Os discursos e o tom que Ricardo Ferraço pretende dar ao seu governo

Diálogo com lideranças e estabilidade institucional. Combate à criminalidade e segurança pública como prioridade para a população. Esses foram os pontos principais dos dois discursos de posse e o mote que irá nortear a gestão do novo governador do Estado, Ricardo Ferraço (MDB).

Na tarde de quinta-feira (02), em duas cerimônias concorridíssimas, Ricardo Ferraço tomou posse como o 13º governador do Espírito Santo desde a redemocratização. Ele ascendeu ao cargo após a renúncia do agora ex-governador Renato Casagrande (PSB) – que irá disputar o Senado.

Ao lado da família, de aliados, de chefes de Poderes e de muitos populares que compareceram à Assembleia e ao Palácio Anchieta para acompanharem a passagem de governo, Ricardo fez o juramento e assinou o termo de posse. E, das mãos de Casagrande, recebeu a faixa governamental.

As primeiras palavras de Ricardo como governador, proferidas em dois discursos – um na Ales e outro no Palácio –, foram no sentido de dar continuidade ao ritmo já implementado pela gestão anterior, mas realçando aquilo que será prioridade nos próximos nove meses de governo.

Diálogo, cooperação entre os Poderes e estabilidade

O governo que Ricardo recebe de Casagrande tem, como marca, a cooperação entre os Poderes e a estabilidade institucional.

Ao longo dos seus sete anos e três meses de mandato, Casagrande sempre tratou como primordial a boa relação entre as instituições e a manutenção do diálogo e, na passagem de governo, aconselhou Ricardo a fazer o mesmo.

E o “conselho” encontrou lugar no primeiro discurso de Ricardo, na Assembleia.

Falando aos presentes, mas especialmente às lideranças políticas e institucionais, Ricardo se comprometeu a zelar pelo diálogo, a investir nos municípios sem olhar coloração ideológica e a dar continuidade na boa relação com as demais instituições.

“É nesse terreno, no diálogo e no respeito, que se viabiliza a cooperação entre os poderes e se constrói uma relação produtiva com diferentes forças políticas e setores da sociedade (…) A política que funciona é aquela capaz de reduzir distâncias sem eliminar diferenças, criando as condições para decisões compartilhadas e para a estabilidade institucional”, disse Ricardo.

Na mesma entonação, revelou como deve guiar a relação com os municípios capixabas.

“A relação com os nossos 78 municípios não pode ser circunstancial, nem condicionada a eventuais diferenças políticas. Deve ser permanente, republicana e orientada por resultados. O governo do Estado investe fortemente em todos os municípios (…) A construção de políticas públicas efetivas exige escuta ativa, humildade institucional e disposição para construir consensos”.

Combate à criminalidade e “tolerância zero” a feminicidas

Já no Palácio Anchieta, com a faixa governamental e tendo como destinatária a população capixaba, Ricardo listou “quatro pilares” que sustentariam o futuro do Estado.

O primeiro deles foi o “pilar” da segurança pública – que tomou a maior parte do discurso, sinalizando que a área terá prioridade no governo de Ricardo.

“Não existe desenvolvimento sem segurança. Não existe prosperidade onde o crime domina territórios. Não existe liberdade onde famílias vivem com medo. Por isso, reafirmo com toda clareza: no Espírito Santo, o crime não terá espaço”, disse Ricardo, para citar, logo em seguida, o que tem sido um dos maiores desafios das forças de segurança:

“Vamos avançar também na luta incansável do combate à violência contra as mulheres e o feminicídio. Nossa determinação é de tolerância zero com os que praticam esse tipo de crime”.

Como vice-governador, Ricardo estava à frente do programa Estado Presente – responsável pelas políticas públicas multissetoriais de prevenção e combate à criminalidade –, e contribuiu para os bons resultados na redução dos homicídios no Estado, nos últimos anos.

Mas, para além de todas as ferramentas já implementadas, os feminicídios continuam ocorrendo, para a tristeza e revolta dos capixabas.

Só para ficar em um caso, no mês passado, a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta a tiros pelo ex-namorado – o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa –, que não aceitava o término da relação. Ele se suicidou em seguida.

Num aceno de que a priorização da segurança pública e do combate à violência doméstica não ficará apenas no discurso, Ricardo realizou, em seu primeiro ato como governador, a troca de comando da Polícia Militar, nomeando uma mulher – a coronel Luciana Ferrari – como subcomandante-geral da Corporação.

“Fato inédito nos 191 da instituição. A coronel Luciana Ferrari chega para fortalecer a proteção às mulheres no nosso Estado”, afirmou Ricardo.

Ao ser questionado, na coletiva de imprensa, sobre quais outras ações seriam tomadas, Ricardo não detalhou, afirmando que terá, no próximo sábado (04), uma reunião com a cúpula da Segurança Pública. Será a primeira, de uma série de agendas com a equipe de governo.

Os outros três pilares citados pelo governador são saúde, educação e desenvolvimento, que receberam também promessas de investimentos.

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FONTE: Folha Vitória


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