os desafios de quem vive pelo sucesso dos filhos


Elas não ganham medalhas, mas bem que mereciam. Afinal, fazem de tudo pelo sucesso dos filhos campeões. Até mudam de cidade e de emprego, se for necessário.

No Dia das Mães, o Folha Vitória conversou com as mães de atletas e ouviu quais são os maiores desafios de quem costuma ser o porto seguro dos campeões, mas que também está lá para o puxão de orelhas quando é preciso.

Apoio da mãe e da avó: o segredo de um recordista

Matheus Ngome, 14 anos, é um dos maiores nomes da novíssima geração da natação capixaba e brasileira. Recordista brasileiro e estadual, o nadador do Álvares Cabral é quase uma “celebridade” nas competições, sempre parado por atletas de outros clubes de fora do Estado com pedido de fotos.

A capacidade física é um dos segredos do campeão, que mede 1,85m e calça 48. Outro segredo é o apoio da mãe, Paula Padilha, e da avó, Regina Padilha. Elas estão sempre ao lado do jovem atleta.

“O mais difícil na vida de mãe de atleta é ensinar a lidar com as frustrações. Por exemplo, teve uma competição recente em que ele não fez o tempo que ele queria e ficou bem frustrado e ficou chateado a competição toda. Na última prova, o Alexandre (treinador) falou pra ele se divertir. E foi a melhor prova que ele fez! Lidar com a frustação é um desafio realmente”, conta Paula.

Matheus Ngome com a mãe, Paula, e a avó, Regina Padilha
Matheus Ngome no pódio entre a mãe, Paula, e a avó, Regina Padilha (Foto: Acervo pessoal)

No ano passado, Matheus estreou pela seleção brasileira com quatro medalhas de ouro no Sul-Americano Escolar no Paraguai. Um momento inesquecível para a família.

O momento mais emocionante até agora foi o Sul-Americano Escolar, quando ele representou o Brasil. Foi a melhor sensação que eu tive vendo ele pela seleção brasileira. Um orgulho muito grande. E também quando ele bateu o primeiro recorde dele, no petiz, nos 50m borboleta. Chorei bastante, todo mundo em casa chorou. Fiquei muito feliz mesmo”

Paula Padilha, mãe do Matheus

Mudança de cidade e distância do marido

Débora do Vale vive duplamente a “profissão” de mãe de atleta. Afinal, tem dois campeões dentro de casa.

Ela é mãe do goleiro Arthur do Vale, da seleção brasileira sub-17 e já com contrato profissional assinado com o Santos, e do velocista Vitor do Vale, especialista nos 400m atletismo e que compete pelo Praia Grande-SP.

Goleiro Arthur do Vale com a mãe, DéboraGoleiro Arthur do Vale com a mãe, Débora
Goleiro Arthur do Vale, da seleção brasileira sub-17, com a mãe, Débora (Foto: Acervo pessoal)

Para dar segurança e tranquilidade aos filhos, mudou de cidade. Saiu de Vitória, onde o marido permanece vivendo, e foi morar em Santos (SP).

“Foi uma decisão muito difícil porque envolve deixar muita coisa pra trás… rotina, pessoas, segurança. Mas quando a gente sente paz, acredita no propósito de Deus em nossas vidas e vê o sonho dos filhos acontecendo diante dos nossos olhos, o amor fala mais alto. Ser mãe é isso: muitas vezes abrir mão de si pra ver os filhos voarem. E eu faria tudo de novo por eles”, conta Débora.

Dia das Mães: Mãe de AtletaDia das Mães: Mãe de Atleta
Débora entre os filhos Arthur e Vitor do Vale (Foto: Acervo pessoal)

Débora cita o “lado invisível” do esporte como um dos principais desafios da vida de mãe de atleta. Cuidar da rotina, da alimentação e dar apoio emocional nos momentos de frustração quando os resultados não aparecem são tarefas diárias.

Uma dedicação completa para que os filhos se preocupem apenas com o que acontece no campo ou na pista. Com cada conquista, vem também a sensação de realização de sonho.

Se um dia eles me perguntarem: você largou seu sonho pra nos criar? Eu vou responder: criar vocês foi o meu sonho.

Débora do Vale, mãe do Arthur e do Vitor

Coração na boca a 80km/h

Os irmãos Miguel e Joaquim Emerick estão hoje entre os principais pilotos do kart brasileiro nas categorias de base. Com destaque na Copa São Paulo Light, uma das principais competições do País, a “brincadeira” é acelerar a 80km/h nos circuitos pelo País.

Do lado de fora, o que acelera é o coração da mãe dos meninos, Larize Emerick.

“Quando eles entram na pista, o coração acelera junto. Dá medo, sim. Mas também existe uma emoção indescritível em vê-los evoluindo, superando desafios e se destacando entre tantos talentos do kart brasileiro”, explica Larize.

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Larize Emerick com a família completa no pódio do Campeonato Capixaba de Kart (Foto: Acervo pessoal)

Para ela, o esporte tem papel de ajudar moldar o caráter dos filhos, com ensinamentos diários de resiliência, coragem e disciplina.

Com dois filhos na pista, o desafio maior é dividir as atenções quando ambos precisam competir ao mesmo tempo.

Nos dias de corrida, vivo emoções às quais acho que nunca vou me acostumar: risos, choros, frustrações, medo, ansiedade e uma torcida que não cabe no peito. E talvez um dos maiores desafios seja dividir o coração quando os dois correm no mesmo dia. Às vezes, um vive um resultado incrível enquanto o outro enfrenta uma frustração, e como mãe é preciso celebrar, acolher, consolar e fortalecer os dois ao mesmo tempo. Ser mãe deles é o meu maior pódio.

Larize Emerick, mãe do Miguel e do Joaquim

Mãe olímpica? Sim, elas também merecem

Keila Madeira lembra com detalhes do dia em que foi promovida a “Mãe de Atleta Olímpica”. Ela é mãe de ginasta Sofia Madeira, titular da seleção brasileira de conjunto de ginástica rítmica que competiu na Olimpíada de Paris-2024 e foi vice-campeã no Mundial do Rio-2025, feito inédito para a modalidade no País.

“Foi uma mistura de emoção, orgulho e a sensação de que toda abdicação valeu a pena. Ser mãe de atleta é viver muitos momentos de saudade, renúncias e expectativas silenciosas. Quando vi a Sofia se tornar atleta olímpica, senti que ela havia alcançado o sonho máximo de quem dedica a vida ao esporte, mas, acima de tudo, senti que todo o esforço dela tinha encontrado o seu lugar”, lembra Keila.

Dia das Mães: Mãe de AtletaDia das Mães: Mãe de Atleta
Keila Madeira com a filha, Sofia Madeira, da seleção brasileira de GR (Foto: Acervo pessoal)

A “Mãe de Atleta Olímpica” concorda que lidar com as frustrações e com as lesões são os desafios mais complicados. Mas conta que, além de cuidar, as mães de atleta também aprendem diariamente com os filhos campeões.

A Sofia me ensinou, na prática, que jamais podemos desistir dos nossos sonhos. O esporte amadureceu muito a Sofia. Ela aprendeu a se reerguer, a entender que nem sempre as coisas acontecem como planejamos e isso trouxe uma força emocional muito grande. E eu aprendo com ela o tempo todo”

Keila Madeira, mãe da Sofia

Mãe de Atleta deveria ganhar medalha?

“Eu acho que Mãe de Atleta também deveria ganhar medalha pelo nosso esforço de cada dia. Não só eu, como minha mãe também. Acho que minha mãe mais do que eu, porque ela que leva ele e traz todo dia e tá sempre com ele (risos)

Paula Padilha

“Com certeza! Porque Mãe de Atleta treina junto no emocional, na oração, na correria, no cansaço e até na ansiedade. Se existe alguém que aprende resistência e superação no esporte é a mãe também. A nossa medalha talvez não venha no pescoço, as vem no coração”

Débora do vale

Acho que toda Mãe de Atleta carrega suas medalhas no coração. A gente sofre junto, vibra junto, passa noites preocupada, sente saudade, torce, ora e acredita até quando elas mesmas duvidam. Mas a maior recompensa é ver a nossa filha representando o País e realizando aquilo pelo que tanto lutou. Então, posso contar que as medalhas da Sofia já são minhas também. Guardo todas em casa e olho sempre que sinto saudade”

Keila Madeira



FONTE: Folha Vitória


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