Fuzil é encontrado em armário durante operação de combate a venda ilegal de armas na Grande Vitória
Um fuzil Colt calibre 5,56 foi encontrado dentro de um armário durante a Operação Fogo Cruzado, deflagrada pela Polícia Civil, nesta sexta-feira (16), para combater o comércio ilegal de armas na Grande Vitória. Até o momento, a ação prendeu cinco pessoas e cumpriu mandados em Cariacica e Vitória.
A operação é um desdobramento das investigações sobre o homicídio do comerciante Jonathan Carvalho dos Santos, de 34 anos, ocorrido em 14 de junho, no bairro Canaã, em Viana. A Polícia Civil informou que dados extraídos do celular de um investigado no crime apontaram uma rede de negociação de armas, munições e acessórios por aplicativos de mensagens.
Coordenada pelo chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Viana, delegado Cleudes Junior, a operação mobilizou cerca de 80 agentes.
Participaram equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Guarda Civil Municipal de Viana (GCMV), Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar, Polícia Penal e Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
Armas escondidas em residências
As equipes cumpriram dez mandados de busca e apreensão, sendo nove em Cariacica e um em Vitória, além de dois mandados de prisão temporária. Segundo a Polícia Civil, foram apreendidos um fuzil, duas pistolas, um revólver, munições, dinheiro e radiocomunicadores.
O fuzil foi localizado no bairro Resistência, em Vitória, dentro de um guarda-roupa. Conforme o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, a arma estava municiada e tinha um carregador com capacidade para 40 projéteis.
“Esse fuzil mesmo foi encontrado escondido dentro de um armário, inclusive com carregador lotado de munições de fuzil calibre 5,56”, destacou.
De acordo com Jordano Bruno, os investigados mantinham o comércio ilegal dentro de residências, sem lojas físicas, para tentar ocultar os armamentos.
“As investigações apontam que havia uma comercialização a partir de redes sociais, grupos de mensagens de aplicativos e ali eles trocavam informações, ofereciam armas, ofereciam munições, efetuavam pagamento e recebiam por esse armamento”, afirmou o delegado-geral.
Celular levou a suspeitos
A investigação começou após a prisão temporária de Renan Jesus Vicente, apontado pela Polícia Civil como autor do homicídio de Jonathan. Os investigadores apreenderam o celular dele e, após autorização judicial para analisar o conteúdo, encontraram mensagens que indicariam a atuação de uma organização voltada à venda de armas e munições havia quase dois anos.
Segundo Cleudes Junior, Renan atuaria como intermediário quando outras pessoas buscavam armas ou munições. As conversas levaram a pelo menos dez alvos considerados relevantes pela polícia, localizados em Viana, Cariacica e Vitória.
Entre os presos estão dois alvos dos mandados de prisão temporária, segundo a Polícia Civil. Um deles é apontado como responsável por modificar armas de fogo e teria feito manutenção na arma usada no homicídio de Jonathan; o outro é investigado por armazenar armamentos.
Homicídio motivado por dívida
A Polícia Civil informou que concluiu o inquérito sobre a morte de Jonathan e apontou uma dívida de R$ 500 relacionada a alto-falantes como motivação do crime. Segundo a investigação, Jonathan e Renan eram amigos e mantinham conversas anteriores ao assassinato.
Ainda conforme o delegado, Renan teria tentado encontrar Jonathan uma semana antes do homicídio, mas não localizou a vítima. No dia do crime, ele teria visto uma publicação feita por Jonathan em uma rede social e seguido até a praça onde o comerciante estava, no bairro Canaã, em Viana.
A Polícia Civil indiciou Renan pelo homicídio e também indiciou a companheira dele, Sheyla Vitória de Oliveira, como partícipe, segundo Cleudes Junior. A investigação aponta que ela forneceu a arma usada no crime e que o armamento ficava na residência dela.
“Com as extrações, nós conseguimos analisar e encontrar não só a arma que era da propriedade dela, como também a arma que ela havia presenteado para o Renan”, afirmou Cleudes Junior.
Os envolvidos no homicídio estão presos preventivamente, de acordo com a Polícia Civil. As equipes continuavam nas ruas nesta sexta-feira (16), e o resultado final da Operação Fogo Cruzado ainda será divulgado pela corporação.
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