Novo vídeo mostra policiais atirando e outros agentes sem ação
Um novo vídeo mostra o momento em que o cabo da Polícia Militar do Espírito Santo, Luiz Gustavo Xavier do Vale, atira contra Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto Rocha, casal assassinado no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. As imagens, registradas por outro ângulo, indicam que outros policiais que estavam no local não intervieram durante a ação.
O casal, que mantinha um relacionamento há sete anos, foi morto a tiros no dia 8 de abril. Nas gravações, é possível observar o momento em que Francisca é atingida primeiro. Em seguida, Daniele aparece tentando se afastar ao ouvir os disparos. Ela tenta fugir, mas o cabo se aproxima e também atira contra a vítima.
As imagens também levantam questionamentos sobre a versão apresentada pelo policial, que afirmou ter agido em legítima defesa após alegar que uma das vítimas teria avançado contra ele. No entanto, o vídeo não confirma essa narrativa.
Outro ponto que chama a atenção é a postura dos demais policiais presentes na ocorrência. Eles aparecem no local durante toda a ação, mas não esboçam reação nem adotam medidas para conter o colega. Além disso, há indícios de que os militares não teriam solicitado afastamento formal do serviço naquele dia.
Segundo a apuração, o conteúdo das comunicações via rádio será analisado e transcrito para integrar o inquérito, o que pode ajudar a esclarecer a conduta dos agentes presentes.
O cabo foi preso e encaminhado ao presídio militar localizado no quartel do Comando-Geral da PM, em Maruípe, Vitória, após prestar depoimento à Corregedoria da Polícia.
Versões conflitantes
O policial alega que agiu para proteger seu filho autista, que teria sido ameaçado pelas vítimas. No entanto, vizinhos afirmam que a motivação seria uma briga antiga envolvendo a ex-esposa do militar e uma disputa por um sistema de energia elétrica.
A irmã de Francisca diz que a ex-esposa do cabo havia gritado para ele atirar no casal. “A esposa dele gritou: ‘Atira, atira, mata, mata, três vezes’”, disse.
Histórico de violência
O cabo Vale já possuía um histórico violento. Ele estava afastado do serviço de rua desde 2022, após se envolver no homicídio de uma mulher trans em Alto Lage, também em Cariacica.
A tia de Daniele se revoltou com o crime e chegou a chamar o cabo de covarde.
“Eu acho assim que foi muito covarde. Chegar até ela e falar assim: ‘Vou te levar para a delegacia, vou te prender’. Mas não se fez o que ele fez, que para mim foi muita covardia. Não devia ter feito isso”, declarou.
O cabo Vale foi preso e encaminhado ao presídio militar, no quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória. Enquanto as investigações prosseguem para esclarecer o que de fato motivou o crime, as famílias de Daniele e Francisca pedem por justiça.
*Com informações da repórter Nathália Munhão, da TV Vitória/ Record
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