Influenciadores trumpistas impulsionam Flávio Bolsonaro com posts pagos no X


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil e Isac Nóbrega/PR

Uma série de influenciadores alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou anúncios pagos no X, antigo Twitter, para divulgar a alta de Flávio Bolsonaro (PL) nas apostas da Polymarket, plataforma americana bloqueada no Brasil desde abril.

Um levantamento da Folha de S. Paulo identificou ao menos 11 contas entre sexta (18) e segunda-feira (21).

A Polymarket opera como um mercado de previsão, em que usuários apostam no resultado de eventos futuros, como as eleições brasileiras. Nas publicações, os perfis exibiram gráficos da plataforma e, em alguns casos, mensagens elogiosas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os anúncios traziam o rótulo de “parceria paga”, mas não identificavam quem financiou as publicações. A imprensa americana já informou que a Polymarket contrata influenciadores para divulgar a empresa e conteúdos relacionados às apostas.

A legislação eleitoral proíbe o impulsionamento de propaganda de candidatos por terceiros e também veta doações, em dinheiro ou estimáveis, de entidades estrangeiras. Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro informou que não tem conhecimento sobre os anúncios.

Entre os perfis que veicularam o conteúdo está o do ex-deputado republicano Matt Gaetz, que tem 3,4 milhões de seguidores. “Flávio pode salvar o Brasil. Este é o grande prêmio nas Américas”, escreveu Gaetz em uma publicação nesta segunda-feira.

Outro perfil citado no levantamento é o da UHN Plus, que reúne 1,2 milhão de seguidores e publica conteúdos de direita em espanhol. A conta informa no X que é “movida” pela Polymarket, enquanto a empresa associada a ela está registrada na Flórida sob o nome UHN Plus Media Network, INC.

O vice-presidente da empresa é o espanhol Javier Negre, que foi sócio do consultor político argentino Fernando Cerimedo no site La Derecha Diario. Cerimedo é amigo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e já admitiu o uso de robôs em redes sociais, segundo a Folha de S. Paulo.

Ele foi preso acusado de ter ordenado o assassinato da então companheira, Nadia Beller, em agosto, na Bolívia. Ela sobreviveu e relatou a Folha de S. Paulo que o argentino afirmou que lutaria pela eleição de Flávio, que ele se encontrou com Eduardo no início de agosto. Beller também disse que Cerimedo trabalhou na eleição de Jair Bolsonaro em 2022.

O influenciador americano George Behizy, seguido pelo próprio Flávio Bolsonaro no X, também publicou um anúncio pago sobre a Polymarket no domingo (20). Ele afirmou, sem apresentar provas na publicação, que Lula tentaria “subornar os eleitores” com benefícios sociais e citou uma suposta mudança política no hemisfério Ocidental.

Antes da sequência de anúncios registrada no fim de semana, Behizy já havia divulgado conteúdo semelhante em março. Na ocasião, ele publicou que Flávio aparecia à frente de Lula (PT) na Polymarket e mencionou pesquisa da AtlasIntel.

A empresa americana Politico informou em junho que a Polymarket pagou ao menos US$ 350 mil, o equivalente a R$ 1,8 milhão, a influenciadores e criadores de conteúdo entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026.

Em agosto, os senadores americanos Alex Padilla e Mark Warner cobraram explicações da Polymarket e da empresa Kalshi sobre pagamentos a influenciadores que divulgariam informações falsas.

Donald Trump Jr., filho do presidente americano, atua como conselheiro nas duas empresas de apostas. A 1789 Capital, companhia de investimentos da qual ele é sócio, investiu cerca de US$ 500 milhões, ou R$ 2,5 bilhões, na Polymarket, segundo o The New York Times.

O fundador da Polymarket é Shayne Coplan. Segundo o jornal The Wall Street Journal, ele tentou promover sua empresa com os partidos Republicano e Democrata, tendo mais sucesso com o primeiro.

Na convenção nacional de 2024 dos republicanos, o jornal afirmou que Coplan sentou-se ao lado do filho de Trump e de Omeed Malik, fundador da 1789 Capital. Depois da eleição do presidente americano, o dono da Polymarket participou de um encontro de uma rede de doadores aliada a Trump, a Rockbridge, que tem entre seus fundadores o vice-presidente J.D. Vance.

Em maio de 2026, a empresa Rockbridge Brazil foi registrada no estado americano de Wyoming, conforme revelou o site Amado Mundo. O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirma que empresários brasileiros articularam financiamento da rede americana para a campanha de Flávio Bolsonaro, mas ainda não apresentou evidências materiais que comprovem a denúncia.

*Com informações da Folha de São Paulo.



FONTE: Folha Vitória


Descubra mais sobre Pauta Capixaba

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.