Meneguelli: “PSD tem tamanho para caminhar sozinho”


Sergio Meneguelli / crédito: Lucas Costa

Como quem defende a própria pele, ou melhor, a própria candidatura, o deputado estadual Sergio Meneguelli (PSD) reagiu às especulações em torno de uma possível aliança entre PL e Republicanos no Estado.

Em entrevista à coluna De Olho no Poder na última sexta-feira (10), o deputado – já pressentindo o que pode vir a acontecer –, se antecipou e disse que vai lutar até o último segundo pela sua candidatura ao Senado, que o PSD não deve obediência às decisões de outros partidos e que a sigla tem tamanho para caminhar sozinha, se for necessário.

Na semana passada, caciques do PL e do Republicanos se reuniram em Brasília e em Vitória para tratar de uma eventual dobradinha nacional e estadual.

Em discussão, o apoio ao presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), à pré-candidata ao Senado do PL, Maguinha Malta, ao pré-candidato do Republicanos ao governo do Estado, Lorenzo Pazolini, e os nomes para a vaga de vice.

Até o momento, nenhum martelo foi batido. Nos bastidores, no entanto, ganha força a avaliação de que, numa eventual coligação, o PL poderá assumir o protagonismo, priorizando seus nomes e candidaturas em detrimento dos já colocados pelo PSD – primeiro partido que declarou apoio a Pazolini e que tem, entre outros nomes, o de Meneguelli para a corrida ao Senado.

Ouvi que se tiver acordo (entre PL e Republicanos), o PSD fica com a vice. Quem combinou isso? Não foi combinado com a gente, não podem interferir nas nossas decisões. Acho que foram muito soberbos. O PSD foi o partido que mais cresceu na última eleição, que mais fez prefeitos, que mais filiados ganhou. Acho que estão esquecendo que temos tamanho para caminhar sozinhos, se for preciso – não estou dizendo que será assim –, mas nós não temos que obedecer o que o Magno Malta e o Erick decidem”, disse Meneguelli, afirmando ter como base o que acompanhou pela imprensa.

Segundo ele, o partido tem estrutura para lançar chapa completa. “Temos fôlego para ter candidaturas próprias. Nós temos nomes que podem ser candidatos a governador e até para lançar dois senadores. Quem dita as normas e como iremos caminhar é a família PSD”.

Para o PL, a eleição de Maguinha ao Senado é tratada como prioridade. Por isso, nos bastidores, há relatos de pressão para que a chapa da qual ela participe não tenha outro candidato com potencial competitivo.

Sob essa lógica, a pré-candidatura de Meneguelli seria encarada como um risco de divisão de votos dentro do próprio grupo político, ainda que, nesta eleição, estejam em disputa duas cadeiras para o Senado.

Meneguelli não está disposto a recuar: “Não abro mão da minha candidatura a senador (…) Eu vou lutar até o último segundo para ser candidato, tenho o direito de disputar”.

PSD assegurou a candidatura ao Senado?

Renzo, Meneguelli e Kassab (foto: divulgação)

O deputado afirmou que não conversou ainda com a direção do seu partido após o início das tratativas entre PL e Republicanos, mas que não houve mudança nos planos. Questionado se sua candidatura ao Senado estaria assegurada pelo PSD, ele respondeu:

“Isso foi assegurado desde que me filiei. Pelo que conheço do meu partido, eles não tomariam uma decisão dessa, de não lançar candidato a senador, sem conversar comigo. Nada foi conversado”, afirmou Meneguelli, que fez referência a 2022.

Os mesmos personagens que puxaram meu tapete nas últimas eleições parecem querer agora interferir para que eu não seja candidato. Minha candidatura, da vez passada, foi interrompida para favorecer Magno Malta. E agora querem interromper para favorecer a filha?”, questionou Meneguelli.

Em 2022, Meneguelli era pré-candidato ao Senado pelo Republicanos quando, três dias antes da convenção do partido, teve sua candidatura ao Senado retirada pelo comando nacional da legenda.

À época, numa entrevista exclusiva à coluna De Olho no Poder, Meneguelli disse que o então presidente do Republicanos no Estado, Roberto Carneiro, teria lhe mostrado uma mensagem com a decisão do comando nacional do partido para retirar sua candidatura.

“O Roberto recebeu uma mensagem do presidente (Marcos Pereira), dizendo que era para arranjar um plano B pra mim, que o Presidente da República (Jair Bolsonaro) queria eleger Magno Malta. Foi o Roberto que me passou e ele mostrou que recebeu uma ligação”, disse Meneguelli, na ocasião.

Na época, Magno Malta e Roberto Carneiro negaram tal versão. Interlocutores do Republicanos disseram à coluna que a candidatura de Meneguelli ao Senado foi retirada por divergências ideológicas e por falta de segurança de que ele seria leal ao partido.

Meneguelli disse não acreditar que passará pela mesma situação novamente, mas não deixou de alfinetar o senador Magno Malta pelas supostas articulações.

Não acredito que seja isso e nem acredito que Magno queira isso. Ele diz ser um democrata e isso não é coisa de democrata, é coisa de déspota. Ainda mais querer decidir por outro partido. Eu só vi isso através de jornais, não sei se esse acordo é verdadeiro, eu só sei que isso não foi combinado com o PSD, isso eu posso te garantir”, cravou Meneguelli.

Desde a semana passada, a coluna tenta contato com o presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, porém, sem sucesso.

Apelo por união no Estado

Maguinha, Magno, Pazolini e Erick em reunião em Santa Maria de Jetibá, em 2025 (foto: PL/ES)

No sábado (11), o presidente do Republicanos capixaba, Erick Musso, divulgou uma nota conclamando os partidos e lideranças que fazem oposição ao atual governo estadual a deixarem as divergências de lado e se unirem em torno de um projeto comum.

“Arregaçar as mangas e deixar de lado as possíveis diferenças. É com essas palavras do presidente Bolsonaro, que li hoje em sua carta ao povo brasileiro, que renovo um chamado aos capixabas, aos partidos e às lideranças do nosso Estado, para que juntos possamos construir um novo tempo”, escreveu, sem citar nomes ou partidos.

De acordo com sua assessoria, a “manifestação reforça o posicionamento de Musso em defesa da construção de uma frente ampla entre os setores de oposição ao atual governo estadual, com foco na elaboração de um projeto político comum para as eleições de 2026”.

A nota foi lida no mercado político como um indicativo de que, se dependesse de Erick, o namoro com o PL prosperaria para o casamento. Mas, tem outras peças em jogo.

Nacional põe o pé no freio

Pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Flávio Bolsonaro (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

Um dia após a manifestação de Erick (ontem), o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, divulgou uma nota à imprensa negando que tenha fechado apoio a Flávio Bolsonaro – a manifestação veio após um veículo de imprensa nacional cravar que o apoio já estaria selado.

Além da negativa, Pereira disse que, numa sondagem à bancada paulista, detectou “um sentimento de frustração à pré-candidatura de Flávio e uma indicação de preferência pela neutralidade nestas eleições”.

Ele não fechou as portas, mas sinalizou qual deve ser a tendência do partido, uma vez que a sondagem foi realizada no estado onde o Republicanos governa e tem seu maior peso.

Embora a decisão fique a cargo da convenção nacional do partido e não inviabilize as tratativas nos estados, uma neutralidade do Republicanos em âmbito nacional dificulta e muito uma dobradinha do partido com o PL nas regionais.

Não só dificulta, como aumenta o passe do PL, que poderia chegar com muito mais exigências para a mesa capixaba de negociações. A conferir.

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FONTE: Folha Vitória


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