Polícia aponta que vigilantes mataram homem em situação de rua

A Polícia Civil concluiu que um homem em situação de rua identificado como Marcos Vinícius Lopes Pereira, de 35 anos, foi sequestrado, torturado e morto por um grupo de vigilantes privados que decidiu agir por conta própria, em uma espécie de “justiça com as próprias mãos”.

O crime ocorreu no dia 17 de março, na Praia do Suá, em Vitória. Marcos Vinícius foi abordado e levado à força em direção ao município da Serra, onde foi assassinado.

O corpo foi encontrado enterrado em uma área de mata, em uma cova rasa. As investigações da polícia apontam que a motivação pode estar relacionada a pequenos furtos atribuídos à vítima na região de Vitória.

Segundo a Polícia Civil, uma das hipóteses é que Marcos teria furtado um celular ligado a uma empresa de vigilância que atua na região. Essa empresa presta serviços a condomínios com portaria virtual, realizando rondas noturnas para verificar situações suspeitas e acionar a Polícia Militar quando necessário.

Entretanto, de acordo com a investigação, os vigilantes envolvidos decidiram não seguir o protocolo. Ao perceberem o suposto desaparecimento do aparelho e associarem o caso à vítima, teriam planejado uma ação por conta própria.

Ainda segundo a polícia, antes da execução, Marcos Vinícius foi agredido pelo grupo, indicando que o crime foi premeditado e marcado por violência.

A investigação demonstrou que eles tinham um modus operandi. Ao invés de acionar a polícia, faziam uma espécie de ‘limpeza social’, retirando essas pessoas à força.

Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas

O titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas, delegado Tarcísio Otoni, afirmou que pelo menos oito homens participaram da ação criminosa. Todos seriam funcionários de uma empresa de vigilância privada que atua em condomínios da Grande Vitória.

Oito pessoas participaram da morte e pelo menos quatro participaram desse enterro, dessa ocultação de cadáver, então esse fato que começou como desaparecimento, evoluiu para um sequestro e posteriormente para um homicídio qualificado com associação criminosa e ocultação de cadáver.

Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas

Câmeras de segurança flagraram o momento do sequestro

Imagens de videomonitoramento foram fundamentais para a investigação e mostram a dinâmica do crime. Nos registros, motociclistas cercam a vítima em via pública e, sob ameaça, a colocam dentro de um veículo.

Segundo a polícia, as armas utilizadas na abordagem eram falsas, mas suficientes para intimidar Marcos Vinícius. Na sequência, o grupo deixa o local e segue com a vítima. As imagens mostram ainda a ação coordenada dos suspeitos, indicando planejamento prévio.

Durante a coletiva, os policiais também informaram que, foi através do amor da mãe que a polícia começou a investigar a morte de Marcos Vinícius.

Por trás dele havia uma mãe que sabia que ele estava em situação de rua e levava ali, todo dia levava a marmita, no dia que foi levar a marmita e não encontrou com o Marcos, foi apurar com a companheira dele, que também é moradora de rua. Com isso, ela procurou a polícia.

Tarcísio Otoni, titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas

Homem havia sido agredido pelo mesmo grupo

Antes da execução, Marcos Vinícius já havia sido agredido pelo mesmo grupo cerca de uma semana antes, o que reforça a linha de investigação de que o crime foi premeditado.

Durante a Operação Invisíveis, deflagrada no dia 20 de abril, dois suspeitos foram presos. Outros seis já foram identificados e aguardam decisões judiciais. Parte deles teria participado diretamente do assassinato e também da ocultação do cadáver.

A polícia também apreendeu veículos e motocicletas usados no crime e aguarda laudos periciais, incluindo exames de DNA.

O caso foi encaminhado para a Justiça como homicídio qualificado, associação criminosa e ocultação de cadáver. As investigações seguem para localizar e prender todos os envolvidos.

*Com informações da repórter Marla Bermudes, da TV Vitória/ Record



FONTE: Folha Vitória


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