O saldo amargo dos padrinhos políticos nas urnas do ES


Eles acumulam vitórias na biografia, ostentam alta aprovação popular e exercem indiscutível autoridade nas suas bases. Ainda assim, grandes lideranças do Estado experimentaram um gosto amargo com a abertura das urnas: não conseguiram transformar o próprio capital político em vitória para os candidatos que decidiram apoiar.

A lista de apadrinhamentos frustrados nesta eleição atravessa a Grande Vitória e alcança diferentes correntes do Estado – da esquerda à direita. No campo das dinastias familiares, a resistência das urnas foi a mais ruidosa.

De pai para filho

Serginho e Vidigal (foto: reprodução redes sociais)

Com o lema “Eu votei no pai, agora vou votar no filho”, o ex-prefeito da Serra Sergio Vidigal (PDT) foi para as ruas, pediu voto, subiu no trio, mas não conseguiu eleger o filho, Serginho Vidigal (Podemos), deputado federal.

Ele teve 81.162 votos, foi o sétimo mais votado, mas a legenda não conseguiu votos suficientes para fazer duas cadeiras. Apenas o deputado federal Gilson Daniel (Podemos), que teve 107.660 sufrágios, conseguiu entrar.

O detalhe é que, em março, Serginho, que sempre foi do PDT – como o pai –, trocou de legenda justamente para ter chances de ser eleito. Foi a primeira eleição que ele disputou.

O PDT não fez chapa federal para não repetir o que já tinha ocorrido em 2022, quando Sueli Vidigal (mãe de Serginho) também ficou de fora da Câmara dos Deputados por conta da legenda – ela teve 58.251 votos.

Mesmo tendo sido o candidato a deputado federal mais votado da Serra, com mais de 60 mil votos – superando até o campeão de votos, Lucas Polese, no município – a história se repetiu e Serginho ficou sem a vaga.

Para aliados, a frustração foi grande porque a última experiência do Vidigal pai foi exitosa. Ele conseguiu fazer o sucessor – o prefeito Weverson Meireles (PDT) – que começou a campanha com 1% das intenções de voto e venceu a disputa à Prefeitura da Serra, no segundo turno, em 2024.

De pai para filha

Magno e Maguinha (Foto: Reprodução/redes sociais)

No campo da direita, o mesmo resultado. O senador Magno Malta (PL), considerado um dos grandes puxadores de votos do conservadorismo capixaba, testou os limites de sua influência ao tentar projetar a filha na disputa.

Maguinha Malta (PL), que também nunca tinha disputado uma eleição, foi lançada ao Senado pelo PL capixaba – presidido por Magno Malta. À época, algumas lideranças do partido reagiram e deixaram a legenda por não concordarem com a definição. O senador, porém, bancou a escolha.

Nos discursos dos atos de campanha, Magno sempre dizia que Maguinha era sua primogênita e que estaria preparada para a “missão”. Também fez carreatas, pedindo voto para a filha, mas ela não foi eleita.

Maguinha teve 761.722 votos – o que é uma votação expressiva para quem nunca disputou uma eleição. Porém, ela não conseguiu superar o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que teve 995.361 votos, e nem o deputado Evair de Melo (Republicanos), que alcançou 982.978 votos.

No mercado político, Magno tem fama de ser um bom transferidor de votos. Mas, dessa vez, a tentativa de chancelar um projeto familiar esbarrou em dois nomes de peso e com trajetórias consolidadas na política capixaba.

Os afilhados do prefeito

Messias Donato e Euclério

O prefeito Euclério Sampaio (MDB), que foi reeleito em 2024 com 88,41% dos votos, também não teve muita sorte nessa eleição com seus candidatos.

Em 2022, ele bancou a candidatura do aliado e ex-secretário municipal Messias Donato. O braço direito de Euclério foi eleito para a Câmara dos Deputados com 42.640 votos – à época, ele estava no Republicanos.

Porém, com o partido do lado oposto ao de Euclério, Messias trocou de legenda. Foi para o União Brasil, aumentou sua votação – 66.236 votos –, mas ficou como suplente.

A chapa da federação União Progressista foi uma das mais pesadas da eleição. Conquistou três cadeiras, porém, as vagas ficaram com o deputado Dr. Bruno Resende (União), que obteve 110.675 votos; com Da Vitória, que conquistou 107.466 votos, e com Marcelo Santos, que somou 82.365 sufrágios.

Na Assembleia, Euclério sofreu uma derrota dupla: não conseguiu eleger seu sobrinho, o deputado Denninho Silva (União), que teve 19.372 votos, e ainda assistiu à eleição de sua principal opositora na Câmara de Cariacica, a vereadora Açucena (PT), oitava mais votada para a Ales, com 35.988 votos.

Agora, no segundo turno, o desafio de Euclério será reforçar ainda mais a campanha do seu candidato a governador, Ricardo Ferraço (MDB), justamente em seu reduto eleitoral.

Em Cariacica, Ricardo ficou abaixo do esperado, com 30,61% dos votos, contra 45,19% de Lorenzo Pazolini (Republicanos). Mais do que uma diferença expressiva, o resultado coloca sobre Euclério a tarefa de mostrar força onde, desta vez, as urnas não confirmaram o peso de sua liderança.



FONTE: Folha Vitória


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