Promotoria mira ex-presidente PicPay e  BRB por descontos indevidos na folha de servidores


Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagraram, na manhã desta sexta-feira (19), a Operação Juros Zero para investigar um esquema que teria usado descontos diretos nos contracheques de servidores públicos do Distrito Federal para viabilizar operações financeiras irregulares.

Entre os investigados estão Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do Distrito Federal, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB e alvo da Operação Compliance Zero, e Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay que já foi indiciado pela CPI do INSS.

A reportagem pediu manifestação da defesa de Paulo Henrique Costa, que não se manifestou. Em nota, o PicPay informou que “não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida” (leia a íntegra abaixo).

A reportagem busca contato com as defesas de Ney Ferraz e Chedid Simões. O espaço está aberto.

Paulo Henrique Costa está preso desde abril, após a Polícia Federal apontar que ele aceitou propina de Daniel Vorcaro por meio de seis imóveis de luxo, que totalizavam R$ 146 milhões, dos quais R$ 74 milhões já tinham sido pagos, e que essa negociação era uma contrapartida pelos aportes de R$ 12 bilhões do BRB em carteiras fraudulentas do Banco Master.

Ao todo, a Operação Juros Zero cumpre 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Curitiba e em São Paulo.

Entre os alvos da operação nesta manhã estão o BRB, responsável pelos pagamentos dos servidores, a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), o PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal.

Ao Estadão, a Secretaria de Economia do DF informou que a investigação “tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da pasta”.

A ação é conduzida pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Gaeco.

O que diz o PicPay sobre a Operação Juros Zero

O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida.

Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes, submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.

O valor antecipado era disponibilizado diretamente no cartão do cliente, mediante solicitação realizada no aplicativo, sem intermediários ou associações, e sem cobrança nessa modalidade.

O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.

A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação.

PicPay



FONTE: Folha Vitória


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