semana para cá.
No último sábado (18), durante um encontro do PL capixaba, Flávio e o ex-prefeito Lorenzo Pazolini – pré-candidato ao governo do Estado pelo Republicanos – trocaram declarações de apoio e selaram uma aliança entre os dois partidos.
Pazolini vai apoiar Flávio à Presidência, com direito a fazer campanha e pedir votos “com certeza” , como ele mesmo enfatizou no evento.
Já o deputado federal Helder Salomão (PT), por sua vez, desde que anunciou sua pré-candidatura, tem recorrido ao nome de Lula como cabo eleitoral. “Estamos juntos”, disse o Presidente num vídeo, que está fixado no Instagram do deputado.
Ricardo, porém, tem adotado outra estratégia.
“Não é papel do governador fazer oposição”
Na segunda-feira (20), o governador participou da convenção partidária do Podemos e foi questionado, pelos jornalistas presentes, sobre quem apoiaria na disputa presidencial.
Ele se esquivou de citar nomes e disse estar preparado para governar com quem for eleito. “Eu estou preparado para continuar liderando o Espírito Santo com quem os capixabas e os brasileiros escolherem para governar esse País”, afirmou.
Ricardo sinalizou que não deverá se engajar em nenhuma campanha nacional e que não cabe ao governador fazer oposição ao presidente da República, sob o risco de prejudicar os interesses do Estado.
Vou fazer campanha para me reeleger como governador do Espírito Santo, para fortalecer o Espírito Santo. Eu, pessoalmente, não acho que seja papel de governador, pela responsabilidade que tem, fazer oposição a esse ou aquele”, ressaltou.
No dia seguinte, num evento em Guarapari, Ricardo repetiu o discurso, afirmando que sua função é proteger o Espírito Santo da “brigalhada que só isola”. “Quando me perguntam de que lado você está, eu (respondo que) estou do lado do Espírito Santo”.
Num outro momento, mandou uma indireta: “Quem quer governar o Espírito Santo não pode colocar o Estado no isolamento”. Não citou nomes, mas o recado teve endereço certo: Pazolini e Helder.
Embora sempre paire a dúvida sobre o impacto da polarização nacional nas eleições regionais, Ricardo já tem mostrado qual será sua estratégia durante a campanha eleitoral: não nacionalizar o debate, fugir das questões ideológicas e focar nas entregas e na continuidade do trabalho desenvolvido por ele e pela gestão Casagrande.
É uma aposta. Mas que não muda, de forma alguma, o campo em que o governador milita.
Seta à direita
É bem certo que, desde que assumiu o governo do Estado, Ricardo Ferraço tem evitado se posicionar em temas nacionais, principalmente os mais polêmicos.
Porém, ao longo de toda sua trajetória política, o governador sempre esteve no lado oposto ao do PT – especialmente em sua passagem pelo Senado, quanto ainda integrava os quadros do PSDB.
Como vice-governador e presidente estadual do MDB – cargo que entregou ao assumir o Palácio Anchieta – Ricardo chegou a assinar um manifesto à direção nacional requerendo que o partido ficasse neutro na disputa presidencial – leia-se, que não apoiasse a reeleição de Lula.
Além do Espírito Santo, diretórios de outros 16 estados também assinaram o manifesto e a tendência é que a cúpula nacional do MDB, diante de um partido rachado, libere as lideranças. O que pode facilitar a vida de Ricardo.
Embora não haja a menor obrigação das alianças nacionais serem replicadas nos estados, certamente, o governador seria constantemente questionado na campanha sobre seu posicionamento, diante de uma eventual aliança com o PT.
Principalmente porque, no Estado, o partido está cada vez mais longe do governador.
Logo após Ricardo assumir o Palácio Anchieta, o PT – que integrava a gestão de Casagrande, com nomes indicados no primeiro escalão – entregou os cargos. A legenda também passou a criticar, sutilmente, o governador, que tem feito muitos acenos ao eleitorado de direita.
Conforme a coluna De Olho no Poder noticiou, Ricardo Ferraço participou de um encontro armamentista ao lado de lideranças da direita conservadora. Fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e endossou outras pautas caras a esse segmento político.
Os primeiros atos como governador também dão conta de uma gestão mais inclinada à direita, principalmente quando comparada à anterior, de Casagrande.
O que revela que, embora queira distância de ser associado à disputa nacional – até porque o ônus da rejeição aos presidenciáveis também recai em quem apoia –, Ricardo tem lado e deve disputar o mesmo eleitorado que Pazolini no dia 4 de outubro.
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