Posicionamento político: estratégia ou suicídio comercial?
Em uma sociedade polarizada, posicionar-se politicamente deixou de ser apenas um ato de cidadania para se tornar também uma decisão estratégica tanto quanto arriscada. Quando marcas e instituições optam por tornar público seu alinhamento ideológico, elas deixam o terreno simbólico e entram diretamente no campo econômico.
O caso recente da Havaianas é emblemático e didático. Ao lançar uma campanha com a ideia de começar o ano com “o pé direito”, fazendo analogias políticas entre direita e esquerda, a marca entrou em um terreno inflamado, desencadeando uma avalanche de reações. O resultado foi imediato: boicote organizado, vídeos de consumidores destruindo produtos e uma queda relevante no valor de mercado da controladora, a Alpargatas, com perdas estimadas entre R$ 150 e 200 milhões logo após a repercussão. Sim, houve também ganho de seguidores nas redes sociais. Mas seguidor, por si só, não paga dividendo. Valor de marca não se mede apenas por engajamento, e sim por receita, margem e confiança do consumidor.
No Carnaval deste ano, a Acadêmicos de Niterói enfrentou situação semelhante ao homenagear o atual presidente da república em seu samba-enredo. A escolha provocou críticas intensas, mobilização política nas redes e, ao final, a escola foi rebaixada do grupo especial. Independentemente de a decisão artística ter sido legítima, o resultado mostrou que o custo reputacional pode transbordar para consequências concretas.
O Impacto Estratégico do Posicionamento Político
O ponto central não é discutir se a posição adotada era certa ou errada. O problema é estratégico. Marcas existem para dialogar com públicos amplos e diversos. Ao assumir um lado explícito, elas inevitavelmente alienam parte significativa de seus consumidores. Em um ambiente em que as redes sociais amplificam indignações e organizam boicotes em horas, a reação deixa de ser difusa e passa a impactar vendas, valor de mercado e imagem institucional.
Neutralidade pode não render aplausos ideológicos, mas preserva algo essencial: amplitude de mercado. Instituições que desejam longevidade precisam entender que seu ativo mais valioso é a confiança transversal. Ao assumir bandeiras partidárias, deixam de ser marcas para se tornar símbolos de disputa.
A Cobrança do Mercado em Tempos de Polarização
Em tempos de polarização intensa, todo posicionamento vira manchete e uma aposta. E o mercado, como se viu, costuma cobrar o preço. Cabe às instituições decidir se querem apostar expondo suas opiniões ou se preferem preservar seu marketshare.
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