Presidente do PT declara apoio e pede votos para Ricardo Ferraço
Num vídeo publicado nas redes sociais neste domingo (18), o presidente do PT capixaba, deputado João Coser, declarou apoio e pediu votos para o governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço (MDB).
Com o número de Ricardo adesivado no peito, Coser se dirigiu aos internautas com uma “conversa franca” e disse que não poderia colocar em risco tudo que o Espírito Santo construiu:
No próximo domingo, vamos definir o futuro do Espírito Santo e do Brasil. E eu, que sempre defendi a democracia, o diálogo e o respeito às diferenças, venho até você pedir seu voto para Ricardo Ferraço. Neste cenário, Ricardo representa a continuidade de um projeto que fez o Espírito Santo desenvolver em muitas áreas. Não podemos colocar em risco tudo que construímos. Nós precisamos avançar”.
João Coser, presidente do PT-ES
No mesmo vídeo, Coser também pediu votos para o presidente Lula, candidato à reeleição: “Lula é a única opção de fazer o Brasil seguir como uma nação forte, democrática, soberana e fiel ao seu povo. Então, neste segundo turno, pelo bem do Espírito Santo e do Brasil, eu venho pedir o seu voto para Ricardo Ferraço, governador 15, e Lula presidente, 13”.
O vídeo foi postado antes do ato organizado pelo PT em apoio ao presidente Lula, que reuniu manifestantes na tarde de ontem (18) em frente à Assembleia Legislativa, em Vitória.
Veto a Pazolini
A declaração de apoio a Ricardo ocorre nove dias após o PT-ES se posicionar oficialmente com relação à disputa ao governo do Estado e a uma semana do segundo turno.
Terceiro colocado na corrida pelo Palácio Anchieta, o deputado Helder Salomão (PT) somou 15,32% dos votos válidos.
A fatia é expressiva: equivale aproximadamente à mesma distância que separou o candidato Lorenzo Pazolini (Republicanos) de Ricardo nas urnas. O ex-prefeito teve 49,65% dos votos e o governador, 34,06%
No último dia 9, após reuniões em Brasília entre lideranças petistas do Estado, Lula e o diretório nacional, o PT capixaba orientou os filiados e apoiadores a “não votarem nos aliados do candidato Flávio Bolsonaro”.
A nota não citou nomes, mas o recado tinha endereço certo. Como Flávio apoia Pazolini ao governo do Estado – e o ex-prefeito também apoia o senador à Presidência –, a orientação foi entendida como um veto ao candidato do Republicanos.
Na ocasião, porém, o partido se limitou a pedir votos apenas para Lula, sem declarar apoio explícito a Ricardo Ferraço – o que foi reforçado agora, com o vídeo de Coser.
Acenos tímidos

Ao menos publicamente, Ricardo Ferraço não pediu apoio ao PT – a despeito de estar atrás na disputa e de depender do eleitorado petista para encurtar a distância que o separa do seu adversário.
A ausência de um aceno público se explica pela trajetória política do candidato. Ricardo construiu sua vida pública na oposição ao PT, com um histórico de embates contra o lulismo e o carimbo de ter votado a favor da cassação da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
E as divergências não ficaram restritas ao passado. Logo que Ricardo assumiu o governo, o PT – que fazia parte da gestão do ex-governador Renato Casagrande (PSB), com indicação no secretariado – desembarcou do Palácio Anchieta.
Em maio, Lula veio ao Estado para uma agenda do Ministério da Cultura em Aracruz. Ricardo o recepcionou no aeroporto discretamente e não participou do evento.
Na campanha do primeiro turno, as divergências viraram confrontos diretos: nos debates, Ricardo protagonizou embates duros e acalorados com Helder Salomão.
Diante do sufoco das urnas, contudo, a necessidade pragmática começou a dobrar a resistência.
Apenas um dia após a apuração, Ricardo convocou uma coletiva de imprensa e ensaiou o primeiro gesto – ainda que tímido e genérico –, declarando que iria “conversar com todo mundo” ao ser provocado sobre uma aproximação com Helder e o PT.
“Vamos conversar com todo mundo que quer o bem do Espírito Santo. Porque o papel de um governador não é dividir o estado, até porque uma casa dividida não prospera. O papel do governador é conversar com todo mundo que quer unir o Espírito Santo”, disse Ricardo, na ocasião.
A ponte
Nos bastidores, porém, a missão de fazer a ponte com o PT e todo o eleitorado de centro-esquerda e esquerda teria ficado com Casagrande – eleito senador no último dia 4.
“Casagrande é um amigo, é um irmão, um aliado, é o nosso senador e por certo ele terá um protagonismo nessa construção conversando com todos e todas que desejam conversar, que tenham por propósito manter o Espírito Santo nesse rumo e nesse ritmo”, disse Ricardo, na coletiva.
A estratégia nessa reta final é clara: sabe-se que o eleitor do PT dificilmente votará em Ricardo por convicção ou afinidade. A aposta real é no voto útil contra a chapa Pazolini-Flávio.
Há um histórico que joga a favor desse alinhamento tático: a trincheira aberta entre o PT – especialmente com a família Coser – e Pazolini desde 2020.
João Coser enfrentou o republicano nas duas últimas disputas pela Prefeitura de Vitória, enquanto sua filha, a vereadora reeleita Karla Coser, consolidou-se como a principal voz de oposição às duas gestões de Pazolini e seu grupo na Capital.
No fim das contas, a esperança de Ricardo e do Palácio Anchieta é que a rejeição ao projeto de Pazolini fale mais alto no coração do eleitor petista do que as velhas mágoas do passado.
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