Nova tropa de elite da PM do ES tem mulheres em funções decisivas contra o crime organizado


Foto: PMES/Divulgação

A criação da Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado (Cioe) reforçou a estrutura da Polícia Militar do Espírito Santo para atuar em ocorrências de alta complexidade e no enfrentamento ao crime organizado. Entre os 72 integrantes da unidade estão duas mulheres que desempenham funções estratégicas na tropa especializada.

A Cioe surgiu a partir da antiga Companhia de Operações Especiais (COE), que era vinculada ao Batalhão de Missões Especiais (BME). Com a mudança, a unidade ganhou autonomia administrativa e ampliou sua atuação, passando a concentrar esforços também no combate às lideranças de organizações criminosas.

Segundo o comandante-geral da PMES, coronel Ríodo Lopes Rubim, as duas policiais já integravam a antiga companhia e permanecem na nova estrutura por conta da qualificação técnica exigida para atuar na unidade.

É feita uma triagem com muito rigor e só vão para lá policiais realmente com perfil e com disposição para treinamento. Não é pra qualquer um. Então, sim, elas são altamente capacitadas.

Coronel Ríodo Lopes Rubim, comandante-geral da PMES

Uma das militares atua como negociadora em situações de crise, função considerada uma das mais delicadas da corporação. A outra policial trabalha na área de inteligência, produzindo informações estratégicas utilizadas em operações e compartilhadas com outras forças de segurança.

“Temos uma que é negociadora e uma outra que é da inteligência, onde produzem muitas informações para serem colocadas em prática e compartilhadas com outros órgãos para tirar os cabeças do crime de circulação”, explicou o comandante-geral.

Foto: PMES/Divulgação

Negociação em situações extremas

A policial que atua como negociadora participa de ocorrências envolvendo reféns e outras situações de crise que exigem atuação especializada. Nessas ocorrências, o objetivo principal é preservar vidas e buscar uma solução pacífica para o conflito. De acordo com o coronel Rubim, a função exige preparo técnico e emocional elevado.

“Ela conversa, começa todo o diálogo com a técnica e a formação que ela tem para mitigar aquela situação e tirar aquela pessoa das mãos desse tomador de refém. Tem que ter uma capacitação extrema e um controle emocional muito grande”, afirmou.

Segundo o comandante, profissionais dessa área passam por treinamentos específicos e precisam desenvolver habilidades de comunicação, controle emocional e tomada de decisão sob pressão.

Uma das policiais mencionadas pelo coronel Rubim é a sargento Patricia, que atua como negociadora em crises. A profissional conversou com a reportagem da TV Vitória e destacou o trabalho coletivo desenvolvido pela equipe.

A gente passou por um treinamento exaustivo e agora eu exerço a função de negociadora junto com os colegas que me ajudam bastante, a gente trabalha em equipe, é uma equipe sincronizada.

Sangento Patrícia, Policial Militar Cioe

Ela acrescentou que a tropa é acionada em ocorrências de crise que fogem da rotina, classificadas como situações de alta complexidade e imprevisibilidade. “Tem risco à vida, tem imprevisibilidade, e cada vida é importante pra gente salvar”, disse.

Mais mulheres devem reforçar a tropa

Embora a presença feminina ainda seja pequena, a expectativa da PMES é ampliar esse número nos próximos anos. A corporação prevê a formação de cerca de 500 novos soldados ainda neste ano.

Segundo o comandante-geral, parte desses policiais poderá futuramente integrar a Cioe, desde que passe pelos processos de seleção e capacitação exigidos.

“Em outubro, teremos mais mulheres, sim, na Cioe para serem preparadas e capacitadas. Certamente várias outras mulheres estarão no plantel”, afirmou.

A expectativa da PMES é ampliar gradativamente o efetivo da unidade. A meta futura é que a Cioe evolua para um batalhão especializado, fortalecendo ainda mais as ações de combate ao crime organizado no Espírito Santo.

Treinamento intenso e preparo constante

O preparo dos profissionais que atuam no Cioe inclui condicionamento físico, técnicas operacionais e controle emocional, considerado essencial para decisões tomadas em cenários imprevisíveis.

Os alvos de alta periculosidade, via de regra, são bem protegidos pelas organizações criminosas. Então, o nosso preparo tem que estar no que há de melhor no Espírito Santo, em questão de armamento, treinamento e adestramento.

Aspirante Gujanski, Policial Militar CIOE

Os exercícios simulam situações reais e buscam preparar os policiais para agir em condições extremas, nas quais qualquer erro pode comprometer vidas e o sucesso da missão.

Além do uso de equipamentos pesados, os agentes passam por avaliações em atividades verticais para medir reações diante da altura e controlar os níveis de ansiedade. O objetivo é identificar a capacidade de manter a racionalidade mesmo sob elevado estresse.

Resposta ao avanço do crime organizado

A Cioe surgiu da preocupação da PMES com o fortalecimento das facções criminosas em diferentes estados do país. A proposta é ampliar a capacidade de resposta da corporação diante de ameaças mais complexas. A unidade atua em operações especiais, gerenciamento de crises, ocorrências envolvendo explosivos, apoio em confrontos de alto risco e ações voltadas ao combate ao crime organizado.

O diferencial dessa tropa em relação a outros grupos especiais que já existiam, segundo o comandante-geral, é o foco em alcançar altas lideranças das facções criminosas. Além da atuação operacional, a companhia trabalha de forma integrada com órgãos como Polícia Civil, Polícia Federal e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Hoje, a Cioe pode ser acionada em qualquer região capixaba e até mesmo em outros estados.

*Com informações do jornalista Fernando Fully, da TV Vitória/Record.



FONTE: Folha Vitória


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