Justiça mantém presos guardas suspeitos de desviar drogas no ES

Os guardas municipais Iuri Souza Silva, Antônio Nélio Jubini Renato Messias, tiveram as prisões temporárias convertidas em preventivas em decisão da Justiça do Espírito Santo. Eles estavam presos desde março, suspeitos de desviar drogas para a facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV), atuantes na Grande Terra Vermelha.

Segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), uma quarta pessoa também foi presa.

Segundo o MPES, Iuri é ex-comandante da Guarda Municipal de Vila Velha e é apontado como peça-chave na investigação, com indícios de envolvimento direto com a organização criminosa.

Além das prisões, a Justiça determinou a manutenção do afastamento funcional dos guardas municipais envolvidos, com suspensão do porte de arma, distintivo e acesso a sistemas institucionais, como medida cautelar voltada à preservação da instrução processual e à prevenção de novas irregularidades.

No total, seis pessoas foram denunciadas pela prática de crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, peculato, prevaricação e violação de sigilo funcional.

Como funcionava o esquema?

Segundo a denúncia, os três guardas municipais utilizavam o cargo para desviar drogas e valores de apreensões policiais em troca da não realização de operações e do vazamento de informações sensíveis, entre outras irregularidades.

Conforme apurado, os agentes deixavam de registrar formalmente parte das drogas e valores apreendidos, destinando o material à revenda no mercado criminoso ou ao consumo de outros investigados.

A investigação também identificou uma rede paralela de informantes, que recebia porções de entorpecentes desviados como forma de pagamento por informações estratégicas sobre o tráfico, armamentos e rotinas de grupos criminosos.

Um dos guardas se destacava como gestor da logística financeira e material dessa rede, controlando repasses e supervisionando o esquema de desvio de drogas apreendidas em serviço.

Esse agente teria acessado sistemas de segurança pública, revelando a terceiros informações sigilosas obtidas, o que configurou, segundo o MPES, crime de violação de sigilo funcional em sua forma qualificada.

Em relação a uma das denunciadas, que não integra a Guarda Municipal, foram mantidas medidas cautelares diversas da prisão, por ser mãe de dois filhos com menos de 18 anos.

Um sexto denunciado, também sem vínculo com o serviço público, não teve prisão preventiva decretada nesta ação penal, a pedido do MPES.

Quem são os investigados

Ao todo, nove pessoas estão sendo investigadas:

  • Iuri de Souza Silva – preso.
  • Barbara Bastos Rodrigues – prisão domiciliar desde 23/04/2026.
  • Arlis Schmidt – transferido para o Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar.
  • Renato Alexandre Alves Messias – preso.
  • Antonio Nelio Jubini Rangel – preso.
  • Washington Luiz Machado Junior – está no CDP da Serra.
  • Kaio Salles Bastos.
  • Driele Ferreira.
  • Wesley Santos Guedes – transferido para o Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar.
Operação Telic

A Operação Telic foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO Central).

As investigações começaram em 2024, quando o Ministério Público já monitorava a atuação da facção. Com o avanço das apurações, especialmente por meio de interceptações telefônicas, os promotores chegaram ao núcleo formado por guardas municipais e advogados.

O Folha Vitória busca contato com as defesas dos presos na operação. Este texto será atualizado assim que houver manifestação.



FONTE: Folha Vitória


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