Quadrilha presa por sequestro em Jardim Camburi vigiou empresário por um ano


Empresário foi sequestrado em Jardim Camburi e ação foi flagrada por câmeras de videomonitoramento. Foto: Reprodução/Câmera de videomonitoramento

Suspeitos de sequestrar um empresário de 30 anos em Jardim Camburi, em Vitória, em junho deste ano, planejaram o crime durante pelo menos um ano, segundo investigação da Polícia Civil. O objetivo da quadrilha era extorquir R$ 5 milhões da vítima.

Adilson de Jesus Neves Júnior, conhecido como Dio, de 37 anos, e Osmar de Azeredo Nunes, de 39, são apontados como os responsáveis pelo planejamento e monitoramento da vítima.

Ao todo, sete pessoas foram presas e duas são procuradas por suspeita de participação no sequestro, ocorrido em 11 de junho. Entre os investigados estão pessoas com antecedentes por crimes como tráfico de drogas, homicídio e roubo.

Segundo o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, os suspeitos passaram a acompanhar a rotina do empresário depois de receberem informações de que ele atuava no mercado financeiro e poderia ter um patrimônio elevado.

O monitoramento teria ocorrido tanto pelas redes sociais quanto presencialmente. Os investigados observavam os locais frequentados pela vítima e até os momentos em que ela praticava esportes.

Empresário foi sequestrado em Jardim Camburi e ação foi flagrada por câmeras de videomonitoramento. Foto: Reprodução/Câmera de videomonitoramento

“A partir do momento que eles tiveram informação de que essa vítima mexeria com o mercado financeiro e poderia ter um patrimônio, eles começaram a monitorar através de rede social, através de monitoramento em campo”, explicou o delegado.

O sequestro

No dia do crime, o empresário dirigia uma Porsche avaliada em mais de R$ 500 mil quando foi fechado por um carro branco conduzido por Adilson. Um segundo veículo, dirigido por Samuel Camilo dos Santos, conhecido como Frajola, de 23 anos, seguia logo atrás.

Osmar e Enoque Pereira Leal teriam descido do carro e se passado por policiais federais armados para abordar a vítima. De acordo com a investigação, o empresário percebeu que não se tratava de uma abordagem policial e reagiu.

Adilson de Jesus (centro) e Osmar de Azeredo (lado superior esquerdo) são apontados como idealizadores do crime. Enoque Pereira Leal (centro lado esquerdo), Erlan Josme de Oliveira (lado esquerdo inferior), Irlan Miguel de Souza (lado superior direito), Laís de Jesus e Willian Henrique Guimarães também foram presos

Ele teria sido agredido com coronhadas na cabeça. Em seguida, os suspeitos colocaram um capuz na vítima, amarraram suas mãos e a levaram para uma área de mata em Jardim Carapina, na Serra.

“A vítima percebeu que não se tratava de policiais e esboçou uma reação, momento em que foram desferidas coronhadas em sua cabeça, colocaram um capuz nele para ele não ver onde que estava e dificultar até a identificação dos criminosos, amarraram as suas mãos e o levaram para uma região de mata em Jardim Carapina”, descreveu o delegado.

O carro foi abandonado pouco depois, no bairro de Fátima, também na Serra.

Suspeitos obrigaram vítima a transferir criptomoedas

Na área de mata, Adilson e outro suspeito, Erlan Josme de Oliveira Alves, teriam obrigado a vítima a transferir cerca de R$ 20 mil em criptomoedas para uma corretora internacional.

Segundo a Polícia Civil, Adilson foi o primeiro beneficiário do dinheiro retirado da conta do empresário.

As transferências foram rastreadas pelos investigadores por meio da rede blockchain Tron, que deu nome à Operação Tron. A tecnologia permite registrar transações digitais e identificar as carteiras que receberam os valores, mediante autorização judicial.

O rastreamento levou a polícia até Laís de Jesus Teles, de 27 anos, mulher de Adilson, além de Enoque, Erlan e Osmar.

A Polícia Civil informou ainda que as corretoras utilizadas nas movimentações possuem registro e autorização para atuar no Brasil, seguindo as regras estabelecidas pelo Banco Central.

Vítima conseguiu fugir

Ana Júlia da Silva, conhecida como Doutrinada, de 21 anos, é apontada pela investigação como responsável por monitorar a área onde o empresário era mantido.

A vítima conseguiu escapar e encontrou policiais militares que já realizavam buscas na região.

Em depoimento à Polícia Militar, o empresário relatou que oito pessoas armadas com pistolas participavam da ação. Após a fuga, os suspeitos teriam entrado na mata.

Na sequência, o carro prata usado no crime, que estava registrado em nome de Irlã Miguel de Souza Laranjeira, de 25 anos, foi abandonado em Jardim Carapina.

Suspeito teria tentado criar versão para despistar polícia

O inquérito também aponta que William Henrique Guimarães Gomes, de 30 anos, teria planejado informar à polícia que havia pegado o veículo emprestado e sido vítima de um assalto.

A versão, porém, não foi confirmada pela investigação. William acabou preso no mesmo dia por tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil.

Samuel Camilo e Ana Júlia continuam foragidos.

Foto: Reprodução/PCES

A Polícia Civil orientou a população a ter cuidado com a exposição de informações pessoais e da rotina nas redes sociais. Segundo a corporação, esse tipo de conteúdo pode despertar o interesse de criminosos e facilitar o monitoramento de possíveis vítimas.

*Com informações do repórter Caio Dias, da TV Vitória/Record



FONTE: Folha Vitória


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