família de Dantinho Michelini foi reconhecer corpo no IML
Familiares de Dante Brito Michelini, conhecido como “Dantinho”, estiveram no Instituto Médico Legal (IML), em Vitória, nesta quarta-feira (4), para fazer reconhecimento do corpo encontrado decapitado e carbonizado no sítio dele, em Guarapari.
A família acredita que o corpo é dele, mas ainda não há confirmação por parte da polícia. Não foi informado qual o grau de parentesco dos familiares que foram ao IML e eles esperam a conclusão de perícia para afirmar que trata-se de Dantinho.
Dantinho Michelini era um dos envolvidos no assassinato da menina Araceli Cabrera Sanchez, de 8 anos, em 1973. Chegou a ser condenado e depois foi absolvido.
O caso, que ganhou grande repercussão em todo o Brasil, envolveu Dantinho, o pai dele, Dante de Barros Michelini (já falecido), e Paulo Constanteen Helal, conhecido como Paulinho.
O advogado Adir Rodrigues Silva Junior, que representa um dos irmãos de Dantinho, informou que a família não irá se pronunciar sobre o caso, mas confirmou que parentes foram ao IML. “Tudo indica que é, mas pelo estado do corpo temos que esperar a perícia”, declarou à reportagem do Folha Vitória.
Por meio de nota, ele reafirmou que a família vai esperar a conclusão da perícia, e isso por conta do avançado estado de decomposição do corpo.
“Ao que tudo indica seria dele, mas não temos a confirmação, então não podemos afirmar nada. Dantinho vivia há muitos anos recluso e isolado no sítio, desde a morte do pai. Vamos agora acompanhar as investigações para saber o que pode ter motivado um crime como esse”, afirmou.
Em entrevista por telefone ao Folha Vitória, o advogado relatou não acreditar que o assassinato tenha sido motivado pelo caso Araceli, dado o tempo em que o crime aconteceu.
Ainda segundo ele, o irmão de Dantinho que ele representa relatou não ter conhecimento de que Dantinho tinha desavenças ou era ameaçado por alguém na região em que o corpo foi encontrado.
“O motivo de ter acontecido um massacre como esse, não acredito que seja sobre o caso Araceli, acredito que seja por algum outro motivo. Mas em momento algum já podemos afirmar que é o corpo do Dantinho. Segundo meu cliente, ele não tinha nenhuma desavença. A família não tem nenhuma informação sobre ameaças”, disse.
Corpo decapitado
O corpo em Guarapari foi encontrado sem cabeça e em meio a escombros de uma casa incendiada dentro do Sítio Pequeira. Dantinho, segundo informações recebidas pela Polícia Militar, mora sozinho no sítio.
O assassinato foi descoberto na tarde desta terça-feira (3), após uma mulher de 40 anos procurar a Polícia Militar por ter encontrado a casa onde estava o corpo destruída, com janelas e portas quebradas.
Dentro da casa, os policiais localizaram o corpo em estado avançado de decomposição, deitado com a barriga para baixo.
A mulher se apresentou como funcionária do sítio e disse que não tinha contato com Dantinho desde o dia 7 de janeiro. Ela teria ido ao local por se preocupar com o paradeiro do homem e procurou a polícia após encontrar a casa danificada.
Para encontrar o corpo, a Polícia Militar contou com a ajuda de um homem, que guiou os militares por dentro da propriedade, uma vez que a casa se encontrava em um local de difícil acesso.
Segundo o boletim de ocorrência da PM, um advogado da família e um irmão do homem morto estiveram no local. O advogado não teria se aproximado do corpo, mas relatou aos militares que Dantinho era o único morador do sítio. Além disso, disse que o idoso raramente saía da propriedade e quase não tinha contato com o mundo exterior.


Araceli foi drogada, estuprada e morta
A menina Araceli Cabrera Sanchez tinha 8 anos quando foi assassinada. Ela desapareceu no dia 18 de maio de 1973 e o corpo foiencontrado seis dias depois. Segundo a perícia, a criança foi drogada, estuprada, assassinada, desfigurada e queimada.
Após as investigações, três suspeitos foram indiciados e denunciados pelo crime: Dante Brito Michelini, o Dantinho; seu pai, Dante de Barros Michelini; e Paulo Constanteen Helal. Todos foram condenados, mas depois a sentença foi anulada e, anos mais tarde, em um novo julgamento, os três foram inocentados por falta de provas.
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