Mulher em trabalho de parto é assaltada na Serra e caminha 1 km para pedir ajuda
O que deveria ser um dos momentos mais felizes da vida foi marcado pela violência para um casal que seguia para maternidade na Serra. A mulher, grávida de 40 semanas e em trabalho de parto, precisou caminhar cerca de um quilômetro após o crime para pedir ajuda.
Segundo o pastor Júlio Batista, ele e a esposa, Fernanda, haviam saído de casa rumo à maternidade quando uma forte chuva começou durante o trajeto, por volta das 23 horas, de domingo (28), na BR-101, na altura de Laranjeiras Velha.
“Estávamos em casa, já se preparando para dormir. Minha esposa começou a sentir contrações e decidimos ir para o hospital.”
Com um problema no limpador do para-brisa, Júlio decidiu parar o veículo às margens da rodovia para tentar resolver a situação. Foi nesse momento que dois homens se aproximaram do veículo da família.
Além do carro, os assaltantes levaram celulares, alianças, documentos, pertences pessoais e até a mala preparada para a chegada do bebê.
“Eram dois, um estava bem agressivo, outro estava bem tranquilo. Um deles falou: ‘não fala nada. Isso aqui é um assalto’. Minha esposa pegou os documentos e saiu do carro. Ele pediu para entregarmos os celulares, as alianças e para deitarmos no chão”, disse o pastor.

Grávida caminhou até encontrar ajuda
Após o assalto, o casal ficou sozinho em uma área considerada deserta. Mesmo sentindo contrações, Fernanda precisou caminhar ao lado do marido cerca de um quilômetro até um posto de combustíveis no bairro Barcelona.
No local, as vítimas conseguiram fazer contato com familiares. O sogro de Júlio buscou o casal e os levou até a maternidade.
“Eram 23h30 da noite, já tinha parado de chover. Andamos de noite, totalmente deserto. Chegamos no posto, as pessoas nos ajudaram. Um ex-policial nos ajudou e entramos em contato com meu sogro.”
Nascimento trouxe alívio após noite de terror
Cerca de 24 horas após o assalto, Fernanda deu à luz à filha do casal. Para Júlio, o nascimento da criança ajudou a transformar o sentimento de medo em gratidão.
Foi um misto de sentimentos. Estavámos muito abalados, ficamos revivendo o momento várias vezes. Fica uma revolta, porque demoramos tanto para conquistar as coisas para alguém vir e roubar. Ao mesmo tempo, ficamos gratos por estarmos vivos e nossa filha de 3 anos não estar no carro. Enquanto caminhávamos até o posto, a minha preocupação não era o carro, era minha esposa e o bebê.
Júlio Batista.
Nas horas seguintes ao roubo, amigos e familiares iniciaram uma mobilização nas redes sociais para ajudar a família a recuperar parte do que havia sido perdido.
Na segunda-feira (29), veio uma notícia que trouxe algum alívio: o veículo roubado foi localizado. No entanto, os pertences levados pelos criminosos não foram encontrados. Agora, a polícia busca identificar os responsáveis pelo crime.
“Recebemos uma ligação de um soldado da polícia que o carro foi encontrado. Mas os pertences não estavam no carro”, afirmou Júlio.
*Com informações da repórter Nathália Munhão, da TV Vitória/ Record
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