Policiais que presenciaram mortes de mulheres em Cariacica viram réus após decisão da Justiça
A Justiça Militar aceitou a denúncia do Ministério Público Militar contra sete policiais militares investigados por possíveis falhas na atuação nas mortes de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto Rocha, em 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. Com a decisão, os militares se tornaram réus.
Os sete policiais responderão pelo crime de inobservância da lei, a infração ocorre quando militares deixam de cumprir uma regra que prejudica a ação militar.
Os réus são Hildebrando da Silva Santos, Edson Luiz da Silva Verona, Felipe Gonçalves Vieira e Lucas Nogueira Oliveira, Valfril do Carmo Carreiro, Hilário Antônio Nunes Loureiro Júnior e Eduardo Ferro Coradini.
Além de inobservância da lei, Hilário e Eduardo também responderão por abandono de posto.
A acusação aponta possíveis irregularidades durante a ocorrência, e a Justiça Militar entendeu que há indícios suficientes de autoria e materialidade para abrir a fase judicial do processo.
Relembre o caso
Francisca e Daniele eram casadas e estavam sentadas em uma calçada quando uma viatura da Polícia Militar chegou ao local. Um dos policiais desceu do veículo e atirou contra as duas mulheres. Daniele tentou correr, mas foi atingida, enquanto Francisca chegou a ser socorrida e morreu dentro da ambulância.
O autor dos disparos foi identificado como o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale. Segundo testemunhas, o crime teria sido motivado por uma discussão entre as vítimas e a ex-mulher do policial, que morava no mesmo prédio, envolvendo questões relacionadas à energia elétrica e ao uso de um ar-condicionado.
Os sete militares foram afastados integralmente das funções em 16 de abril, dias após o crime. Em junho, eles retornaram à Polícia Militar, mas passaram a exercer apenas funções administrativas.
Agora, a Justiça Militar vai analisar a responsabilidade dos sete policiais pelas condutas apuradas no inquérito. Eles terão dez dias para apresentar defesa, enquanto o cabo Luiz Gustavo permanece preso no Presídio Militar.
A TV Vitória procurou as defesas dos policiais que se tornaram réus. O espaço continua aberto para manifestação.
*Com informações do repórter Caio Dias, da TV Vitória/Record
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