OPINIÃO | Espanha tem identidade, enquanto o Brasil não sabe o que faz
A camisa mais pesada do mundo. Único pentacampeão do mundo. Futebol moleque, alegre. Drible, irreverência, ousadia. Tudo isso já foi o futebol brasileiro. Não é mais.
Desde o “Quadrado Mágico” da Copa de 2006 — que foi um fracasso, por sinal —, o Brasil não encanta. Nem na convocação, nem em campo. A Seleção Brasileira busca recuperar uma identidade perdida com o passar dos anos.
Em 2010, foi o Brasil do “contra tudo e contra todos”, cheio de raiva e rancor, marca do então treinador Dunga. De 2014 pra cá, passamos a ser o Brasil que torce por Neymar. E só.
Hoje, não sabemos qual é o futebol do Brasil. Isso fica claro com as escolhas dos últimos treinadores no ciclo até a Copa de 2026, com Diniz, Dorival e Ancelotti, todos com ideias de jogo muito diferentes um das outras.

Por isso dá inveja ver a Espanha jogar. Não apenas a Espanha, mas também a França e até a Argentina. Não significa torcer por eles, mas é aquela inveja de ver um trabalho bem feito, uma ideia clara de jogo. Pode ganhar ou perder, faz parte do jogo, mas ideia está lá.
Espanha dá aula de futebol
A Espanha sofreu mais do que deveria em outras fases da Copa do Mundo de 2026, mas deu uma aula de futebol à França na semifinal. Favorita, a seleção francesa praticamente não ameaçou o goleiro espanhol. Uma situação improvável para um time com Mbappé, Dembelé e Olise.
Na semifinal, a Espanha foi a Espanha de Cucurella, de Pedro Porro, de Fabián Ruiz, de Rodri, de Dani Olmo e de Oyarzabal. Nem precisou do brilho de Lamine Yamal. E não precisou porque é um time, porque tem uma ideia de jogo e um trabalho bem desenvolvido.
Perder, hoje, não foi demérito algum para a França. A atual vice-campeã mundial não teve chance de vencer em momento nenhum do jogo. Mérito total da Espanha.
Que venha um novo ciclo
Futebol não é matemática. Você pode fazer tudo certo, do planejamento à execução, e perder por uma bola que bateu na trave e saiu, enquanto a bola do adversário bateu na trave e entrou. Faz parte. Mas quanto mais você acerta no planejamento e na execução, maiores são as chances ter resultado.
Pelos próximos quatro anos, o Brasil terá Ancelotti como treinador. Um ciclo inteiro até a Copa de 2030. Terá tempo e mão de obra para colocar em prática uma ideia de jogo bem clara. E, tomara, que tenha a cara do futebol brasileiro. Qual cara? Aquela que faz parte das nossas lembranças. Futebol moleque, alegre. Drible, irreverência, ousadia.
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