o encontro que o país precisa ouvir


*Artigo escrito por Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, juiz criminal e professor da FDV

Há momentos em que o debate público precisa sair do conforto das teorias e encarar a realidade como ela é. O Brasil Sob Ameaça, Encontro Nacional de Segurança e Combate ao Crime Organizado nasce exatamente dessa urgência: reunir quem pensa, quem decide e quem enfrenta, na prática, o avanço do crime organizado no país, nos dias 27 e 28 de abril, em Vitória.

O evento não é apenas mais um seminário acadêmico. É um chamado. Um ponto de convergência entre instituições, especialistas e lideranças que sabem que a segurança pública não pode mais ser tratada como um tema periférico.

Realizado pela FDV, pelo governo do Estado e com o apoio das principais instituições do sistema de justiça e da sociedade civil, o encontro propõe dois dias de imersão intensa, não em discursos vazios, mas em diagnósticos reais e soluções possíveis.

A programação revela isso com clareza. Já na abertura, nomes centrais do cenário institucional dividem o palco com operadores que conhecem o problema por dentro. Rodrigo Pimentel, ex-BOPE, traz uma análise direta: o Rio de Janeiro como laboratório do que pode se tornar o Brasil.

Em seguida, pretendo lançar uma reflexão incômoda e necessária: “Um tiro necessário”, tema que rompe o silêncio sobre os limites e deveres do Estado diante da violência armada.

Ao longo do evento, o público será confrontado com perguntas que poucos têm coragem de enfrentar: o que é domínio territorial armado? O Brasil já vive uma insurgência criminal? Por que ainda resistimos a tratar facções como organizações terroristas?

E mais: o encontro não se limita ao Brasil. A presença de um xerife de Los Angeles amplia o debate para experiências internacionais, trazendo lições práticas sobre combate ao crime organizado e ao terrorismo.

No segundo dia, nomes como Deltan Dallagnol, Guilherme Derrite e especialistas do sistema de justiça e da segurança pública aprofundam o diagnóstico, inclusive sobre o papel do sistema prisional na expansão das facções e sua infiltração no setor privado.

O ponto alto? A construção de uma visão de futuro. A leitura da Carta de Vitória simboliza mais do que um encerramento: é a tentativa de transformar reflexão em diagnóstico em ação.

Este não é um evento para quem busca respostas fáceis. É para quem está disposto a compreender o problema real, e fazer parte da solução.

Porque, no Brasil de hoje, ignorar o avanço do crime organizado não é neutralidade. É escolha. E este encontro é para quem decidiu não se omitir.

Vale lembrar que segurança não é assunto só de Estado, ao revés, interessa diretamente a todos, que se não compreenderem um pouco mais, não saberão cobrar dos políticos as modificações legislativas necessárias para que essa garantia das garantias constitucionais possa ser finalmente realizada polo Brasil.

Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, juiz criminal e professor da FDV. Foto: Acervo pessoal



FONTE: Folha Vitória


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