Família de universitária morta em acidente quebra silêncio


Familiares da universitária Sara Gimenes Torres, que morreu em um acidente na Rodovia Leste-Oeste, em Cariacica, no último dia 21, falaram pela primeira vez à imprensa sobre a morte da jovem. Eles pediram justiça e contaram como receberam a notícia da morte da jovem.

A mãe de Sara, Lucineia Gimenes, conta que a família, que é de Muniz Freire, região Sul do Espírito Santo, foi informada inicialmente que a filha havia ficado ferida no acidente e que teria sido levada ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência, em Vitória.

A informação da morte só foi repassada aos familiares pela equipe médica já no hospital, segundo ela.

Até então a gente pensava que ela só tinha se machucado. A gente não tinha visto o acidente, não tinha visto o carro, não sabíamos de nada daquilo. A gente só sabia que o estado dela era grave, mas não morta

Lucineia Gimenes, mãe de Sara

Sara estava em um carro junto de uma amiga e do namorado, Ramon Mapelli dos Santos, que dirigia o carro. O rapaz abandonou as duas mulheres no veículo após o capotamento e fugiu do local. A amiga sobreviveu, mas a jovem não resistiu.

Ainda no hospital, a família começou a questionar o que havia causado o acidente e se o motorista dirigia em alta velocidade.

Três dias após o fato, a Polícia Civil disponibilizou imagens de videomonitoramento que mostravam o carro que Ramon dirigia em alta velocidade.

Outros dois carros, também em alta velocidade, aparecem na filmagem, o que levantou a suspeita da Polícia Civil de que os veículos disputavam um racha. As imagens também aumentaram ainda mais a desconfiança dos familiares.

A amiga de Sara, que estava internada no mesmo hospital, contou à Lucineia que a jovem havia pedido a Ramon para que diminuísse a velocidade do veículo, o que não foi atendido.

“Ela disse que não se lembra exatamente das palavras, mas que minha filha pedia a ele para diminuir ou passasse o carro para ela, até a hora que ele perdeu o controle”, contou.

“Queremos justiça”, diz pai da vítima

Um dia após o acidente que tirou a vida de Sara, Ramon entrou em contato com a família por telefone. Quem atendeu a ligação foi Luciano Torres, pai da jovem.

Segundo Luciano, a todo momento Ramon pedia perdão à família pela morte da jovem e que a “amava”.

Ele me dizia: me perdoa, porque eu amava muito ela. E eu falei para ele ‘se você realmente amasse, você não a teria abandonado. Eu sim, amava, eu daria minha vida por ela. Se pudesse trocar hoje a minha vida pela dela, eu trocaria.

Luciano Torres, pai de Sara

Luciano afirmou esperar que a justiça seja feita no caso da filha e que o suspeito não fique impune após o acidente.

“Eu quero que seja feita a justiça. Tudo que for cabível na lei, eu quero que seja aplicado. Se é 20 anos, se é 30 anos, que a justiça seja feita”, afirmou.

Irmão queria ser sócio de universitária

Sara era estudante de farmácia, curso que fazia junto com o irmão mais velho, João. O jovem conta que sonhava abrir um negócio com a irmã depois da formatura de ambos.

Apesar do momento de dor, João relatou que pretende homenagear a irmã quando conseguir o diploma.

“Tínhamos o sonho de começar algo juntos quando a gente se formasse, inclusive pretendo fazer uma homenagem a ela na minha formatura, mas não consigo ainda pensar nisso. É doloroso pensar no futuro agora”, disse.

Outro irmão mais velho, Michael Gimenes, tinha planos de se encontrar com a irmã na quarta-feira, mas o encontro foi impossibilitado pelo acidente.

Ele, que mora fora da Grande Vitória, conta que havia trocado mensagens com Sara poucas horas antes do capotamento.

Lucas Gimenes, também irmão de Sara, lembra que a jovem era cheia de sonhos e responsável por manter a família unida.

“Está faltando a mais aventureira, porque nós três somos mais caseiros. Quem chamava a gente para fazer surpresas, festas, ir à praia, era ela. Isso vai ficar muito marcado com a gente”, contou.

Suspeita de racha

Os motoristas dos dois carros que são vistos nas imagens de videomonitoramento foram ouvidos pela polícia e negaram estar participando de um racha.

Além disso, os jovens disseram não conhecer Ramon e nem ter ficado sabendo da batida até a liberação das imagens.

Ramon Capelli, namorado de Sara Gimenes Torres, estaria participando de racha e é considerado foragido. Foto: Reprodução/Videomonitoramento e Polícia Civil

Fábio Marçal, advogado que representa os dois, afirmou que os carros estão à disposição para perícia.

“Só se deram conta quando foi veiculada a imagem e imediatamente nos procuraram. Nós buscamos as autoridades e colocamos os veículos à disposição para serem periciados”, afirmou.

Criminoso contumaz, diz delegado

O delegado Maurício Gonçalves, que investiga o caso, relatou que Ramon já tem passagens pela polícia por crimes como agiotagem e ameaça.

Além disso, o suspeito já foi preso em flagrante por receptação de produto furtado. O delegado o classificou como um “criminoso contumaz”.

Ramon fugiu do local logo após o acidente e abandou Sara e a amiga dela no carro. Sara morreu presa às ferragens.

O delegado afirmou que a polícia realizou buscas em diversos endereços, mas Ramon permanece foragido.

“Fomos em todos os endereços conhecidos dele, de familiares, foram identificados outros locais em que ele poderia estar. Infelizmente, ele não estava em nenhum desses lugares, tomou o destino ignorado. Prosseguimos nas investigações para localizá-lo”, disse o delgado.

*Com informações da repórter Ana Carolini Mota, da TV Vitória/Record



FONTE: Folha Vitória


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