Joias vão além do luxo e se tornam símbolo de histórias


Há peças que brilham pelos quilates. Outras, pelo design. Mas, no universo do luxo contemporâneo, as joias mais valiosas são aquelas que carregam histórias. É que o consumidor busca cada vez mais propósito, exclusividade e conexão e, assim, as joias deixaram de ser apenas objetos de desejo para se tornarem símbolos de memória, identidade e afeto.

Um exemplo disso é a psicopedagoga Monica Moraes de Oliveira: “Para mim, joias têm que ter um significado: uma conquista, uma lembrança, uma pessoa, um momento especial. Elas acabam se tornando extensões da nossa própria trajetória, como se fossem pequenas guardiãs de memórias. É isso que dá valor de verdade: a simbologia que criamos”.

Herança emocional

Nesse contexto, a joia assume um papel que vai além da estética. Ela se transforma em herança emocional, em objeto que atravessa gerações. Para a consultora de imagem profissional Janaina Gurgel, a joia é uma extensão da identidade:

“Ela se torna um elemento de imagem pessoal, carregando memória, afeto e valores. Quando o consumidor escolhe uma peça pelo significado, pelo design autoral ou pela história por trás da criação, ele comunica propósito e posicionamento. Uma joia bem escolhida fala sobre quem você é, o que acredita e como deseja ser percebido, por isso, tende a ser durável, fazer parte do seu estilo pessoal e representar um consumo mais consciente. Afinal, uma joia pode ser usada a vida toda e ainda virar uma herança”, disse.

Janaina Gurgel, consultora de imagem profissional. Foto: Acervo pessoal

Assim, o luxo passa a ser definido pela narrativa: quem criou, por que foi criada, o que ela representa e qual história vai contar.

“A High Jewellery ou alta joalheria traz em suas criações um alto nível de expertise, raridade e valor agregado. Marcas com identidade forte e estilos bem definidos carregam valor artístico, histórico e cultural relevantes, exclusivos e atemporais. Definem um estilo, geram experiências que surpreendem não só pela beleza, mas pela exclusividade e raridade”, destaca Dorion Soares, especialista em alta joalheria, com participação há mais de 20 anos no mercado internacional.

Design autoral, personalização e sofisticação afetiva

E, nesse conceito, quais seriam as tendências para 2026? O mercado de joias reflete este ano justamente essa valorização clara do design autoral e da exclusividade com propósito.

“A alta joalheria segue em seu caminho muito bem definido e distinto, com forte identidade e exclusividade, criações emblemáticas, sempre explorando a raridade e diversidade das gemas de cor com qualidade, e diamantes, inclusive diamantes brown e fancy, apostando na raridade da Turmalina Paraíba, essa cada vez mais escassa e cobiçada”, explica Dorion Soares, conhecido por sua sofisticação e precisão no universo das joias.

Dorion Soares, conhecido por sua sofisticação e precisão no universo das joias. Foto: Acervo pessoal

Além disso, ele ressalta que o ano de 2026 aponta para uma tendência de joias mais ousadas. Colares e brincos maiores, uso dos braceletes e colares alongados.

“Os tassels (ou pingentes de franja), como sempre, estão em alta, bem como os multianeis e as peças com gravação inglesa, que conferem um ar contemporâneo. As joias vintage são sempre um ponto alto, que traduzem personalidade. Destaque também para joias com gemas coloridas”, comenta Dorion.

Além disso, o mercado global sugere para este ano um design orgânico e formas naturais, com linhas fluidas, curvas suaves e inspirações na natureza, trazendo uma estética mais sensorial, menos rígida e mais conectada à ideia de permanência e autenticidade.

Foto: Acervo pessoal

O mix de metais nobres, combinando ouro amarelo, branco e rosé na mesma peça também segue em alta, criando contrastes elegantes e contemporâneos, além de ampliar possibilidades de styling.

O fato é que, em um mundo de consumo cada vez mais rápido, as joias seguem no caminho oposto: são feitas para durar, para atravessar o tempo e para carregar, junto ao brilho, aquilo que não se mede em quilates: a memória, o afeto e a identidade de quem as usa.

Janaina Gurgel, consultora de imagem



FONTE: Folha Vitória


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