Meneguelli e PSD adiam para o 2º turno definição sobre apoio na disputa ao governo do ES
O deputado estadual Sergio Meneguelli e a direção do PSD capixaba decidiram empurrar para o segundo turno qualquer definição de apoio na disputa ao Governo do Estado.
Até o dia 4 de outubro, o partido e o candidato ao Senado continuarão com a postura de neutralidade, definida na convenção partidária pelo presidente estadual da legenda, o prefeito Renzo Vasconcelos.
“Renzo já declarou que nesse primeiro turno nós vamos ficar neutros para governador. E eu estou alinhado com o presidente. Ficou combinado, no partido, que a gente agora vai fazer a nossa campanha e aí, no segundo turno, vamos sentar e escolher o nosso candidato”, disse Meneguelli à coluna De Olho no Poder.
A primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, fez coro: “Renzo só deve decidir no segundo turno. Acho que, pelo andar da carruagem, pelo foco que estamos na campanha do Sergio, essa decisão fica mais para frente”.
Renzo foi procurado, mas não retornou aos contatos da coluna.
Estratégia
A opção pela neutralidade na primeira etapa do pleito é estratégica e pragmática, tanto para Meneguelli quanto para Renzo.
Primeiro porque permite ao deputado preservar seu eleitorado que é heterogêneo e pulverizado. Meneguelli tem eleitores de esquerda, centro e direita, apoiadores de Helder Salomão (PT), Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Tomar partido, a essa altura do campeonato, significaria fechar portas desnecessariamente na corrida ao Senado, que tende a ser uma das mais acirradas das últimas eleições.
Segundo porque, um posicionamento apenas no segundo turno dá a chance para o presidente do partido avaliar o desenho das forças políticas no Palácio Anchieta. E esse cálculo é vital para Renzo.
À frente da Prefeitura de Colatina desde o ano passado e, pelo menos, até 2028, Renzo precisa construir pontes para captar recursos do Estado e tirar projetos de sua campanha do papel.
Ficar “em cima do muro” agora – e talvez até no segundo turno – poderá facilitar a vida do prefeito para negociar com quem quer que chegue ao Palácio Anchieta.
Idas e vindas
Vale lembrar que a trajetória de Renzo no tabuleiro estadual é sinuosa. Eleito em 2024 em uma disputa apertada contra o então prefeito Guerino Balestrassi – nome chancelado pelo Palácio Anchieta –, o prefeito iniciou a gestão com uma postura independente.
Com o tempo, contudo, estreitou laços com Pazolini, chegando a ensaiar uma aliança formal com o ex-prefeito da Capital nas eleições deste ano. Pazolini é o principal adversário do grupo que ocupa hoje o Palácio Anchieta.
O casamento entre o PSD e a coligação do Republicanos só naufragou porque o grupo de Pazolini resistiu em abrir espaço para que Meneguelli disputasse o Senado.
O Republicanos chegou a oferecer a vaga de vice para Lívia, mas as candidaturas ao Senado já estavam fechadas com os nomes de Maguinha Malta (PL) e Evair de Melo (Republicanos).
Fiel ao compromisso de bancar a candidatura majoritária do deputado que o apoiou de forma decisiva na eleição de 2024 – e para não correr o risco de Meneguelli se voltar contra ele em 2028, na eleição municipal –, Renzo retirou o partido do bloco, bancou a candidatura majoritária e declarou neutralidade.
Mas, a opção de caminhar solo não foi a primeira alternativa de Renzo e do PSD.
Antes, ele tentou uma aliança com o governador Ricardo Ferraço (MDB) e chegou a ir ao encontro do candidato à reeleição.
Entretanto, a parceria também esbarrou na candidatura ao Senado – o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e a ex-senadora Rose de Freitas (MDB) já ocupavam as duas vagas da chapa e não havia espaço para Meneguelli.
Vai conseguir manter?
Na convenção partidária, Meneguelli chegou a dizer que, de maneira informal, poderia apoiar Pazolini – a quem rendeu elogios – ao governo do Estado, caso o presidente do partido apontasse para esse caminho.
Renzo, à época, foi questionado sobre em quem votaria para governador, mas desconversou. Disse que se reuniria com os candidatos e que definiria mais à frente.
Embora seja conveniente e cômodo manter a neutralidade, a postura, no entanto, exige um jogo de cintura constante.
Na medida em que a campanha esquenta, a pressão sobre o PSD – e especialmente sobre Renzo e Meneguelli – para que escolham um lado tende a aumentar.
Resta saber se a dupla vai conseguir se equilibrar no muro ou se será forçada, pelas circunstâncias, a subir em um dos palanques e tomar posição antes da abertura das urnas.
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