Medalhista paralímpica capixaba decide amputar a perna: “Ganho de liberdade”
A atleta paralímpica capixaba Luiza Fiorese, de 29 anos, anunciou que vai amputar uma das pernas após anos de dores, complicações e tratamentos decorrentes de um câncer diagnosticado na adolescência. Ela informou a decisão em publicação nas redes sociais e a cirurgia está marcada para esta quarta-feira (23), em um hospital de São Paulo.
Natural de Venda Nova do Imigrante, Luiza integra a seleção brasileira de vôlei sentado, conquistando a medalha de bronze nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2020, e a medalha de ouro no Mundial da Bósnia, em 2022. Além disso, participou dos jogos de Paris, em 2024, e é jornalista.
Segundo ela, a escolha ocorreu após conversas com familiares, noivo e médicos, diante das dificuldades enfrentadas desde uma cirurgia realizada em junho.
Eu escolhi amputar minha perna e, sim, eu escolhi porque eu tinha outras opções e preferi isso. E eu não estou vendo isso como perda, eu estou vendo como um ganho de liberdade.
Luiza Fiorese, atleta paralímpica
Aos 15 anos, a capixaba teve osteossarcoma no fêmur esquerdo e passou por uma cirurgia para substituir parte dos ossos da perna por uma endoprótese. A estrutura é uma prótese interna usada para substituir uma parte do osso afetado.
Decisão ocorreu após complicações
No vídeo, Luiza relatou que retirou a prótese em 17 de junho para colocar um espaçador, estrutura temporária prevista antes da instalação de uma nova endoprótese. Segundo ela, o espaçador quebrou durante o período de recuperação, deixando a perna mais curta e causando dores e contraturas.
Luiza contou que o médico apresentou duas possibilidades: colocar uma nova endoprótese, com a necessidade de outra cirurgia no futuro, ou realizar a amputação. A atleta afirmou que decidiu pelo procedimento considerando os planos pessoais que mantém para os próximos anos.
“Eu tomei essa decisão para a Luiza do futuro também, que quer viajar, casar, ter filho e fazer tantas coisas ainda“, disse.
Na legenda da publicação, a atleta relatou que ficou três meses distante das redes sociais para refletir sobre a decisão. Ela também mencionou dores, uso de medicamentos, cancelamento de planos e consequências de uma infecção, sem detalhar o diagnóstico ou o tratamento.
O que é o osteossarcoma?
O osteossarcoma é um tipo de câncer ósseo que costuma surgir em crianças, adolescentes e adultos jovens. Ele se desenvolve a partir das células que formam o tecido ósseo e aparece principalmente nos ossos longos, como o fêmur.
A doença pode provocar dor e inchaço na região afetada e, em alguns casos, limitar os movimentos. O tratamento depende de fatores como localização e extensão do tumor e pode envolver quimioterapia e cirurgia para retirar o câncer.
Quando é necessário remover uma parte significativa do osso, podem ser utilizadas técnicas de reconstrução, incluindo endopróteses, como ocorreu no caso de Luiza.
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