Mínimo de R$ 3.242, concursos e menos impostos: o que candidatos propõem para a economia do ES
Os cinco candidatos ao governo do Espírito Santo nas Eleições 2026 apresentam propostas para economia e trabalho que incluem salário mínimo estadual de R$ 3.242, uso de inteligência artificial, simplificação tributária, qualificação profissional e mudanças nas relações de trabalho.
As medidas constam nos planos de governo registrados pelos candidatos no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As propostas envolvem desde estímulos à indústria e ao empreendedorismo até concursos públicos, crédito subsidiado, redução da jornada semanal e programas de requalificação.
O Folha Vitória lançou a ferramenta “Comparador de Propostas”, onde o eleitor pode acessar as propostas de cada candidato em diferentes áreas e compará-las entre os concorrentes. Clique abaixo para conhecer as ideias dos postulantes ao cargo de governador do Espírito Santo.
Breno Barcelos (Missão)
Breno Barcelos concentra as propostas na criação de estruturas para estimular a atividade industrial e a geração de empregos nas comunidades. O plano também prevê a destinação de recursos a projetos voltados à produtividade da indústria capixaba.
Veja as propostas
- Criar zonas econômicas especiais nas comunidades para estimular empregos locais;
- Criar hubs industriais próximos a portos, com infraestrutura subsidiada pelo Estado;
- Priorizar recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) em projetos que elevem a produtividade industrial capixaba.
Helder Salomão (PT)
Helder Salomão propõe mudanças nas carreiras do funcionalismo estadual, expansão do crédito para empreendedoras e fortalecimento da qualificação profissional. Na área econômica, o plano prevê apoio às micro e pequenas empresas, transição energética e integração da infraestrutura logística com a política industrial.
Veja as propostas
- Realizar estudos e projetos para modernizar e estruturar os planos de cargos e carreiras do funcionalismo estadual;
- Elaborar plano de recomposição e valorização de pessoal para evitar a evasão de profissionais em áreas do Estado;
- Manter o Banestes e a Cesan como empresas públicas estratégicas;
- Ampliar a linha de crédito e microcrédito para mulheres empreendedoras, priorizando mulheres vulneráveis e vítimas de violência;
- Fortalecer a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres e o monitoramento por indicadores de violência e empregabilidade feminina;
- Fortalecer bancos comunitários de desenvolvimento, fundos rotativos solidários e microcrédito produtivo;
- Expandir programas de qualificação profissional por meio de consórcios com Senai, Senac, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com bolsa-qualificação para desempregados;
- Simplificar a abertura, a formalização e o funcionamento de micro e pequenas empresas, com salas do empreendedor em todas as regiões do Estado;
- Impulsionar a descarbonização das cadeias produtivas e a transição energética justa, com foco em economia verde, inovação e competitividade;
- Formular política integrada para portos, aeroportos, ferrovias e rodovias conectada à política industrial e ao comércio exterior.
Lorenzo Pazolini (Republicanos)
Lorenzo Pazolini defende medidas para reduzir custos tributários e de licenciamento das atividades produtivas. O plano também prevê ações para inovação, formação de mão de obra, desenvolvimento do interior e ampliação de mercados para empresas capixabas.
Veja as propostas
- Criar o Conselho Estratégico para a Transição Tributária, para mitigar impactos da reforma tributária na competitividade das empresas;
- Posicionar o Estado como destino de terceirização próximo aos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Centro-Oeste;
- Prospectar parcerias com potências do BRICS;
- Reduzir o Custo Espírito Santo, com simplificação tributária e de licenciamento, aprovação por decurso de prazo e ampliação da liberdade econômica;
- Criar o Fundo para Desenvolvimento Regional Equilibrado, voltado às microrregiões do interior fora da área de atuação da Sudene;
- Implementar o Programa Crescer, com ações de capacitação e empreendedorismo para pessoas vulneráveis;
- Fomentar produtos e serviços de base tecnológica, com foco em inteligência artificial, robótica, biotecnologia e Internet das Coisas;
- Estimular o ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação em setores como logística, rochas ornamentais, agronegócio, petróleo e gás;
- Promover a exploração sustentável do espaço marítimo por meio da “economia azul”, para criar frentes de emprego e renda;
- Integrar educação, ciência, tecnologia e formação de talentos, aproximando instituições de ensino, centros de pesquisa e setor produtivo;
- Alinhar o ensino técnico e superior às demandas dos setores econômicos, considerando inteligência artificial e automação;
- Promover capacitação contínua para trabalhadores em profissões criadas pela transformação digital e pela inteligência artificial.
Rafael Demuner (Unidade Popular)
Rafael Demuner propõe um salário mínimo capixaba de R$ 3.242,00, redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1. O plano também reúne medidas de ampliação do serviço público, mudanças tributárias, crédito subsidiado e reestatização de empresas.
Veja as propostas
- Criar o mínimo capixaba de R$ 3.242,00;
- Reduzir a jornada para 36 horas semanais e encerrar a escala 6×1;
- Promover valorização permanente dos servidores;
- Abrir concursos públicos para substituir progressivamente vínculos precários e terceirizações nos serviços estaduais;
- Criar Frentes Estaduais de Trabalho para obras públicas e concursos;
- Priorizar a contratação de trabalhadores que morem nas regiões onde grandes obras públicas forem realizadas;
- Criar política estadual de geração de emprego para a juventude, com formação profissional e integração às frentes de trabalho;
- Proibir sites de apostas e bets para combater o endividamento popular;
- Garantir igualdade salarial entre homens e mulheres, com fiscalização das relações de trabalho e punição a empresas que pratiquem discriminação salarial ou profissional;
- Criar linhas de crédito subsidiadas para pequenos agricultores, cooperativas, pequenos comerciantes, economia solidária e produção habitacional;
- Reestatizar a Escelsa, a ES Gás e a Codesa, além de manter a Cesan 100% pública e sem terceirizações;
- Exigir plebiscito para qualquer privatização e realizar auditoria de concessões;
- Isentar de ICMS os itens da cesta básica, incluindo carne, café, óleo e açúcar;
- Aumentar o imposto de exportação sobre commodities e minérios, priorizando o abastecimento do mercado interno;
- Criar impostos progressivos estaduais, com cobrança proporcionalmente maior para quem possui mais riqueza;
- Adotar política industrial voltada a setores estratégicos, com financiamento, estímulo à contratação, pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologia.
Ricardo Ferraço (MDB)
Ricardo Ferraço propõe o uso de inteligência artificial para mapear oportunidades de investimento e demandas de mão de obra no Espírito Santo. O plano também prevê programas de requalificação profissional, expansão da economia do mar, fortalecimento da indústria e atração de empresas de serviços navais.
Veja as propostas
- Lançar plataforma de geolocalização com inteligência artificial para mapear oportunidades e conectar investidores a ativos disponíveis no Estado;
- Ampliar a atuação da NOVA ES na prospecção e estruturação de projetos no modelo One Stop Shop;
- Implantar o Mapa Capixaba das Profissões do Futuro, identificando demandas regionais por mão de obra e orientando a formação técnica;
- Criar programa estadual de requalificação profissional para trabalhadores acima de 40 anos;
- Implantar Trilhas de Requalificação Digital, ou reskilling, para profissionais afetados pela automação industrial;
- Manter o Programa CNH Social para formação, qualificação e habilitação de condutores em situação de vulnerabilidade social;
- Implementar o Programa Meu Projeto de Vida, com orientação vocacional, mentoria, educação financeira, apoio psicossocial e preparação para o trabalho e o empreendedorismo;
- Integrar o programa aos Centros de Referência das Juventudes (CRJs), à Secretaria de Estado da Educação (Sedu), ao Ifes, à Ufes, ao Sistema S e ao Qualificar ES;
- Organizar uma carteira de projetos da economia do mar e conectá-la a crédito, financiamento, inovação, incentivos e atração de investimentos;
- Consolidar e expandir parques logísticos no território capixaba;
- Mapear fornecedores em torno de grandes âncoras industriais, com referência ao modelo da montadora GWM em Aracruz para atrair indústrias acessórias;
- Acelerar a sofisticação produtiva da agroindústria de café, rochas ornamentais, metalomecânica, indústria de madeira e química, com financiamento do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e do Fortec;
- Fortalecer o Fundo de Descarbonização para modernização da indústria capixaba e desenvolvimento de projetos de carbono;
- Atrair empresas de serviços navais para reparação, descomissionamento de plataformas marítimas e logística portuária.
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