Pix dos EUA? Entenda o que é Zelle, citado por Eduardo Bolsonaro
O brasileiro Pix e o norte-americano Zelle são a mesma coisa e poderiam ser usados em negociações comerciais entre os países? Na manhã de quarta-feira (3), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro sugeriu colocar o Pix em uma mesa de negociações comerciais com os EUA.
Ele propôs que o Brasil poderia adotar o sistema norte-americano ou flexibilizar o Pix em prol do Zelle, como argumento de boa vontade frente às pressões tarifárias norte-americanas. Em sua rede social, ele ressaltou que não falou em “substituição”.
A sugestão se deve ao fato de o Pix ter se tornado um dos alvos do governo Trump. Na segunda-feira (1°), o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluiu uma investigação sobre as práticas comerciais do Brasil e propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados.
O Pix aparece entre os argumentos para justificar a medida: os EUA afirmam que o Brasil tem prejudicado injustamente empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico.
Entenda o Zelle e as diferenças para o Pix
Mas os dois serviços são iguais? Apesar de ser uma rede de pagamentos instantâneos como o Pix, o Zelle é diferente em propósito, estrutura, operação e adoção em relação ao seu similar brasileiro.
Ao contrário do Brasil, em que o sistema é operado pelo Banco Central (BC), nos EUA ele está a cargo de um consórcio privado de poucos bancos, chamado de Early Warning Services, por meio de um software proprietário e cobrado.
O Zelle nem sempre é gratuito, não acontece de maneira instantânea entre alguns bancos e nem foi adotado em escala comercial.
Os sistemas de pagamento têm propósitos diferentes. A adoção do Pix foi obrigatória para todos os bancos, fintechs e instituições de pagamentos, como uma política pública de inclusão financeira e digital da população.
Já nos EUA, a adesão dos bancos é voluntária, e o Zelle nasceu com o propósito comercial de reduzir custos operacionais de grandes bancos privados americanos.
O BC também determinou por regulamento que o Pix deve ser 100% gratuito para pessoas físicas, para que o custo não se tornasse uma barreira de acesso. Os desbancarizados nos EUA recorrem a outros serviços privados que cobram taxas, como ordens de pagamento em lojas de conveniência ou aplicativos de remessa.
Enquanto, por aqui, o Pix substituiu o dinheiro físico e o cartão de débito, o Zelle é usado quase exclusivamente para transferências entre amigos e familiares (dividir conta, pagar o aluguel), não sendo comum para pagar o supermercado ou lojas físicas.
Ele também não carrega em si funções de automação comercial populares no Brasil, como o Pix Copia e Cola ou geração em lote de QR Codes para automação de caixas, que geram fluxo de vendas do comércio varejista e popular do País.
O Pix também tem mecanismos específicos de proteção contra fraudes (como o Bloco de Medidas de Segurança e o Mecanismo Especial de Devolução). No Zelle, uma vez que o dinheiro é enviado, o estorno por parte do banco em caso de golpe é extremamente difícil, pois o sistema trata a transação como dinheiro físico entregue em mãos.
O Pix também é muito mais popular do que o Zelle. Enquanto as transações nacionais movimentam em média cerca de R$ 96,7 bilhões por dia, o Zelle gira aproximadamente US$ 3,4 bilhões diários (cerca de R$ 18,5 bilhões).
Os brasileiros fazem 216 milhões de Pix por dia, enquanto os norte-americanos fazem 9,8 milhões de transações. São mais de 2,5 mil instituições oferecendo as operações no Brasil, contra 930 nos EUA.
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