Neymar fora da Copa? Especialistas explicam gravidade da lesão

A Copa do Mundo sequer começou e a condição física de Neymar para participar do torneio já foi posta à prova. Na manhã desta quinta-feira (28), na Granja Comary, o médico da CBF, Rodrigo Lasmar, confirmou oficialmente que o camisa 10 sofreu uma lesão muscular de grau 2 na panturrilha direita.

A notícia se tornou uma interrogação junto a torcedores e à própria Seleção Brasileira: será que a lesão poderá tirar Neymar da Copa?

O ortopedista Victor Oliveira Pinheiro explica que a lesão apresentada pelo craque é considerada moderada.

Ele relata que isso significa que houve rompimento parcial de fibras do músculo, causando dor, inchaço interno, perda de força e dificuldade para correr, acelerar e mudar de direção, condições essenciais para o futebol de alto nível.

O especialista explica que o tratamento passa por cuidados desde o início, como controle da dor e do edema, fisioterapia intensiva, fortalecimento progressivo, alongamentos, recuperação da mobilidade e retorno gradual aos treinos.

“O grande risco é voltar antes da hora, pois a panturrilha é muito exigida em arrancadas e explosões, aumentando a chance de nova lesão”, explica.

Ainda de acordo com o médico, atletas de elite, como é o caso do camisa 10 do Santos, podem contar com tecnologias modernas, como o plasma rico em plaquetas (PRP).

Esse procedimento é feito a partir do próprio sangue do atleta, e o ácido hialurônico, usados em situações específicas para ajudar no ambiente de cicatrização e recuperação muscular.

Victor Oliveira Pinheiro, ortopedista

“Esse procedimento é feito a partir do próprio sangue do atleta, e o ácido hialurônico, usados em situações específicas para ajudar no ambiente de cicatrização e recuperação muscular”, relata.

Apesar disso ele alerta que recursos podem auxiliar no processo, mas não substituem a fisioterapia nem o tempo natural de recuperação do músculo.

Tempo de recuperação

O especialista explica que em geral uma lesão como a de Neymar leva de três a seis semanas para para a recuperação.

Em um atleta como ele, com estrutura médica, fisioterapia diária e controle rigoroso, o retorno pode ocorrer em torno de 2 a 4 semanas. Mas isso depende de alguns fatores, como o desaparecimento da dor e recuperação da força.

Dolorosa, mas recuperável

O ortopedista Rodrigo Soares corrobora as informações passadas por Coelho. Ele explica que os graus de lesões e suas gravidades variam muito.

As de grau 1 são geralmente leves, tratadas como microlesões. E, por conta disso, têm recuperação bastante rápida.

Já as de nível 3 são mais graves, com ruptura completa do músculo e possível necessidade de cirurgia. A lesão de Neymar está justamente no nível intermediário. Ela causa dor intensa, mas é tratável.

Apesar disso, o médico alerta que um retorno precoce aos campos pode aumentar os riscos de recaída, por conta disso, o acompanhamento de perto é extremamente recomendado.

“Na panturrilha, esse tipo de lesão exige atenção por afetar movimentos essenciais no futebol, como impulsão e mudança de direção. O retorno precoce aumenta o risco de recaída”, disse.

Outros tipos de tratamento

O fisioterapeuta Francisco Brioschi explica que a lesão do jogador costuma comprometer entre 10% a 50% de um determinado feixe da musculatura.

O principal tipo de sintoma trazido são fisgadas com presença de edema e de equimose, que é o hematoma.

Além dos tratamentos convencionais e o PRP apontados pelos médicos, o fisioterapeuta relata que outros métodos podem ser utilizados.

“O tratamento convencional pode envolver laser, agulhamento a seco, exercícios de ativação e, depois, exercícios de fortalecimento com ênfase na fase excêntrica da contração muscular. E, por fim, exercícios de força e potência”, afirma.



FONTE: Folha Vitória


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